Jornalistas são feridos e detidos pela Polícia Militar durante ato contra a Copa em SP

A Polícia Militar deteve seis jornalistas - quatro repórteres e dois fotógrafos - que cobriam o protesto contra a Copa do Mundo na tarde do último sábado (22/2), no centro de São Paulo (SP).

Atualizado em 24/02/2014 às 09:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Apesar de apresentarem identificação, os profissionais ficaram enfileirados no chão da calçada da Rua Xavier de Toledo e foram presos com diversos manifestantes.
Crédito:Reprodução/Rede Globo Policiais prenderam seis jornalistas durante o protesto em SP

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo , a jornalista Bárbara Ferreira Santos foi presa e levou um golpe de cassetete de um Policial Militar na cabeça. O repórter fotográfico Evelson de Freitas, também do Estadão , foi atingido por um cassetete na mão. Sérgio Roxo, de O Globo , foi dominado com uma gravata e jogado ao chão. Paulo Toledo Piza, do G1, foi detido. Reynaldo Turollo, da Folha de S.Paulo , foi detido junto com manifestantes de movimentos sociais e agredido após se identificar e começar a filmar, e o fotógrafo do Terra, Bruno Santos, foi ferido na perna e encaminhado a um hospital.
A manifestação começou por volta das 17h20, quando manifestantes mascarados bloquearam a Avenida São Luís, próximo à Praça da República. A PM contava com um efetivo no entorno do local. Pela primeira vez foi utilizado o chamado "batalhão ninja", com aproximadamente 100 oficiais treinados em artes marciais para conter os manifestantes.
Dificuldade em separar manifestantes de jornalistas
O coronel da Polícia Militar, Celso Luiz Pinheiro, comandante do policiamento da região central da capital paulista, considerou satisfatória a operação da equipe. “Houve menos danos na cidade, menos policiais feridos e menos confronto. Isso para nós, em face das últimas manifestações, já é uma grande realização”, disse à Agência Brasil. “O uso de munição química foi quase nulo, não teve nenhum tiro de bala de borracha”, acrescentou.
Ele lamentou as agressões sofridas por jornalistas e pediu desculpas por eventuais ações ou excessos cometidos por PMs. “Em uma manifestação envolvendo o número de pessoas de ontem, fica muito difícil separarmos manifestantes de eventuais jornalistas que lá estejam”, disse. Ele afirmou que o uso de equipamentos por parte dos profissionais como máscaras, capacetes e óculos tornou difícil a distinção entre eles e os black blocs.
Entidades repudiam agressão
Os primeiros profissionais foram libertados por volta das 20h30. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiou a ação. "Não é possível que a polícia paulista continue a praticar a brutalidade que vem praticando", disse Celso Schröder, presidente da entidade. "A polícia não pode decidir o que deve ser divulgado."
"Tentar impedir o trabalho da imprensa é atentar contra o direito da sociedade à informação e, em última análise, contra a democracia", disse o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), José Roberto de Toledo.
Sindicato diz que Governo ofereceu coletes e capacetes
De acordo com O Globo , o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Guto Camargo, disse no último domingo (23/2) que a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo já estava prevendo que aconteceriam problemas envolvendo jornalistas. Emissários da Secretaria telefonaram para ele oferecendo coletes e capacetes para os jornalistas que participariam da manifestação.
Camargo disse que algumas empresas, como O Globo e Folha de S.Paulo já concederam capacetes e máscaras contra bombas de gás disparadas em protestos. "O que sei também é que nem sempre jornalistas gostam de usar", acrescentou. Para ele, o grande problema é a impunidade dos policiais.
O presidente disse que a Secretaria de Segurança precisa estabelecer regras para possibilitar o trabalho dos profissionais de imprensa. Caso contrário, o Brasil terá graves problemas em sua imagem na Copa do Mundo.