Jovens começam a consumir bebidas alcoólicas cada vez mais cedo - Por Eduardo Brambilla / UFMT
Jovens começam a consumir bebidas alcoólicas cada vez mais cedo - Por Eduardo Brambilla / UFMT
Atualizado em 02/05/2005 às 12:05, por
Eduardo Brambilla e estudante do curso de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso.
Por A Comarca de Cuiabá do Juizado da Infância e Adolescência registrou um aumento no número de autuações a estabelecimentos comerciais, em decorrência da venda de bebidas alcoólicas a menores, superior a 100% no ano passado em comparação a 2003. Foram abertos 65 processos em 2004 e 32 no ano anterior. Apesar desse aumento expressivo, os números poderiam ser alarmantes. É que de acordo com o chefe de inspetores do Juizado, Marcos Pereira, o número de fiscais do órgão é insuficiente.
Marcos explica que 25 pessoas trabalham como inspetores em regime de escala. Como o número de funcionários é restrito, a fiscalização só acontece de segunda a quarta, no período vespertino, quinta e sexta, durante toda a tarde e a noite, e sábado e domingo, somente no período noturno. Os locais mais visitados pelos fiscais são boates, casas de jogos, lan houses, prostíbulos, motéis e bares. A multa para quem for pego vendendo bebidas alcoólicas para menores varia de 3 a 20 salários mínimos. Caso o infrator seja reincidente, o estabelecimento pode ser fechado.
Uma pesquisa feita em 2001 pela Unesco, em Cuiabá, mostra que 52% das pessoas inclusas na faixa etária de 12 a 18 anos consomem bebidas alcoólicas e os números não param de crescer. Estabelecimentos comerciais da capital têm uma importante colaboração no crescimento desses dados.
De acordo com a psicóloga Adriana Guirado, a maioria dos estabelecimentos da capital vende bebidas alcoólicas para menores, o que contraria o artigo 81 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "É proibido, mas não é obedecido", diz Adriana. Além da infância roubada, o consumo de álcool pode acelerar o aparecimento de doenças, como gastrite e úlcera, e também problemas sociais e violência.
Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que os jovens que são muito dependentes do álcool ingeriram o primeiro gole aos 9 anos. Por outro lado, para aqueles que bebem esporadicamente, o primeiro contato com a bebida alcoólica se dá aos 13 anos. Já uma pesquisa recente realizada pelo Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) apontou que em um grupo de 1,8 mil adolescentes, 30% dos estudantes de escolas particulares tinham bebido até se embriagar.
O professor e economista Antônio Soares Gomes, autor do livro "Do Lodo à Fina Flor - Das Profundezas do Alcoolismo e das Drogas à Beleza do Lírio: Uma Trajetória Possível", afirma que, diferente das drogas ilícitas, o hábito de consumir bebidas alcoólicas é obtido em casa. "Quando o pai, a mãe, ou ambos já são usuários da bebida, isso facilita o uso pelos jovens, adolescentes e crianças. Muitos pais usam aquilo e não vêem mal nenhum em dar para a criança. Isso é uma ignorância".
Números Preocupantes
De acordo com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, cerca de 15% da população brasileira é alcoólatra, 30% abusa do álcool, 50% bebem socialmente e apenas 10% são abstêmios.
Os pesquisadores do instituto revelaram ainda que o Brasil gasta 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano para tratar problemas relacionados ao álcool, que vão desde o tratamento de um dependente até a perda da produtividade por causa da bebida. As indústrias de bebidas alcoólicas movimentam no país 3,5% do PIB. Ou seja, o país gasta o dobro para as conseqüências do consumo dessas bebidas.
O alcoolismo está entre as 10 causas de internações clínicas no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em média 120 mil pessoas são hospitalizadas por ano, em virtude da doença, o que gera um custo de R$ 60 milhões aos cofres públicos.
No Brasil, o alcoolismo já é a segunda causa de mortalidade e a sexta de internações. Oitenta por cento dos acidentes causados por falha humana, com socorro feito pelo Corpo de Bombeiros, envolvem a ingestão de álcool.
