Juca Kfouri será presidente do julgamento da Lei de Anistia em novo Tribunal Tiradentes

Em 2014, o golpe civil-militar de 31 de março de 1964, que implantou a ditadura no Brasil, completa 50 anos. Com mais de duas décadas de duração, foi suplantado pela Lei da Anistia, que após anistiar presos e perseguidos políticos, indiretamente deixou sem punição militares e civis envolvidos nos crimes contra a oposição.

Atualizado em 17/03/2014 às 15:03, por Christh Lopes.



Agora, em evento simbólico, a Comissão da Verdade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) receberá personalidades e entidades da sociedade civil e do poder público para um ato político de juízo desta medida.
Crédito:Alf Ribeiro Juca Kfouri será presidente da sessão de julgamento da Lei da Anistia
Entre os convidados está o jornalista Juca Kfouri, que será presidente da sessão de julgamento. Ele atrela sua escolha à luta de sua tia, Nadir Gouvêa Kfouri, reitora da universidade durante a ditadura. “Me preparei, nervoso, por não me sentir à altura. Na verdade, só posso ter sido escolhido como homenagem à mulher que dá nome à Comissão da Verdade da PUC".
Primeira mulher a ser reitora da PUC-SP, Nadir virou as costas ao coronel Erasmo Dias, no fatídico episódio da violenta invasão à faculdade pela polícia política em 1977. Na ocasião, ela disse: “Não dou a mão a assassinos”.
O jornalista afirma que “ela [Nadir] foi uma mulher exemplar, orgulho dos Kfouris”. Apesar do tempo passado, há semelhanças com o primeiro Tribunal Tiradentes, realizado em 1983, e que contou com a participação de figuras emblemáticas como o ex-presidente Lula, Teotônio Vilela, Márcio Thomaz Bastos, Luiz Eduardo Greenhalgh, Goffredo da Silva Telles Junior e Hélio Bicudo.
Juca Kfouri acredita ser válida a iniciativa do julgamento da Lei da Anistia. “Permanece a necessidade de lidar com o entulho autoritário do período da ditadura”. Sobre sua participação no evento, ressalta que tentará ser “apenas o coordenador dos trabalhos e fazer a leitura do que for decidido”.
O jornalista também avaliou o trabalho da Comissão Nacional da Verdade. “É um esforço necessário para que o Brasil conheça sua história recente e inevitavelmente polêmica, cabendo à sociedade fiscalizá-la e pressioná-la no sentido de obter o resultado que já se faz tardio”.
O evento será realizado na próxima terça-feira (18/3), a partir das 19h, no Teatro da universidade. Carlos Malheiros, desembargador e professor da PUC-SP, defenderá a Lei da Anistia, enquanto Fábio Konder Comparato, jurista e docente da USP, será fará as acusações. Integrarão o júri representantes da ABI, artistas, Comissão de Justiça e Paz, CUT, MST, OAB Nacional e a UNE. Segundo a assessoria, a sentença final será entregue à Comissão Nacional da Verdade.
A revogação da Lei da Anistia já foi tema de discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2010. Na ocasião, o STF entendeu que a medida incluiu o perdão aos oficiais suspeitos de tortura.

Serviço:
“Tribunal Tiradentes II: Julgamento da Lei de Anistia: justiça para os crimes da ditadura” Data: 18 de março. Horário: 19h30. Local: Teatro Tuca – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo. Informações: .

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.
Assista ao vídeo: