Jornalistas Superpoderosas VIII - Yara Peres: "Quando se trata de profissionalismo e respeito, não importa o sexo das interfaces"
Jornalistas Superpoderosas VIII - Yara Peres: "Quando se trata de profissionalismo e respeito, não importa o sexo das interfaces"
Yara Peres conheceu o dia-a-dia das redações em 1976, na rádio Canadá Internacional, em Montreal. Lá, ao lado do também jornalista Rodolfo Konder – seu marido na época – exilou-se da repressão fardada que dirigia o país. A partir de 1979, quando voltou ao Brasil, ela foi repórter e produtora em grandes veículos, como editora Abril, TV Manchete, rádios Globo, Cultura, Jovem Pan e na extinta Excelsior. Yara deu novo rumo à carreira em 1988: tornou-se assessora de imprensa, ou, como define, “meio de campo” entre notícia e imprensa. Desde então, é sócia e vice-presidente de uma das maiores agências de comunicação integrada do país, a CDN (Companhia de Notícias).
IMPRENSA: No mercado de assessoria de imprensa ainda há mais mulheres que homens?
Yara Peres: Acho que isso já mudou. No início, o trabalho de assessoria de imprensa era visto pelos homens como “coisa de mulher”, como um trabalho para a esposa deles. Conforme o mercado amadureceu e as empresas se deram conta da necessidade da comunicação, nosso trabalho foi ganhando importância e os homens começaram a atuar. Na CDN, por exemplo, há 16 anos as mulheres eram 90% da equipe. Hoje são 62%.
IMPRENSA: Você é vice-presidente da agência, deve comandar muitos profissionais. É mais fácil lidar com eles ou com elas?
Yara Peres: Acho que quando se trata de profissionalismo e respeito, não importa o sexo das interfaces. Mas jamais me sinto comandando alguém. Nas relações de trabalho de hoje em dia, não existem mais comandantes e comandados, existem sim profissionais que dividem experiências e soluções.
IMPRENSA: O mercado de assessoria de imprensa ainda tem muito a crescer no país?
Yara Peres: Nossa! Ele não está nem na puberdade (risos). Não faz muito tempo que as empresas começaram a perceber a importância da comunicação. Foram as empresas americanas, as multinacionais que trouxeram essa cultura de comunicação para cá, e isso ainda tem muito a crescer. Há espaço para quem entende a demanda do mercado.
IMPRENSA: Um assessor de imprensa precisa, necessariamente, ter passado por redações?
Yara Peres: Fazemos o meio de campo. Se ele [assessor] não conhece uma grande redação, não vai poder ajudar o jornalista. Precisamos [as assessorias] de jornalistas que tenham passado tanto por corporações quanto pela imprensa.
IMPRENSA: Qual o pior erro que um assessor de imprensa pode cometer – e que você percebe ser recorrente?
Yara Peres: Não saber ouvir o cliente para saber o que ele realmente precisa. Até porque, muitas vezes, o que ele diz que precisa não é o que de fato precisa. Se você o escuta através de filtros viciados, a partir de certezas pré-concebidas, o diagnóstico das necessidades do cliente será errado e, a partir daí, tudo o que você fizer vai estar errado.






