Jornalistas latinos falam sobre liberdade de imprensa em fórum na Alemanha
Jornalistas latinos falam sobre liberdade de imprensa em fórum na Alemanha
Acontece na cidade de Bonn, na Alemanha, o Global Media Forum, encontro que discute a relação entre direitos humanos e os meios da comunicação. Um dos focos do evento é a situação da imprensa em todo o mundo.
Nesta semana, jornalistas da América Latina que participaram do fórum retrataram os desafios da profissão no continente e salientaram os atentados e crimes contra jornalistas.
"Os colombianos acham que o país vai bem. Não sabem o acontece realmente, porque nós, jornalistas, não podemos informar", disse Glória Ortega, representante colombiana no Global Media Forum.
De acordo com informações do site DW-Word, Glória o silencia que Glória se refere diz respeito à autocensura dos jornalistas colombianos que temem por suas vidas. De 1993 a 2005, 118 jornalistas foram assassinados na Colômbia. Dos casos de morte, apenas 12 foram esclarecidos pelas autoridades. No entanto, em nenhum deles o mandante do crime foi revelado.
Na ocasião, foi apresentado um documentário produzido pela associação colombiana Meios para a Paz. Nele, que mostra que são frequentes as ameaças de morte a profissionais no país. Para preservar a vida, é preciso omitir críticas nos artigos publicados, segundo expôs o documentário. "A intimidação dos jornalistas vem de lados distintos: do narcotráfico e do governo", conta Gloria, uma das fundadoras da organização que foi fundada em 1997, reúne 88 profissionais da imprensa, além de três mil associados que se interessam em discutir a prática de um jornalismo responsável em um país que está em conflito armado há mais de três décadas.
"Praticamos a autocensura, quase sem perceber, como forma de evitar a repressão. Podemos até falar de violações dos direitos humanos na Colômbia, mas não podemos falar das mesmas violações contra os jornalistas do país", acrescentou Gloria.
A avaliação de Glória ocorreu durante um painel sobre direitos humanos e dilemas de jornalistas no cotidiano. Participaram do debate jornalistas da Colômbia, Peru e Argentina.
Na Argentina, os profissionais que também estavam interessados em preservar a liberdade de expressão criaram uma cooperativa que divulga informações pela Internet desde 2001. A experiência da criação de La Vaca foi exposta por sua fundadora, Claudia Acunã, durante o painel.
"A nossa intenção é informar as pessoas sobre os fatos na Argentina. Queremos nos isentar de dar opiniões, ao contrário da mídia de massa no país", explicou Claudia.
Já no Peru, segundo o jornalista Ângelo Páez - conhecido por suas reportagens de jornalismo investigativo - a situação também é preocupante.
O jornalista falou de suas experiências durante o Governo de Alberto Fujimori, que fugiu do Peru em meio a acusações de desvio de recursos públicos, de assassinato e de corrupção.
"Fujimori encontrou um meio mais moderno de manter os veículos de comunicação ao seu lado. Em vez de ameaçar os jornalistas, ele comprou todas as opiniões", disse Páez.
Ângelo mostrou documentos e fotos de matérias publicadas no Peru que apontavam as irregularidades do Governo Fujimori. Disse ainda que poucos se atreveram a denunciar os abusos no Poder Executivo. "Quando trazíamos a informação para a redação, éramos descreditados pelos editores".
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