Jovem Pan aposta na qualidade para transmitir eventos esportivos pelas ondas do rádio
Única no país a estabelecer o som em estéreo nas ondas curtas, emissora conta com a “retaguarda” para levar a magia do rádio aos ouvintes.
Atualizado em 02/10/2014 às 15:10, por
Christh Lopes*.
Maracanã, 1950. Os brasileiros acompanhavam a final que determinaria o novo campeão do mundo de futebol. Pelas ondas curtas, locutores esportivos descreviam cada instante do evento no estádio municipal, que logo depois seria denominado Mário Filho, em homenagem ao jornalista que defendia com vigor a relevância da arena para os cariocas. Com a vitória do Uruguai sobre o Brasil, o enredo não acabou como todos esperavam, mas consolidou o rádio como principal meio de comunicação do país.
Crédito: Fernanda Guarda Ribeiro Jovem Pan aposta em parceria entre técnica e jornalismo para ter sucesso
A rádio Jovem Pan, uma das pioneiras na cobertura esportiva, possui como filosofia de trabalho a qualidade. A emissora recebeu IMPRENSA para destacar os diferencias que despertam o sentimento do público. Wanderley Nogueira, Chefe do Esporte da estação, destaca o aparato de transmissão dos jogos de futebol pelo país. “Contamos com a retaguarda”, diz.
O improviso também faz parte do dia a dia dos profissionais de rádio. Assim, ter jogo de cintura para driblar os imprevistos pode ser um grande diferencial. Numa certa oportunidade, Nogueira descobriu que a partida que a Jovem Pan narraria não iria acontecer. Na ocasião, São Paulo e Ponte Preta se enfrentariam pelas oitavas de final da Copa do Brasil no Moisés Lucarelli, em Campinas (SP). Como o "show" estava cancelado, a equipe precisou pensar rápido e preencher a lacuna, sem deixar os ouvintes na mão.
O repórter Luiz Quartarollo mediou a conversa entre dirigentes e, noticiou, em primeira mão, a informação do adiamento do jogo sob aval do executivo. Apesar do jogo não acontecer, os espectadores da Jovem Pan ficaram a par de toda a polêmica, numa cobertura dinâmica e atualiza.
Sucesso sem muitos segredos
A segredo do sucesso da emissora está no trabalho conjunto entre profissionais da técnica e daqueles que ficam à frente dos microfones. No entanto, tudo começa e passa pelas mãos de Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, ícone do empreendedorismo na comunicação brasileira e filho de Paulo Machado de Carvalho, fundador da Rede Record. “Ele [Tuta] nunca deixou de nos apoiar. Aqui, sempre tivemos liberdade para trabalhar”, conta Luiz Alexandre Rodrigues, também conhecido Chokito, técnico de operações da emissora.
“Ele apostou em mim quando a rádio foi transmitir o Mundial de 98”. Chokito foi convidado para ir à França por “seu Tuta”. Surpreso com o convite, ele agradeceu a oportunidade e recomendou a compra de materiais especializados para aperfeiçoar as condições de transmissão do evento.
O pedido foi logo atendido e ele pôde usar as tecnologias mais avançadas da época para comandar os detalhes funcionais da cobertura. Houve até, segundo ele, surpresa de colegas de outras emissoras, que viam, atentos, as inúmeras ferramentas à sua disposição.
Aloísio Mathias, coordenador de operações da rádio, diz que foi a parceria com Chokito que levou a Jovem Pan a implantar nas ondas curtas o sistema de som estéreo, o que significa uma qualidade superior comparada a dos concorrentes. “São [os técnicos] que sabem ouvir. Nós temos que aprender com eles, que escutam a nossa voz. Na Pan, há um trabalho mediado pela colaboração e parceria de todos os envolvidos”, diz Nogueira, que embora reconheça o problema do excesso de ego na comunicação, rejeitando tal característica na estação.
Além de concordar com o colega, Mathias vai mais adiante. Para ele, a magia do rádio faz parte de uma série de iniciativas resultantes da harmonia da equipe. Na tarefa de comandar as operações da rádio, ele usou sua experiência para lidar com uma situação adversa recentemente.
No mesmo instante em que o treinador do Palmeiras Dorival Júnior dava entrevista coletiva, um repórter havia conseguido uns minutos com atacante Valdívia. Mathias avisou Nogueira para chamar o enviado especial, que estava na saída do gramado. Enquanto transmitia o Mago, ele estava atento ao que treinador dizia aos jornalistas.
