Jornalistas lançam obra sobre o primeiro título brasileiro do Corinthians
A literatura jornalística sobre esportes tem ganhado espaço no Brasil. Nos últimos anos, muitos profissionais de imprensa se dedicaram a contar histórias sobre conquistas, derrotas, ídolos e tantos outros temas a respeito dessa paixão nacional chamada futebol.
Atualizado em 16/12/2013 às 16:12, por
Vanessa Gonçalves.
Nesta segunda-feira (16/12), os jornalistas Ricardo Taves, Diego Salgado e Renato Nalesso lançam "1990 - a raça e o talento do Corinthians conquistaram o Brasil". A obra retrata, 23 anos depois, a conquista do primeiro campeonato Brasileiro do time paulista.
À IMPRENSA, um dos autores, Ricardo Taves, conta como surgiu a ideia do projeto e como foi recontar esta história a seis mãos.
Crédito:Divulgação Ricardo Taves (esquerda), Diego Salgado (meio) e Renato Nalesso (direita) autores da obra
IMPRENSA - Por que um livro sobre o primeiro título brasileiro do Corinthians somente agora, 23 anos depois? RICARDO TAVES - Eu e o Diego [Salgado] começamos a escrever nosso primeiro livro, sobre o bicampeonato mundial, em maio deste ano e aí percebemos que tínhamos uma afinidade para trabalhar juntos.E, daí, resolvemos partir para um segundo projeto, porque o do bi era algo de ocasião, pois o Corinthians tinha acabado de conquistar o título. Quando paramos para pensar sobre o que queríamos escrever, resolvemos que era sobre isso [o título de 1990], que é o 1977 da nossa geração. Conversei com o dono da editora [BB Editora] e procuramos o Neto, ídolo daquela fase, que topou. Não é um livro para comemorar uma data, apesar de que este ano completam-se 23 anos do título e o 23 é um número mais importante para o corintiano que o 25. Nosso jubilei de prata é com 23.
Esssa história será contada a partir da visão do Neto? É meio a meio. O livro começa contando a trajetória do Neto até chegar ao Corinthians e com os comentários dele. Dados de pesquisa, desde as primeiras vezes que jogou bola em Santo Antônio da Posse, passando por Ponte Preta, Guarani, Bangu, São Paulo, Palmeiras até chegar no Corinthians. Depois, falamos sobre a formação do elenco do Corinthians em 1989. Aí contamos todo o retrospecto do time em campeonatos brasileiros até aquele ano, bem detalhado, ano a ano.Depois, dividimos a primeira fase daquela campanha em dois capítulos. Na sequência há capítulos sobre as quartas de final com o Atlético Mineiro, semifinal com o Bahia semifinal, final com o São Paulo e, por fim, um apêndice com todas as fichas técnicas dos jogos da competição.
Crédito:Divulgação Obra relembra título 23 anos depois
Então é um livro bem para o torcedor corintiano? A gente mistura um pouco. Minha parceria com o Diego dá certo porque o meu texto é mais romântico e dele é muito mais estatístico e aí tem o Neto comentando o livro inteiro. Mas nós também entrevistamos um monte de jogadores. Quase todos falaram com a gente. É bem o registro do que aconteceu em 1990 e com histórias inusitadas, que ninguém conhecia.
É seu segundo livro. Tem novos projetos? Sim. Vamos escrever a história do tricampeonato do Ayrton Senna. É chancelado pelo instituto Ayrton Senna e será lançado em maio de 2014. Já está sendo escrito.
A literatura esportiva está crescendo no Brasil. Qual a importância disso? Eu, particularmente, acho fundamental trazermos a história de um passado próximo pelo olhar da minha geração. Temos escritores com mais janela, como Mauro Beting e Celso Unzelte, que conseguem trazer histórias mais antigas. Esse pessoal da minha geração, dos anos 80, 90, tem a obrigação de contar esse passado recente para a molecada de hoje em dia aprender que faz pouco que tudo mudou. Os salários não eram tão altos, o Corinthians, por exemplo, chegou a sair do Parque São Jorge de Kombi para treinar num campo na Dutra e que não tinha vestiário.
E, no caso do Neto, em particular, ele sofre muitas críticas como comentarista e tem muito corintiano de 14, 15 anos, que não enxerga a importância dele para história do clube, porque se baseia nele como comentarista e não tem noção do quanto ele jogava. Ele jogava mais do que muito. O que ele fez em 90 nem tem nome. Foi o jogador mais decisivo em todos os brasileiros, porque o Neto está para o Corinthians em 1990, assim como o Maradona está para a Argentina em 1986. Ele carregou o time.
Acha que escrever livros sobre o time para o qual torce complica ou facilita? Eu tenho os dois lados. Aqui na BB nós produzimos muitos livros e alguns no esquema de ghost writer . Então eu já escrevi livros do Bahia, escrevi textos para o tricampeonato do Flamengo na Copa do Brasil, Botafogo, escrevi sobre o título do Sport contra o Corinthians. Esses livros eu encaro na maior imparcialidade possível, que é o meu lado de jornalista da BB editora. Só que eu sou blogueiro do Corinthians. Então, lá o meu trabalho é torcer. Quando escrevo para o Corinthians sempre escrevo torcendo. Sempre vou ser torcedor. E sempre digo: ‘eu torço, mas não distorço’.
SERVIÇO:
"1990 - a raça e o talento do Corinthians conquistaram o Brasil" - Ricardo Taves, Diego Salgado e Renato Nalesso.
Data: 16 de dezembro
Horário: 19h
Local: Memorial do Corinthians
Endereço: Rua São Jorge, 777 - Tatuapé - São Paulo





