Jornalistas russos condenam invasão da Ucrânia e denunciam desinformação estatal
Editor do jornal Novaya Gazeta e ganhador do Prêmio Nobel da Paz no ano passado por sua luta em favor da liberdade de expressão, o jornalista russo Dmitry Muratov anunciou que publicará uma edição em russo e ucraniano como demonstração de solidariedade à Ucrânia e em resposta à invasão do país pelo governo de Vladimir Putin.
Atualizado em 24/02/2022 às 15:02, por
Redação Portal Imprensa.
Laureado com o Nobel da Paz em conjunto com a jornalista filipina Maria Ressa, Muratov disse sentir "peso" e "vergonha" depois que as tropas russas atacaram a Ucrânia nas primeiras horas desta quinta-feira (24). Crédito: Reprodução Euronews Russos protestam em Moscou contra invasão da Ucrânia “Nosso país, por ordem do presidente Putin, iniciou uma guerra com a Ucrânia. E não há ninguém para parar a guerra. Portanto, junto com a dor, nós e eu sentimos vergonha. (...) Mas vamos publicar esta edição da Novaya Gazeta em dois idiomas – ucraniano e russo. Porque não reconhecemos a Ucrânia como inimiga e a língua ucraniana como a língua do inimigo. E nunca vamos admitir isso."
Ainda de acordo com Muratov, somente o movimento antiguerra dos russos pode poupar vidas no conflito.
Desinformação
Muratov é o primeiro russo a ganhar o Nobel da Paz desde 1990, quando o vencedor foi o líder soviético Mikhail Gorbachev – que ajudou a criar o Novaya Gazeta com o dinheiro do prêmio.
Em entrevista à CNN nos EUA, a jornalista russa Ekaterina Krotikadze explicou como a mídia estatal russa vem usando conteúdo desinformativo para manipular a opinião pública no país.
"Antes disso tudo acontecer, houve uma intensa campanha de desinformação, na qual a Ucrânia foi acusada pelo governo Putin de atacar a Rússia e os ucrânianos foram taxados de 'russofóbicos'. Essa tem sido uma palavra bastante usada na mídia estatal, pois não há outra maneira de justificar tal agressão", disse Ekaterina.