Segundo especialistas, as propagandas de cervejas e outras bebidas alcoólicas impulsionam o aumento do consumo. Sendo assim, o melhor a fazer seria restringir os comerciais desses produtos. "O governo precisa agir, coibindo as propagandas porque isso cria uma imagem glamourosa para as pessoas que assistem à televisão, por exemplo. As imagens de jovens sarados praticando esportes não combinam com o consumo de álcool", explica Antônio.
Pouco tempo depois da primeira experiência com as bebidas alcoólicas, muitos adolescentes conhecem a dependência do álcool. A partir daí, inicia-se um processo de degradação física e moral, que se não for interrompido a tempo pode causar danos irreversíveis. O viciado deve procurar com urgência apoio para se livrar dessa situação.
Luz no fim do túnel
O grupo dos Alcoólicos Anônimos (AA) é formado por homens e mulheres que se envolveram com o álcool e agora estão em fase de recuperação. Nas reuniões do AA, os participantes compartilham experiências e expõem fraquezas. O encontro do Grupo Central é realizado em uma sala no centro de Cuiabá. A reunião se assemelha a uma cerimônia religiosa. Na parede, um letreiro pisca o tempo todo com uma frase de alerta: Evite o primeiro gole.
O AA não tem vínculo com nenhuma seita ou religião e não recebe verbas de nenhuma instituição pública ou privada. O dinheiro para a manutenção é recolhido durante as reuniões. O grupo ensina aos alcoólatras em recuperação a viver um dia de cada vez. Para isso, repetem com veemência: "Só por hoje". Além disso, eles comemoram em todas as oportunidades a sobriedade conquistada por meio do programa.
A reportagem do RMT Online encontrou nesse grupo um jovem dependente do álcool e também de drogas ilícitas, que preferiu identificar somente as iniciais do nome dele. L.R. (21) começou a beber aos 14 anos dentro de casa. "Meu pai é um cara que bebe muito. Com o decorrer do tempo, tive curiosidade de experimentar. Primeiramente eu bebia escondido, já que na geladeira de casa sempre tinha cerveja. Conheci o uísque e fui bebendo, bebendo...", conta L.R.
Passado um tempo, ele começou a sair junto com o pai, que o incentivava a beber. Integrante de uma família de classe média-alta, o jovem começou a freqüentar boates. L.R. teve o primeiro contato com a cocaína, logo após a separação dos pais. "Em todas as boates, a maioria dos jovens usa cocaína. Eu andava com um grupo de amigos que também eram usuários e me afundei na droga", afirmou, ao dizer que é muito fácil encontrar entorpecentes nas baladas de Cuiabá.
Com 18 anos, já consumindo pasta base e ecstasy, o jovem perdeu a confiança da família e foi excluído da sociedade. "Todo mundo tinha medo de mim. Eu acabava com tudo: carro, moto. Cheguei até a ser preso por causa de um roubo. Fiquei um mês e meio no Carumbé. Minha obsessão pela droga me levou a roubar". L.R. acrescentou ainda que perdeu sete quilos quando era alcoólatra e usuário de drogas.
O jovem decidiu, então, procurar ajuda. Ficou nove meses em uma clínica em Minas Gerais e voltou para Cuiabá. Foi recebido com festa. O pai comprou para ele carro, moto, entre outros presentes. Pouco tempo depois, ele teve uma recaída e voltou a consumir bebidas alcoólicas, primeiramente, e drogas. "O álcool puxou tudo: maconha, cocaína, ecstasy, pasta base,...", explicou.
Envolvido nessa realidade novamente, L.R. voltou a agir como antes. Ele chegou até a desviar R$ 50 mil de uma empresa do pai, localizada em Várzea Grande. "Eu resolvi ser internado novamente e pedi ajuda para o meu pai. Hoje estou numa clínica e há 65 dias limpo. Estou sóbrio e agora me conheço bem. Vejo que não tem como levar aquela vida que eu levava".
Segundo L.R., ele participa do Alcoólicos Anônimos para angariar forças e manter-se abstêmio (sem usar drogas e sem beber) fora da clínica. "Só compartilhando meus problemas vou conseguir isso. Se eu não for lá [no AA], não continuo limpo. Para mim, aquilo é tudo. Quando sinto vontade de consumir, eu ligo para um membro do AA, e me acalmo", ponderou.
