Jornalistas estão impedidos de acessar "sites polêmicos" em Pequim

Jornalistas estão impedidos de acessar "sites polêmicos" em Pequim

Atualizado em 31/07/2008 às 13:07, por Redação Portal IMPRENSA.

O chefe de imprensa do Comitê Olímpico, Kevan Gosper, afirmou, na última quarta-feira (30), ter fechado um acordo com a China para impedir que jornalistas acessem sites considerados polêmicos durante a Olimpíada de Pequim.

"Eu devo comunicar agora que algumas das autoridades do COI negociaram com os chineses o fato de que certos sites polêmicos seriam bloqueados com base no argumento de que não teriam relação com os Jogos", afirmou o australiano Gosper à agência de notícias Reuters.

Em declarações anteriores Gosper havia dito que o acesso à internet pelos 21.500 jornalistas credenciados para cobrir o evento seria "livre". Para ele, a proibição deveria ter sido avisada antes. "Eu lamento agora o fato de o Bocog (comitê organizador do evento) ter anunciado que imporá limitações quanto ao acesso à internet e, apesar de compreender que as questões polêmicas sem relação com os Jogos continuam a ser da alçada dos chineses, acredito que o Bocog e o COI deveriam ter, anteriormente, divulgado uma mensagem mais clara aos meios de comunicação internacionais a respeito do tipo de acesso à internet".

O país sede das Olimpíadas disse que dará aos meios de comunicação a mesma liberdade de cobertura que deu em edições anteriores, quando deixou de controlar com tanta intensidade os jornalistas estrangeiros presentes em seu território; mesmo com mais abertura, o controle ainda deixou insatisfeitos profissionais que não conseguiam acessar, por exemplo, o site da Anistia Internacional - que divulgou, na última segunda-feira (28), um relatório criticando a China por não cumprir suas promessas de respeito aos direitos humanos durante os Jogos Olímpicos.

A seita espiritual Falun Gong, banida na China, motivou a proibição de outras páginas virtuais que abordam o assunto. "Eu gostaria de lembrar-lhes que o Falun Gong é uma religião falsa e maligna já banida pelo governo chinês", afirmou o Bocog.

O órgão chinês alega que os jornalistas não terão o trabalho comprometido pela censura. "Vamos nos esforçar ao máximo para permitir que os jornalistas estrangeiros realizem seu trabalho de reportagem por meio da Internet", afirmou em uma entrevista coletiva Sun Weide, porta-voz do Bocog.

Enquanto isso, jornalistas estrangeiros, que estão no país asiático, seguem reclamando de pressões feitas por autoridades. O grupo Human Rights Watch divulgou um relatório no começo desta semana acusando a China de não cumprir suas obrigações.

O chefe do Ministério para Imprensa e Publicações da China, Liu Binjie, declarou à agência de notícias Xinhua, na quarta-feira (23), que tais críticas retratavam o país com "estereótipos construídos a partir de boatos e por meio de uma mentalidade preconceituosa, ignorando a realidade dos fatos".

Com informações da Reuters

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