Por sorte ou acaso, neste momento o treinador respondia uma questão sobre o jogador. Como numa jogada ensaiada, Chokito já estava preparado para gravar o que o comandante palestrino dizia. “Foi o nosso gol”, ironiza Aloísio. “O rádio tem a marca da agilidade. E nós, sempre apostamos no jornalismo”, acrescenta Nogueira, que reitera que espera de sua equipe dedicação e, acima de tudo, humildade para reconhecer erros.
Emoção é a marca
A proposta de se reinventar a cada desencontro foi reconhecida pela Associação das Emissoras Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (AESP). A qualidade do som extraído pela estação foi um dos motivos que levaram sua escolha para ser a pioneira nos testes para a transição do sistema AM para o “FM estendido”. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) liberou os testes após levar em conta a estrutura da Jovem Pan na capital, com condições técnicas para viabilizar os testes.
Marcelo de Carvalho e Tutinha hoje levam a rádio com a missão de manter a qualidade que sempre foi o forte da estação. Por meio dela, garante Chokito, é possível entregar não somente a informação, mas o pacote completo que diferencia o meio de comunicação dos demais: a emoção, o sentimento, a sensibilidade. "Ouço direto gente me falando que chora ouvindo jogo na Pan, fica lindo demais. Tem que ter muito amor pelo que faz e eu tenho. Foi algo que nós criamos”, diz orgulhoso.
Por levar esse tipo emoção ao lares em todo o Brasil, é que ainda há pessoas que preferem abaixar o volume da televisão e acompanhar as transmissões de eventos esportivos pelas ondas curtas do rádio. A explicação técnica para este fenômeno, no caso da Jovem Pan, está em conceitos básicos de uma emissora comprometida com o ouvinte: dedicação, e, sobretudo, paixão pelo que faz.
Para isso, o operador da estação cuida das ferramentas que vai utilizar, chega bem antes dos demais, e sente o clima do jogo. Conforme conta Mathias, a ideia é levar o ouvinte para dentro do campo, como se estivesse assistindo a partida no estádio. Nesse quesito, Chokito pretende reforçar ainda mais a competência da equipe. “Gostaria de conseguir em algum dia registrar o ‘Fala Muito’ dito pelo Tite nos jogos”.
A ambientação, no caso, é fundamental para garantir a melhor experiência na transmissão esportiva. Com cinco canais de comunicação, os materiais enviados por todos os envolvidos na cobertura de uma determinada partida complementam as informações e condicionam um conteúdo mais atrativo a quem deseja acompanhar a Jovem Pan.
Enquanto alguns discutem a sobrevida do rádio, a equipe formada por Wanderley Nogueira, Luiz Alexandre Rodrigues e Aloísio Mathias desfruta da qualidade das ferramentas disponíveis pelo veículo para fazer da paixão do rádio uma magia da comunicação.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito: Fernanda Guarda Ribeiro Jovem Pan aposta em parceria entre técnica e jornalismo para ter sucesso
A rádio Jovem Pan, uma das pioneiras na cobertura esportiva, possui como filosofia de trabalho a qualidade. A emissora recebeu IMPRENSA para destacar os diferencias que despertam o sentimento do público. Wanderley Nogueira, Chefe do Esporte da estação, destaca o aparato de transmissão dos jogos de futebol pelo país. “Contamos com a retaguarda”, diz.
O improviso também faz parte do dia a dia dos profissionais de rádio. Assim, ter jogo de cintura para driblar os imprevistos pode ser um grande diferencial. Numa certa oportunidade, Nogueira descobriu que a partida que a Jovem Pan narraria não iria acontecer. Na ocasião, São Paulo e Ponte Preta se enfrentariam pelas oitavas de final da Copa do Brasil no Moisés Lucarelli, em Campinas (SP). Como o "show" estava cancelado, a equipe precisou pensar rápido e preencher a lacuna, sem deixar os ouvintes na mão.
O repórter Luiz Quartarollo mediou a conversa entre dirigentes e, noticiou, em primeira mão, a informação do adiamento do jogo sob aval do executivo. Apesar do jogo não acontecer, os espectadores da Jovem Pan ficaram a par de toda a polêmica, numa cobertura dinâmica e atualiza.
Sucesso sem muitos segredos
A segredo do sucesso da emissora está no trabalho conjunto entre profissionais da técnica e daqueles que ficam à frente dos microfones. No entanto, tudo começa e passa pelas mãos de Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, ícone do empreendedorismo na comunicação brasileira e filho de Paulo Machado de Carvalho, fundador da Rede Record. “Ele [Tuta] nunca deixou de nos apoiar. Aqui, sempre tivemos liberdade para trabalhar”, conta Luiz Alexandre Rodrigues, também conhecido Chokito, técnico de operações da emissora.