Sintomas do Alcoolismo
O coordenador do Alcoólicos Anônimos em Cuiabá, Alfredo (nome fictício), afirma que é possível definir os sinais que acompanham o alcoolismo. Por exemplo, quando uma pessoa não consegue parar de beber por uma semana, quando já teve problemas em casa por causa da bebida, quando tem inveja de outras pessoas que bebem e não criam problemas, ela pode ser dependente do álcool. Nesse caso, a recomendação é procurar ajuda, seja na família, seja no AA, ou numa clínica especializada.
"O que o AA faz não é um tratamento. O AA é um programa de auto-disciplina que a pessoa se impõe. Ou seja, um dia de cada vez, participar das reuniões,... A gente não chama de tratamento porque somos leigos. Essa não é uma entidade profissional", ressalta Alfredo. Quando o viciado está em um estado crônico, ele deve ser levado para uma clínica de recuperação.
Os Alcoólicos Anônimos têm 12 grupos em Cuiabá. As reuniões são periódicas e realizadas em vários bairros da capital. O AA funciona ainda em Rondonópolis, Sinop, Colíder, Várzea Grande, Cáceres, Jaciara, Alto Araguaia, Poconé, Comodoro, Guarantã do Norte, Nova Monte Verde, Alto Garças, Dom Aquino, Fátima de São Lourenço, Comodoro, Barra do Garças e Canarana.
Caps Adolescer
O Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) do Hospital Neuropsiquiátrico Adauto Botelho tem uma ala que atende exclusivamente adolescentes, de 12 a 18 anos, que tenham problemas com alcoolismo ou entorpecentes. O Caps Adolescer conta com uma equipe médica formada por psicólogos, clínicos gerais, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, entre outros.
No local, os pacientes participam de terapias e outras atividades como oficinas de música e canto. O Caps Adolescer buscará parceria para implantar este ano cursos de capoeira e teatro. O tratamento pode durar até 90 dias. Contudo, o paciente permanece na clínica, caso ainda não esteja em condições de receber alta.
A psicóloga Adriana Guirado observa que 70% das pessoas atendidas no Caps Adolescer são do sexo masculino, 71% não trabalham e 63% não estudam. Adriana afirma que preocupa o comportamento de risco dos jovens quando eles estão embriagados: "Sob o efeito do álcool, eles podem contrair o vírus HIV e também, no caso das meninas, ficarem grávidas".
Mais informações sobre o AA em todo o estado podem ser obtidas pelo telefone (65) 321-1020 e pelo e-mail aamatogrosso@ibest.com.br. O telefone do Caps Adolescer é o (65) 617-1603.
Marcos explica que 25 pessoas trabalham como inspetores em regime de escala. Como o número de funcionários é restrito, a fiscalização só acontece de segunda a quarta, no período vespertino, quinta e sexta, durante toda a tarde e a noite, e sábado e domingo, somente no período noturno. Os locais mais visitados pelos fiscais são boates, casas de jogos, lan houses, prostíbulos, motéis e bares. A multa para quem for pego vendendo bebidas alcoólicas para menores varia de 3 a 20 salários mínimos. Caso o infrator seja reincidente, o estabelecimento pode ser fechado.
Uma pesquisa feita em 2001 pela Unesco, em Cuiabá, mostra que 52% das pessoas inclusas na faixa etária de 12 a 18 anos consomem bebidas alcoólicas e os números não param de crescer. Estabelecimentos comerciais da capital têm uma importante colaboração no crescimento desses dados.
De acordo com a psicóloga Adriana Guirado, a maioria dos estabelecimentos da capital vende bebidas alcoólicas para menores, o que contraria o artigo 81 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "É proibido, mas não é obedecido", diz Adriana. Além da infância roubada, o consumo de álcool pode acelerar o aparecimento de doenças, como gastrite e úlcera, e também problemas sociais e violência.
Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que os jovens que são muito dependentes do álcool ingeriram o primeiro gole aos 9 anos. Por outro lado, para aqueles que bebem esporadicamente, o primeiro contato com a bebida alcoólica se dá aos 13 anos. Já uma pesquisa recente realizada pelo Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) apontou que em um grupo de 1,8 mil adolescentes, 30% dos estudantes de escolas particulares tinham bebido até se embriagar.
