Jovens jornalistas contra os antigos interesses / Por Nicholas Vital - UMESP (SP)
Jovens jornalistas contra os antigos interesses / Por Nicholas Vital - UMESP (SP)
Atualizado em 13/09/2005 às 10:09, por
Nicholas Vital e estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.
Por O jornalismo político anda em alta ultimamente. São tantos escândalos, CPIs e casos de corrupção em Brasília, que os jornalistas especializados nesta editoria devem estar se dando ao luxo de escolher a pauta que irão investigar no dia. Contudo, não é tão fácil assim a vida de quem vive o dia-a-dia no Palácio do Planalto. O cuidado com as fontes deve ser redobrado em tempos de crise.
Nesta semana, a revista Isto É estampa em sua capa um novo escândalo envolvendo fundos de pensão de estatais e o gigante do setor financeiro Citigroup.
Toda a confusão começou durante as investigações da CPI dos Correios, que aprovou a quebra do sigilo bancário dos maiores fundos de pensão do País, o Previ, do Banco do Brasil, Petros, da Petrobrás e o Funcef, da Caixa Econômica Federal.
A revista teve acesso a um contrato milionário entre o Citibank e os fundos de pensão, onde estes últimos estão obrigados a comprar ações da Brasil Telecom pertencentes ao banco por um valor 240% maior. Isso significa pagar 90 reais por algo que, no mercado, vale apenas R$ 23,50. Em números absolutos, os fundos teriam que desembolsar R$ 1,045 bilhão por algo que só vale R$ 340 milhões. E o que é pior, todo este dinheiro seria retirado dos cofres públicos! Esta é uma denúncia muito grave, que deve ser muito bem investigada e comprovada. E foi. Baseado em documentos e entrevistas com os envolvidos, os repórteres Lino Rodrigues e Mário Simas Filho, chegaram até a causa do problema: a disputa pelo controle da Brasil Telecom entre um grupo de investidores e uma empresa de telefonia.
Outro grande mérito dos jornalistas envolvidos, que provavelmente não foram só os dois, foi superar os eufóricos e polêmicos políticos em tempos de CPI. Nesta situação, como podemos acompanhar diariamente na TV, os Deputados e Senadores preferem fazer um discurso político ao invés de serem objetivos em suas perguntas. Todos em busca de um espaço na mídia, quem sabe no Jornal Nacional.
Voltando ao caso, logicamente os representantes do Citibank foram ouvidos. E o que responderam? Nada, é claro! Ficou no jogo de empurra tradicional de alguém que não tem muita explicação tamanho o absurdo. O vice-presidente, responsável pela transação, indicou o consultor, que por sua vez passou para o advogado do banco. O advogado não foi encontrado e quem falou foi uma quarta pessoa envolvida.
Os repórteres fizeram uma pesquisa tão competente sobre o assunto e os envolvidos, que descobriram outras operações ilegais do Citigroup, que controla o Citibank, ao redor do mundo.
Esta apuração deve ser feita com muito empenho e sem preguiça ou outros interesses. Um exemplo pertinente que posso usar aqui é o famoso caso do ex-deputado Ibsen Pinheiro, citado no livro "Jornalismo Político" de Franklin Martins, e que por acaso é citado na capa desta edição de Isto É. Ibsen foi vítima de um erro jornalístico, que o envolveu no escândalo dos anões do orçamento.
O caso é que, por causa de um interesse da revista Veja, que já tinha pronto um lote de mais de 1 milhão de exemplares, o problema de uma informação mal apurada, que transformava mil dólares em um Milão de dólares, foi ignorado e o ex-deputado, que era presidente da Câmara dos Deputados foi cassado.
Casos como este acontecem diariamente, claro que não com tamanha dimensão. Só para citar outro exemplo rápido, temos o caso da Escola Base, em que duas pessoas, que não eram políticos nem nada, tiveram suas vidas destruídas por causa de um pré julgamento que se transformou em sensacionalismo.
Parte da culpa também é das empresas de comunicação. Imagine uma Rede Globo, com toda sua estrutura, profissionais e equipes, e sem nenhum furo jornalístico. O caso da Escola Base não seria nada se fosse descoberto, com todo respeito, pela Gazeta de Piraporinha.
Outra coisa que acontece "em off" nos veículos de comunicação é a pressão para serpublicada uma versão da notícia que atenda os interesses do chefe. Algumas empresas ainda tem a visão de 50 anos atrás, quando a era publicado a opinião do chefe, e não a realidade, mas quando isso é descoberto pega muito mal. Pode parecer perseguição, mas o melhor exemplo que eu tenho em minha cabeça também vem da Rede Globo, no famoso debate entre Collor e Lula nas eleições de 1989.
O fato de os Marinho apoiarem Fernando Collor por motivos pessoais, não os dava o direito de se utilizar de uma emissora, que de fato não é deles, e sim uma concessão do Governo, para influenciar milhões de pessoas a votar em uma pessoa que anos depois se mostrou o que era.
O mais absurdo é que a própria Globo foi quem mais pressionou o Governo e ajudou no impeachment do "caçador de marajás", apelido dado à Collor pela revista Veja, outra que influenciou, e muito, os eleitores classes A e B em 1989. A única conclusão que posso tirar de tudo isso, é que devo, cada vez mais respeitar minha "primeira lealdade", expressão usada por Franklin Martins, que significa o respeito à consciência, aos chefes nas redações e principalmente aos leitores, telespectadores e ouvintes.
