Jornalistas reclamam de insegurança na cobertura da prisão de Lula

Desde quinta-feira, dia 5, foram registrados outros casos de hostilidade em Brasília, São Paulo e em São Bernardo do Campo

Atualizado em 08/04/2018 às 09:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Por Marina Oliveira Colaboração para o Portal IMPRENSA

Ao menos cinco equipes de reportagem foram hostilizadas em frente à superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba na noite de ontem, dia 7. As agressões partiram de militantes contrários à determinação do juiz federal Sergio Moro, que decretou a prisão do ex-presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato. Crédito:Pablo Jacob/Agência O Globo Repórteres da Record, SBT, Rede TV e Band levaram ovadas. Até mesmo uma maçã foi atirada em um dos profissionais. Na chegada do ex-presidente a Curitiba, jornalistas da Band foram atingidos por pedras, mas ninguém ficou ferido.
Mais cedo, uma equipe da RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná, foi forçada a se retirar da frente da sede da PF por conta da ação de manifestantes. Eles se abrigaram em um carro e não voltaram a gravar em frente ao prédio. Uma repórter da BNC Amazonas também foi pressionada e impedida de trabalhar.
Em frente à superintendência da Polícia Federal na Lapa, em São Paulo, onde Lula fez o exame de corpo delito, manifestantes ligaram o flash dos celulares nos rostos dos repórteres e gritaram em seus microfones.
Policiamento Durante a cobertura, as equipes também relataram que havia pouco policiamento no prédio da PF. Durante a tarde, houve um princípio de confusão entre membros pró e contra Lula. Segundo relatos dos jornalistas, a Polícia Militar só chegou após 15 minutos de encerrada a discussão.
Além disso, não havia separação entre as duas partes. Mais próximo do horário da chegada do ex-presidente, o policiamento foi reforçado com um cordão de isolamento. Uma liminar visando “garantir a segurança da população no entorno da Polícia Federal de Curitiba e evitar acontecimentos violentos”, proibiu a passagem de pedestres e veículos não autorizados em frente ao local e, ainda, a montagem de estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade sem prévia autorização municipal.
Com isso, a PM dispersou manifestantes com tiros de bala de borracha e bombas de efeito moral. Uma repórter do jornal Destak, de Brasília, e outra da CBN foram atingidas.
Na sexta-feira, dia 6, o comando da Polícia Militar do Paraná informou que a operação contaria com 300 agentes e que, caso houvesse necessidade, outros 750 policiais seriam acionados. Um atirador de elite também ficou posicionado no topo do prédio da PF durante todo o dia.
Em maio de 2017, durante o depoimento de Lula a Moro na capital paranaense, a Secretaria de Segurança do Estado mobilizou 1.700 homens e armou um esquema reforçado de policiamento, que previa dois perímetros de segurança e isolamento de toda a área do prédio da Justiça Federal. Também houve reforço de helicópteros e três quilômetros de distância entre as concentrações de manifestantes pró e contra o ex-presidente.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) soltou uma nota repudiando os ataques à imprensa. “Abraji vê com preocupação o desrespeito contínuo a jornalistas por parte de diversos setores da sociedade. Com agressões, hostilidades e intimidações a profissionais da comunicação, perdemos todos, com a fragilização de um dos pilares da democracia: a liberdade de expressão”, afirmou.
Outras agressões . Na capital federal, uma equipe do Correio Braziliense foi coagida e teve os vidros do carro quebrados. Uma equipe do SBT também foi cercada e um fotógrafo da Reuters foi ofendido ao deixar o local.
Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde o ex-presidente passou duas noites antes de se apresentar à Polícia Federal, a repórter da Band Sônia Blota foi atingida por ovos. Um carro da Bandnews FM teve os vidros quebrados. Na tarde de sábado, militantes expulsaram uma equipe da Rede Globo e hostilizaram o repórter Roberto Kovalick.