Jornalistas Investigativos são colocados em debate - Por Josimara Aparecida Silva/UNICID - SP
Jornalistas Investigativos são colocados em debate - Por Josimara Aparecida Silva/UNICID - SP
ECA e Rede Globo promovem debate com comunicólogos e estudantes de jornalismo sobre o tema Jornalismo Investigativo.
A Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Rede Globo está promovendo um Curso de especialização em telejornalismo. Dia 13 de agosto no Museu de Arte Contemporânea (MAC) - Parque do Ibirapuera, houve um debate sobre Jornalismo Investigativo. Estavam presentes para discutir sobre o assunto o professor da ECA, José Luís Proença, Eduardo Faustini, repórter do Fantástico, Chico Otávio, repórter do Jornal O Globo, Caco Barcelos, correspondente internacional da Rede Globo que agora voltou a atuar em rede nacional e como mediador César Tralli, repórter da Rede Globo. A maior parte do público eram estudantes de jornalismo.
Chico Otávio abriu a discussão exaltando alguns pontos sobre falhas da imprensa ao fazer a cobertura da crise política. Ele afirma que os jornalistas encontram dificuldades internas e externas nos veículos de comunicação como, por exemplo, a falta de tempo do editor para discutir as pautas, pequenos orçamentos das redações, poucos repórteres, dificuldade do jornalista ter acesso a informação pública e a Indústria do Dano Moral, que tem o objetivo inibir o repórter e o veículo de comunicação.
Eduardo Faustini se dedica a fazer um trabalho sobre o desvio do dinheiro público, e por esse motivo justifica o uso de micro-câmeras para apuração dos acontecimentos de interesse público. Durante o seminário, Faustini apresentou um vídeo sobre abuso sexual de um ortopedista com as pacientes. Para provar isso uma jornalista se fingiu de paciente e foi a consulta. Nas imagens constam o mesmo que as vítimas anteriores se queixavam (assédio sexual). Levou esse vídeo à diversos médicos, inclusive a diretoria do hospital. Todos disseram que se esse ato for mesmo provado como assédio, o médico poderá ser processado e pegar pena, que nesse caso pode variar até 10 anos.
Caco Barcellos, o mais aplaudido durante o evento, destacou que a imprensa é responsável pela ausência das reportagens nos morros cariocas ou em qualquer outra favela. Ele fala que "a cobertura é feita com a metralhadora do Estado", ou seja, com o acompanhamento da Polícia Militar (PM). Citou o caso Tim Lopes, que ousou subir nos morros sem nenhum acordo com os "donos das bocas" e sem proteção da PM. Caco, que já fez esse tipo de reportagem disse que se "souber levar", consegue-se uma boa matéria e como conseqüência pode dar um grande furo. Em suas reportagens foi bem aceito, porque ia com intuito de mostrar como é o dia a dia das pessoas que vivem nas favelas e não somente fazer denúncias. Chico
Otávio interrompeu-o e disse que o Jornal O Globo proibiu os jornalistas de fazerem matéria nesses morros e Caco disse: "Se essa regra se estendeu também a Rede Globo, eu não aceito e vou continuar meu trabalho". José Luiz Proença se expressava sempre de forma acadêmica. Defendia que o jornalista investigativo não se produz, conquista-se, ele diz: "Jornalismo investigativo é uma causa pessoal, tem que fazer com gosto e envolver a redação na produção das matérias".
O debate durou em média 4 horas e conseguiu manter o auditório cheio, pois, nem todas as perguntas elaboradas pelos participantes, puderam ser respondidas. César Tralli, que estava fazendo a triagem das perguntas explicou que o tempo ficou curto para um tema tão debatido. Para que o público não ficasse sem resposta, Tralli, lia as perguntas em bloco para que pudesse contemplar o maior número possível de respostas. 