Só desta maneira, a nova geração de jornalistas conseguirá continuar a saga dos repórteres da velha guarda, fiscalizando, cobrando e denunciando, não só os políticos, mas toda a sociedade, em todas as editorias.
Nesta semana, a revista Isto É estampa em sua capa um novo escândalo envolvendo fundos de pensão de estatais e o gigante do setor financeiro Citigroup.
Toda a confusão começou durante as investigações da CPI dos Correios, que aprovou a quebra do sigilo bancário dos maiores fundos de pensão do País, o Previ, do Banco do Brasil, Petros, da Petrobrás e o Funcef, da Caixa Econômica Federal.
A revista teve acesso a um contrato milionário entre o Citibank e os fundos de pensão, onde estes últimos estão obrigados a comprar ações da Brasil Telecom pertencentes ao banco por um valor 240% maior. Isso significa pagar 90 reais por algo que, no mercado, vale apenas R$ 23,50. Em números absolutos, os fundos teriam que desembolsar R$ 1,045 bilhão por algo que só vale R$ 340 milhões. E o que é pior, todo este dinheiro seria retirado dos cofres públicos! Esta é uma denúncia muito grave, que deve ser muito bem investigada e comprovada. E foi. Baseado em documentos e entrevistas com os envolvidos, os repórteres Lino Rodrigues e Mário Simas Filho, chegaram até a causa do problema: a disputa pelo controle da Brasil Telecom entre um grupo de investidores e uma empresa de telefonia.
Outro grande mérito dos jornalistas envolvidos, que provavelmente não foram só os dois, foi superar os eufóricos e polêmicos políticos em tempos de CPI. Nesta situação, como podemos acompanhar diariamente na TV, os Deputados e Senadores preferem fazer um discurso político ao invés de serem objetivos em suas perguntas. Todos em busca de um espaço na mídia, quem sabe no Jornal Nacional.
Voltando ao caso, logicamente os representantes do Citibank foram ouvidos. E o que responderam? Nada, é claro! Ficou no jogo de empurra tradicional de alguém que não tem muita explicação tamanho o absurdo. O vice-presidente, responsável pela transação, indicou o consultor, que por sua vez passou para o advogado do banco. O advogado não foi encontrado e quem falou foi uma quarta pessoa envolvida.
Os repórteres fizeram uma pesquisa tão competente sobre o assunto e os envolvidos, que descobriram outras operações ilegais do Citigroup, que controla o Citibank, ao redor do mundo.
Esta apuração deve ser feita com muito empenho e sem preguiça ou outros interesses. Um exemplo pertinente que posso usar aqui é o famoso caso do ex-deputado Ibsen Pinheiro, citado no livro "Jornalismo Político" de Franklin Martins, e que por acaso é citado na capa desta edição de Isto É. Ibsen foi vítima de um erro jornalístico, que o envolveu no escândalo dos anões do orçamento.
O caso é que, por causa de um interesse da revista Veja, que já tinha pronto um lote de mais de 1 milhão de exemplares, o problema de uma informação mal apurada, que transformava mil dólares em um Milão de dólares, foi ignorado e o ex-deputado, que era presidente da Câmara dos Deputados foi cassado.
Casos como este acontecem diariamente, claro que não com tamanha dimensão. Só para citar outro exemplo rápido, temos o caso da Escola Base, em que duas pessoas, que não eram políticos nem nada, tiveram suas vidas destruídas por causa de um pré julgamento que se transformou em sensacionalismo.
Parte da culpa também é das empresas de comunicação. Imagine uma Rede Globo, com toda sua estrutura, profissionais e equipes, e sem nenhum furo jornalístico. O caso da Escola Base não seria nada se fosse descoberto, com todo respeito, pela Gazeta de Piraporinha.
Outra coisa que acontece "em off" nos veículos de comunicação é a pressão para serpublicada uma versão da notícia que atenda os interesses do chefe. Algumas empresas ainda tem a visão de 50 anos atrás, quando a era publicado a opinião do chefe, e não a realidade, mas quando isso é descoberto pega muito mal. Pode parecer perseguição, mas o melhor exemplo que eu tenho em minha cabeça também vem da Rede Globo, no famoso debate entre Collor e Lula nas eleições de 1989.
O fato de os Marinho apoiarem Fernando Collor por motivos pessoais, não os dava o direito de se utilizar de uma emissora, que de fato não é deles, e sim uma concessão do Governo, para influenciar milhões de pessoas a votar em uma pessoa que anos depois se mostrou o que era.
O mais absurdo é que a própria Globo foi quem mais pressionou o Governo e ajudou no impeachment do "caçador de marajás", apelido dado à Collor pela revista Veja, outra que influenciou, e muito, os eleitores classes A e B em 1989. A única conclusão que posso tirar de tudo isso, é que devo, cada vez mais respeitar minha "primeira lealdade", expressão usada por Franklin Martins, que significa o respeito à consciência, aos chefes nas redações e principalmente aos leitores, telespectadores e ouvintes.
Só desta maneira, a nova geração de jornalistas conseguirá continuar a saga dos repórteres da velha guarda, fiscalizando, cobrando e denunciando, não só os políticos, mas toda a sociedade, em todas as editorias.






