Jornalistas elegem os gadgets mais cobiçados em período de lançamentos tecnológicos

Tão fundamentais como os antigos bloquinhos e canetas, os aparelhos eletrônicos facilitam o trabalho e encantam os profissionais de comunicação "Sempre olho o Twitter antes de dormir - aquela coisa de estar on-line o tempo todo.

Atualizado em 05/12/2011 às 11:12, por Pamela Forti*.

ção

"Sempre olho o Twitter antes de dormir - aquela coisa de estar on-line o tempo todo. E um dia, de madrugada, vi uma notícia, escrevi e já publiquei. Era sobre a compra da Telefonica, e o IDGNow deu em primeira mão", descreve Renato Rodrigues, editor do site. Além de cobrir o setor de tecnologia para o veículo no qual trabalha, Rodrigues é um aficcionado pelo assunto. Graças à mania de manter-se "up-to-date" com os acontecimentos e com as novas tecnologias, o furo acima descrito concretizou-se com facilidade. Em época de internet e conexão banda larga, rapidez é essencial. E as novas tecnologias são grandes parceiras nesse processo.

Para além dos modismos, os aparelhos tecnológicos que se adequam perfeitamente à rotina de quase todos e são ainda mais úteis para um grupo em especial: os jornalistas. Popularmente conhecidos como gadgets, esses aparelhinhos se tornaram, para os profissionais da imprensa, não apenas companheiros das horas vagas, mas ferramentas de trabalho que costumam dar aquela mãozinha nos momentos mais cruciais. Smartphones, tablets, notebooks, netbooks: todos podem fazer a diferença na hora de desenvolver uma pauta. "Fora o tempo em que você está dormindo, o resto você está on-line, por meio de smartphones, tablets etc. Isso mudou muito nos últimos anos, essa proatividade praticamente o tempo todo", diz Rodrigues. Afinal, para que desligar? Para que desconectar? Coisa de jornalista.

A tecnologia já faz parte do cotidiano de quase todos os cidadãos - e, claro, de todas as redações. No período de 24 a 30 de outubro, nos três maiores jornais do país - O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo - o tema esteve presente quase que diariamente em diversas editorias. Além dos cadernos especiais, que semanalmente mergulham nesse universo, as notícias sobre o tema surgiram nas editorias de economia, ciência, cidades, cultura, empregos e até mesmo na de esportes.

A cultura da tecnologia já está duplamente instalada na rotina da imprensa, influenciando no complexo processo do "fazer jornalístico" e gerando novas pautas, ideias e novas rotinas de trabalho. "Cada vez que um novo gadget tecnológico é lançado, as editoras aproveitam o momento para lançar publicações especiais dedicadas a essa inovação. Com o aumento do poder aquisi-tivo da classe C e a inclusão digital, também existe uma demanda para publicações que ensinem o 'bê-á-bá' dos computadores", pontua Roberto Muylaert, presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner).

Produção e consumo
A diferença que as engenhocas tecnológicas fazem na vida de um jornalista é visível, tanto que a Associação Mundial de Jornais e dos Publicadores de Notícias (World Association of Newspapers and News Publishers - WANIFRA) e a Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, desenvolveram, sob a tutela do professor Kerry Northrup, a Newsplex - um modelo de redação de alta tecnologia. O projeto foi implantado primeiramente em 2002 numa tentativa de reproduzir o ambiente das redações no futuro. Centenas de jornalistas já receberam treinamento no conceito multimídia e difundem a ideia por todo o mundo. Fato é que a Newsplex começa a se tornar verdade antes mesmo do previsto.

Em uma cobertura de emergência, não são raros os repórteres que já sacaram a câmera digital caseira, fizeram gravações com os próprios celulares e carregaram seus notebooks, por pura conveniência. Nem mesmo o cinto do Batman agregaria tantas funções. "Viajei na semana passada com uma câmera grande, daquelas profissionais, e toda hora que apontava a câmera alguém falava: 'Não pode gravar aqui'. Só consegui gravar imagens com o celular. Se eu sacava a câmera profissional, todos os seguranças já vinham em cima. Mas, com um smartphone equipado com uma lente superboa, consegui driblar os vigias e gravar vídeos em HD que puderam ser usados até mesmo no programa de TV, sem que as pessoas percebessem a diferença de qualidade", conta Igor Lopes, editor-chefe do site "Olhar Digital".