O professor e economista Antônio Soares Gomes, autor do livro "Do Lodo à Fina Flor - Das Profundezas do Alcoolismo e das Drogas à Beleza do Lírio: Uma Trajetória Possível", afirma que, diferente das drogas ilícitas, o hábito de consumir bebidas alcoólicas é obtido em casa. "Quando o pai, a mãe, ou ambos já são usuários da bebida, isso facilita o uso pelos jovens, adolescentes e crianças. Muitos pais usam aquilo e não vêem mal nenhum em dar para a criança. Isso é uma ignorância".
Números Preocupantes
De acordo com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, cerca de 15% da população brasileira é alcoólatra, 30% abusa do álcool, 50% bebem socialmente e apenas 10% são abstêmios.
Os pesquisadores do instituto revelaram ainda que o Brasil gasta 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano para tratar problemas relacionados ao álcool, que vão desde o tratamento de um dependente até a perda da produtividade por causa da bebida. As indústrias de bebidas alcoólicas movimentam no país 3,5% do PIB. Ou seja, o país gasta o dobro para as conseqüências do consumo dessas bebidas.
O alcoolismo está entre as 10 causas de internações clínicas no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, em média 120 mil pessoas são hospitalizadas por ano, em virtude da doença, o que gera um custo de R$ 60 milhões aos cofres públicos.
No Brasil, o alcoolismo já é a segunda causa de mortalidade e a sexta de internações. Oitenta por cento dos acidentes causados por falha humana, com socorro feito pelo Corpo de Bombeiros, envolvem a ingestão de álcool.
Segundo especialistas, as propagandas de cervejas e outras bebidas alcoólicas impulsionam o aumento do consumo. Sendo assim, o melhor a fazer seria restringir os comerciais desses produtos. "O governo precisa agir, coibindo as propagandas porque isso cria uma imagem glamourosa para as pessoas que assistem à televisão, por exemplo. As imagens de jovens sarados praticando esportes não combinam com o consumo de álcool", explica Antônio.
Pouco tempo depois da primeira experiência com as bebidas alcoólicas, muitos adolescentes conhecem a dependência do álcool. A partir daí, inicia-se um processo de degradação física e moral, que se não for interrompido a tempo pode causar danos irreversíveis. O viciado deve procurar com urgência apoio para se livrar dessa situação.
Luz no fim do túnel
O grupo dos Alcoólicos Anônimos (AA) é formado por homens e mulheres que se envolveram com o álcool e agora estão em fase de recuperação. Nas reuniões do AA, os participantes compartilham experiências e expõem fraquezas. O encontro do Grupo Central é realizado em uma sala no centro de Cuiabá. A reunião se assemelha a uma cerimônia religiosa. Na parede, um letreiro pisca o tempo todo com uma frase de alerta: Evite o primeiro gole.
O AA não tem vínculo com nenhuma seita ou religião e não recebe verbas de nenhuma instituição pública ou privada. O dinheiro para a manutenção é recolhido durante as reuniões. O grupo ensina aos alcoólatras em recuperação a viver um dia de cada vez. Para isso, repetem com veemência: "Só por hoje". Além disso, eles comemoram em todas as oportunidades a sobriedade conquistada por meio do programa.
A reportagem do RMT Online encontrou nesse grupo um jovem dependente do álcool e também de drogas ilícitas, que preferiu identificar somente as iniciais do nome dele. L.R. (21) começou a beber aos 14 anos dentro de casa. "Meu pai é um cara que bebe muito. Com o decorrer do tempo, tive curiosidade de experimentar. Primeiramente eu bebia escondido, já que na geladeira de casa sempre tinha cerveja. Conheci o uísque e fui bebendo, bebendo...", conta L.R.
Passado um tempo, ele começou a sair junto com o pai, que o incentivava a beber. Integrante de uma família de classe média-alta, o jovem começou a freqüentar boates. L.R. teve o primeiro contato com a cocaína, logo após a separação dos pais. "Em todas as boates, a maioria dos jovens usa cocaína. Eu andava com um grupo de amigos que também eram usuários e me afundei na droga", afirmou, ao dizer que é muito fácil encontrar entorpecentes nas baladas de Cuiabá.