“Ele apostou em mim quando a rádio foi transmitir o Mundial de 98”. Chokito foi convidado para ir à França por “seu Tuta”. Surpreso com o convite, ele agradeceu a oportunidade e recomendou a compra de materiais especializados para aperfeiçoar as condições de transmissão do evento.
O pedido foi logo atendido e ele pôde usar as tecnologias mais avançadas da época para comandar os detalhes funcionais da cobertura. Houve até, segundo ele, surpresa de colegas de outras emissoras, que viam, atentos, as inúmeras ferramentas à sua disposição.
Aloísio Mathias, coordenador de operações da rádio, diz que foi a parceria com Chokito que levou a Jovem Pan a implantar nas ondas curtas o sistema de som estéreo, o que significa uma qualidade superior comparada a dos concorrentes. “São [os técnicos] que sabem ouvir. Nós temos que aprender com eles, que escutam a nossa voz. Na Pan, há um trabalho mediado pela colaboração e parceria de todos os envolvidos”, diz Nogueira, que embora reconheça o problema do excesso de ego na comunicação, rejeitando tal característica na estação.
Além de concordar com o colega, Mathias vai mais adiante. Para ele, a magia do rádio faz parte de uma série de iniciativas resultantes da harmonia da equipe. Na tarefa de comandar as operações da rádio, ele usou sua experiência para lidar com uma situação adversa recentemente.
No mesmo instante em que o treinador do Palmeiras Dorival Júnior dava entrevista coletiva, um repórter havia conseguido uns minutos com atacante Valdívia. Mathias avisou Nogueira para chamar o enviado especial, que estava na saída do gramado. Enquanto transmitia o Mago, ele estava atento ao que treinador dizia aos jornalistas.
Por sorte ou acaso, neste momento o treinador respondia uma questão sobre o jogador. Como numa jogada ensaiada, Chokito já estava preparado para gravar o que o comandante palestrino dizia. “Foi o nosso gol”, ironiza Aloísio. “O rádio tem a marca da agilidade. E nós, sempre apostamos no jornalismo”, acrescenta Nogueira, que reitera que espera de sua equipe dedicação e, acima de tudo, humildade para reconhecer erros.
Emoção é a marca
A proposta de se reinventar a cada desencontro foi reconhecida pela Associação das Emissoras Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (AESP). A qualidade do som extraído pela estação foi um dos motivos que levaram sua escolha para ser a pioneira nos testes para a transição do sistema AM para o “FM estendido”. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) liberou os testes após levar em conta a estrutura da Jovem Pan na capital, com condições técnicas para viabilizar os testes.
Marcelo de Carvalho e Tutinha hoje levam a rádio com a missão de manter a qualidade que sempre foi o forte da estação. Por meio dela, garante Chokito, é possível entregar não somente a informação, mas o pacote completo que diferencia o meio de comunicação dos demais: a emoção, o sentimento, a sensibilidade. "Ouço direto gente me falando que chora ouvindo jogo na Pan, fica lindo demais. Tem que ter muito amor pelo que faz e eu tenho. Foi algo que nós criamos”, diz orgulhoso.
Por levar esse tipo emoção ao lares em todo o Brasil, é que ainda há pessoas que preferem abaixar o volume da televisão e acompanhar as transmissões de eventos esportivos pelas ondas curtas do rádio. A explicação técnica para este fenômeno, no caso da Jovem Pan, está em conceitos básicos de uma emissora comprometida com o ouvinte: dedicação, e, sobretudo, paixão pelo que faz.
Para isso, o operador da estação cuida das ferramentas que vai utilizar, chega bem antes dos demais, e sente o clima do jogo. Conforme conta Mathias, a ideia é levar o ouvinte para dentro do campo, como se estivesse assistindo a partida no estádio. Nesse quesito, Chokito pretende reforçar ainda mais a competência da equipe. “Gostaria de conseguir em algum dia registrar o ‘Fala Muito’ dito pelo Tite nos jogos”.
A ambientação, no caso, é fundamental para garantir a melhor experiência na transmissão esportiva. Com cinco canais de comunicação, os materiais enviados por todos os envolvidos na cobertura de uma determinada partida complementam as informações e condicionam um conteúdo mais atrativo a quem deseja acompanhar a Jovem Pan.
Enquanto alguns discutem a sobrevida do rádio, a equipe formada por Wanderley Nogueira, Luiz Alexandre Rodrigues e Aloísio Mathias desfruta da qualidade das ferramentas disponíveis pelo veículo para fazer da paixão do rádio uma magia da comunicação.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





