Jornalistas espanhóis reclamam de dificuldades para cobrir eleições do país

Jornalistas espanhóis reclamam de dificuldades para cobrir eleições do país

Atualizado em 05/03/2008 às 15:03, por Redação Portal IMPRENSA.

"Pedimos aos partidos políticos espanhóis que respeitem a liberdade de imprensa e deixem de impor condições que limitam a capacidade dos jornalistas para apurar, elaborar e difundir informação de forma independente. Os profissionais de imprensa não devem ser reduzidos a simples auxiliares, e a informação não pode equiparar-se com a comunicação política", declarou nesta quarta-feira (05) a organização Repórteres sem Fronteiras.

Acesso limitado aos candidatos, proibição de gravar as intervenções durante os discursos, debates regrados e cronometrados, coletivas de imprensa sem perguntas: é muito grande a lista de queixas apresentadas pela imprensa em relação aos limites impostos à cobertura da campanha das eleições legislativas espanholas de 9 de março.

Várias associações espanholas de jornalistas têm denunciado uma violação da liberdade de informar e, em particular, o controle exercido pelos grandes partidos políticos na cobertura midiática de suas atividades. "Somos marionetes", declarou, ao jornal El País , uma jornalista que cobre um desses partidos.

A Federação espanhola de Sindicatos de Jornalistas (FeSP) exigiu, no final de fevereiro, o fim desse "vergonhoso espetáculo", que transforma as campanhas em um produto de marketing, e faz dos jornalistas simples fontes de transmissão de interesses, e recordou aos políticos que a informação é um direito cidadão e que os jornalistas são os mediadores necessários entre a informação e a sociedade.

A Federação também fez um pedido aos candidatos, pedindo respeito às regras do jogo democrático, em particular em suas relações com os meios de comunicação e os jornalistas.

Os políticos asseguram que oferecem às televisões gravações íntegras das intervenções dos candidatos, "de forma que os meios possam selecionar as passagens que desejam". Os partidos justificam essas decisões com uma preocupação econômica (para os operadores este sistema representa uma substancial redução de custos) e logística (seria muito complicado instalar uma dezena de câmeras).

Alguns meios se negaram a participar desse jogo. Os jornalistas da televisão pública TV-3 decidiram não falar dos debates que não puderam assistir. A Associação de Imprensa de Madri (APM)
divulgou uma recomendação aos partidos, em que exige a livre entrada de câmeras de televisão em todos os discursos de José Luis Rodríguez Zapatero e Mariano Rajoy, e liberdade para gravar as intervenções dos candidatos.

Segundo a FeSP, o problema reside no fato que a Espanha não possui nenhuma lei que estabeleça o papel dos meios públicos de comunicação durante a campanha eleitoral. "No momento atual, estes programas eleitorais são espaços a serviço dos partidos políticos, e não a serviço da opinião pública", declarou a FeSP.