Com 18 anos, já consumindo pasta base e ecstasy, o jovem perdeu a confiança da família e foi excluído da sociedade. "Todo mundo tinha medo de mim. Eu acabava com tudo: carro, moto. Cheguei até a ser preso por causa de um roubo. Fiquei um mês e meio no Carumbé. Minha obsessão pela droga me levou a roubar". L.R. acrescentou ainda que perdeu sete quilos quando era alcoólatra e usuário de drogas.
O jovem decidiu, então, procurar ajuda. Ficou nove meses em uma clínica em Minas Gerais e voltou para Cuiabá. Foi recebido com festa. O pai comprou para ele carro, moto, entre outros presentes. Pouco tempo depois, ele teve uma recaída e voltou a consumir bebidas alcoólicas, primeiramente, e drogas. "O álcool puxou tudo: maconha, cocaína, ecstasy, pasta base,...", explicou.
Envolvido nessa realidade novamente, L.R. voltou a agir como antes. Ele chegou até a desviar R$ 50 mil de uma empresa do pai, localizada em Várzea Grande. "Eu resolvi ser internado novamente e pedi ajuda para o meu pai. Hoje estou numa clínica e há 65 dias limpo. Estou sóbrio e agora me conheço bem. Vejo que não tem como levar aquela vida que eu levava".
Segundo L.R., ele participa do Alcoólicos Anônimos para angariar forças e manter-se abstêmio (sem usar drogas e sem beber) fora da clínica. "Só compartilhando meus problemas vou conseguir isso. Se eu não for lá [no AA], não continuo limpo. Para mim, aquilo é tudo. Quando sinto vontade de consumir, eu ligo para um membro do AA, e me acalmo", ponderou.
Sintomas do Alcoolismo
O coordenador do Alcoólicos Anônimos em Cuiabá, Alfredo (nome fictício), afirma que é possível definir os sinais que acompanham o alcoolismo. Por exemplo, quando uma pessoa não consegue parar de beber por uma semana, quando já teve problemas em casa por causa da bebida, quando tem inveja de outras pessoas que bebem e não criam problemas, ela pode ser dependente do álcool. Nesse caso, a recomendação é procurar ajuda, seja na família, seja no AA, ou numa clínica especializada.
"O que o AA faz não é um tratamento. O AA é um programa de auto-disciplina que a pessoa se impõe. Ou seja, um dia de cada vez, participar das reuniões,... A gente não chama de tratamento porque somos leigos. Essa não é uma entidade profissional", ressalta Alfredo. Quando o viciado está em um estado crônico, ele deve ser levado para uma clínica de recuperação.
Os Alcoólicos Anônimos têm 12 grupos em Cuiabá. As reuniões são periódicas e realizadas em vários bairros da capital. O AA funciona ainda em Rondonópolis, Sinop, Colíder, Várzea Grande, Cáceres, Jaciara, Alto Araguaia, Poconé, Comodoro, Guarantã do Norte, Nova Monte Verde, Alto Garças, Dom Aquino, Fátima de São Lourenço, Comodoro, Barra do Garças e Canarana.
Caps Adolescer
O Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) do Hospital Neuropsiquiátrico Adauto Botelho tem uma ala que atende exclusivamente adolescentes, de 12 a 18 anos, que tenham problemas com alcoolismo ou entorpecentes. O Caps Adolescer conta com uma equipe médica formada por psicólogos, clínicos gerais, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, entre outros.
No local, os pacientes participam de terapias e outras atividades como oficinas de música e canto. O Caps Adolescer buscará parceria para implantar este ano cursos de capoeira e teatro. O tratamento pode durar até 90 dias. Contudo, o paciente permanece na clínica, caso ainda não esteja em condições de receber alta.
A psicóloga Adriana Guirado observa que 70% das pessoas atendidas no Caps Adolescer são do sexo masculino, 71% não trabalham e 63% não estudam. Adriana afirma que preocupa o comportamento de risco dos jovens quando eles estão embriagados: "Sob o efeito do álcool, eles podem contrair o vírus HIV e também, no caso das meninas, ficarem grávidas".
Mais informações sobre o AA em todo o estado podem ser obtidas pelo telefone (65) 321-1020 e pelo e-mail aamatogrosso@ibest.com.br. O telefone do Caps Adolescer é o (65) 617-1603.






