Juiz proíbe mídia de citar nomes de agressores de prostitutas

Juiz proíbe mídia de citar nomes de agressores de prostitutas

Atualizado em 11/01/2008 às 09:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Dez veículos de comunicação estão proibidos de citar os nomes de três estudantes condenados por agredir uma prostituta em novembro passado na cidade do Rio de Janeiro. A decisão é do juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto, do 9º Juizado Especial Criminal.

A ação, repudiada pelas entidades que representam os meios de comunicação, foi proposta pelo Ministério Público do Estado a pedido dos advogados dos universitários, Leonardo Siqueira e Bruno de Oliveira. "Eles já estão cumprindo a pena e estavam sofrendo represálias na rua por causa das cenas exibidas nos jornais", disse Siqueira.

O juiz Joaquim Domingos proibiu os veículos de mencionar os estudantes em reportagens, inclusive em veículos com divulgação por internet. Caso a decisão seja descumprida, o juiz estabelece na sentença multa de R$ 10 mil.

De acordo com a decisão tomada em 22 de novembro, mas só anunciada na última quarta-feira (9), os principais veículos de comunicação locais (redes TV Globo, TVE Bandeirantes, CNT, Record e Rede TV) e jornais de grande circulação ( O Globo , Jornal do Brasil , Extra , O Dia ) terão "de se abster de veicular imagem dos autores do fato".

A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) demonstrou absoluto repúdio pela decisão e disse ter "confiança no Poder Judiciário como guardião dos princípios da liberdade de imprensa". A ANJ (Associação Nacional de Jornais) recomendou que os veículos recorram da proibição, para que o Judiciário restabeleça o princípio de liberdade de expressão. A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) declarou que a decisão "ofende à Constituição, ignorando a disposição mencionada, e devolve o país aos tempos do autoritarismo".

Segundo informou reportagem desta sexta-feira (11), do jornal Folha de S.Paulo , há dois meses, na Barra da Tijuca, três estudantes universitários (Fernando Mattos Roiz Júnior, 19, Luciano Filgueiras da Silva Monteiro, 21) e um menor agrediram prostitutas e travestis com um extintor de incêndio.

Os garotos foram presos, e o juiz Almeida Neto condenou os universitários (Fernando e Luciano) a prestar oito horas semanais de serviços à companhia de limpeza urbana do Rio por um ano (os dois recolhem lixo e ajudam a limpar pichações em postes e muros).

Foto: Divulgação/Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

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