Jornalistas são proibidos de cobrir referendo na Crimeia
A censura aos meios de comunicação ganhou fortes contornos na Crimeia, território que está no centro da atual disputa entre a Ucrânia e a Rússia.
Atualizado em 13/03/2014 às 15:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Divulgação Jornalistas estão proibidos de cobrir referendo na Crimeia
De acordo com o jornal Público , Elvira Jallal, âncora e repórter de noticiários da TV Mar Negro, e a jornalista Natasha, que não divulgou seu sobrenome, do canal estatal CrimTV, foram surpreendidas quando a transmissão do Rossya 24 tomou a tela de suas emissoras.
“Quando olhei, vi que no display estava um programa do Rossyia 24. O novo governo da Crimeia cortou a nossa transmissão, sem avisar. Simplesmente bloqueou o sinal da antena”, revelou Elvira. A TV Mar Negro seguiu a exibição apenas por cabo e satélite, afetando mais de 50% da audiência.
Ela relatou que Robert Serry, representante do secretário-geral da ONU foi ameaçado e obrigado a se refugiar em um café em Simferopol. Quando ela chegou ao local, não permitiram que ela falasse com ele. “Os grupos de auto-defesa não me deixam fazer nada. Tenho muito medo. Eles agridem os jornalistas, apreendem o material. E está cada vez pior", lamenta.
Quanto ao referendo, as autoridades já alertaram a proibição da cobertura. A repórter contou que os profissionais não poderão filmar nos locais de voto, nem fazer entrevistas. “Eu sei como é o jornalismo na Rússia. Por isso, se a anexação se concretizar, vou tentar encontrar trabalho em outras regiões da Ucrânia, ou na Europa. Tenho muita pena, porque gostava de trabalhar aqui", desabafa.
Já o canal CrimTV foi fechado apenas por um dia pelas milícias russas, que reabriram sob o comando de outro produtor e uma nova linha editorial. “Este canal nunca foi totalmente livre, porque é estatal”, relatou Natasha. “Sempre houve algumas interferências. Mas era possível criticar o Governo”.
A jornalista conta que é obrigada a referir-se ao governo de Kiev como "fascistas" ou "nazis", além de noticiar que eles estão a caminho para atacar os russos da Crimeia, que os militares russos vieram para ajudar e que apenas o referendo levará à anexação, resultando em uma ascensão econômica para o território.