A miniaturização e a portabilidade são importantes aliados dos jornalistas. A imagem do profissional sempre atrapalhado com bloquinho numa mão, caneta na outra, câmera e gravador em punho mudou significativamente e a "convergência" das ferramentas certamente é bem-vinda.

Apesar de ser a febre do momento, o tablet (categoria na qual o iPad é o mais significativo representante) pode não ser o aparelho mais adequado para quem precisa produzir conteúdo com praticidade. Para Bia Kunze, autora do blog "Garota Sem Fio", há opções melhores.

"Em vez de um tablet, no meu dia a dia, eu prefiro uma categoria denominada ultrabook, representada pelo MacBook Air, que é pequeno, extremamente fino, cabe na minha bolsa, e tem uma tela grande, um teclado completo, confortável, já que eu vou escrever bastante. O tablet, embora tenha teclado e permita que você escreva, ainda não dá a agilidade de um teclado convencional".

Embora possam acoplar teclados convencionais, a portabilidade - que é a grande sacada deste tipo de gadget - fica comprometida. Por outro lado, os tablets são excelentes para consumir conteúdo, já que a tela foi projetada especialmente para tornar mais agradável o ato de ler livros, jornais e revistas de forma digital.

As mudanças no cotidiano dos profissionais da imprensa são notórias. As redações tornaram-se mais enxutas à medida que um mesmo profissional pode estar in loco, apurar, escrever quase que simultaneamente enviar a matéria minutos depois pelo seu laptop e dirigir-se a outro evento tranquilamente. "A apuração primária, falar com as pessoas envolvidas na pauta e checar diretamente os dados com a fonte continua essencial. A internet é maravilhosa, um recurso importantíssimo, mas complementar. Ela serve para o jornalista captar tendências, localizar personagens, pesquisar e obter dados para enriquecer a pauta. Desktops, notebooks, tablets e smartphones usados como dispositivo de acesso à web são ferramentas obrigatórias", destaca Airton Lopes, editor de Tecnologia pessoal da revista INFO.

Soluções em pauta
Aos olhos dos profissionais de imprensa, os brinquedinhos eletrônicos são úteis e fascinantes. Essa correlação começa a ser compreendida pelas marcas líderes de mercado. "Já fizemos uma parceria com a Reuters, em que disponibilizamos para os jornalistas um aparelho [celular] e um teclado que funciona por Bluetooth. Então, os jornalistas de campo não precisavam levar um netbook ou um note, eles usavam esse celular com o teclado externo", exemplifica Jô Elias, diretora de Comunicação da Nokia Brasil.

Uma parceria semelhante foi feita com a Band, na qual a Nokia disponibilizou dez aparelhos multimídia com câmera de alta definição, para que os repórteres pudessem gravar vídeos com agilidade. "É interessante porque o jornalista é um formador de opinião e para a gente, como marca, é muito importante levar esses recursos que facilitam o trabalho de maneira profissional. É muito positivo", conclui Jô. A fabricante de câmeras fotográficas Nikon já identifica maior procura de seus produtos por repórteres de texto, que começam a se aventurar no universo multimídia. Pensando nisso, a empresa instalou um serviço de urgência, perfeito para fotojornalistas, que contam com prioridade na assistência técnica e possibilidade de empréstimo de equipamentos de ponta para uso em campo. Haverá postos de serviço exclusivos para o atendimento de fotógrafos profissionais em grandes eventos, como o GP Brasil de Fórmula 1, como informou Joel Garbi, gerente geral de marketing e vendas da Nikon do Brasil.

Com a proximidade do Natal e do fim de ano, muitas são as apostas sobre quais serão as novidades - e os presentes - mais desejados nas redações para acompanhar o repórter de 2012. "Diversos jornalistas nos procuram para dar um feedback positivo sobre seus smartphones", diz João Stricker, responsável pela comunicação da Blackberry no Brasil. Para ele, o Playbook, um dos primeiros investimentos da marca na categoria tablet, deve chamar a atenção desses profissionais (veja outros aparelhos no Box da pág. 46). Que venham, em 2012, as novas pautas e os novos gadgets

*Com Jéssica Oliveira e Nathália Carvalho

Matéria publicada na edição de dezembro (274) da Revista IMPRENSA