Jornalistas do Intercept são intimidados a depor a pedido da Igreja Universal
Jornalistas do The Intercept Brasil foram intimados a depor na Polícia Civil de São Paulo, no âmbito de uma investigação movida a pedido da
Atualizado em 10/05/2023 às 10:05, por
Redação Portal IMPRENSA.
Igreja Universal, de Edir Macedo.
O caso ocorreu após a publicação de uma reportagem sobre documentos que indicariam possível operação de lavagem de dinheiro pela cúpula da instituição religiosa. Ainda segundo a matéria, em cinco anos o esquema teria movimentado mais de 33 bilhões de reais. Crédito: Reprodução The Intercept Brasil Segundo texto publicado no Intercept e assinado pela jornalista Tatiana Dias, o Ministério Público de São Paulo acatou pedido dos advogados da Universal para que a polícia investigue o veículo, a fim de descobrir quem forneceu os documentos usados na reportagem. "Isso vai contra nosso direito constitucional de manter o sigilo das fontes", protestou Tatiana.
Ainda de acordo com a jornalista, durante o depoimento ela e o repórter Gilberto Nascimento mantiveram-se em silêncio diante do delegado.
Direito constitucional
"O simples fato de que essa investigação esteja ocorrendo já é preocupante, mas obrigar jornalistas a depor é totalmente ultrajante. É uma intimidação e uma clara afronta ao nosso direito constitucional à liberdade de imprensa e à proteção da fonte."
A reportagem que levou à investigação foi publicada em 2022 e destacou uma investigação do próprio Ministério Público de São Paulo sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro pela Universal.
Na ação judicial, os advogados da igreja pediram a abertura de uma investigação policial alegando divulgação sem justa causa e quebra de sigilo.
Em texto publicado em fevereiro deste ano, Flávio VM Costa, editor-chefe do Intercept, afirmou que, antes da publicação da reportagem, a equipe do veículo "esmiuçou transações bancárias entre as mais de 100 empresas que compõem o império econômico de Edir Macedo".
"Mostramos como funciona a arquitetura financeira secreta da Universal, e não será um processo que irá nos impedir de continuar nossas investigações sobre o tema."
Flávio também lembrou que a Universal tem um histórico de ações contra jornalistas por todo Brasil. Um dos casos mais recentes é o do escritor J.P. Cuenca, que chegou a responder a 144 processos movidos por pastores da igreja, por ter publicado, em junho de 2020, em seu perfil no Twitter, que "o brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal".
A postagem era alusiva a uma citação atribuída ao escritor do século 18 Jean Meslier, segundo a qual "o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre".
Espalhadas pelo país, as ações judiciais contra Cuenca somam mais de R$ 2,4 milhões em pedidos de indenizações.
O uso do Judiciário para intimidar Cuenca, numa suposta ação coordenada, é investigado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF do Rio.
O caso ocorreu após a publicação de uma reportagem sobre documentos que indicariam possível operação de lavagem de dinheiro pela cúpula da instituição religiosa. Ainda segundo a matéria, em cinco anos o esquema teria movimentado mais de 33 bilhões de reais. Crédito: Reprodução The Intercept Brasil Segundo texto publicado no Intercept e assinado pela jornalista Tatiana Dias, o Ministério Público de São Paulo acatou pedido dos advogados da Universal para que a polícia investigue o veículo, a fim de descobrir quem forneceu os documentos usados na reportagem. "Isso vai contra nosso direito constitucional de manter o sigilo das fontes", protestou Tatiana.
Ainda de acordo com a jornalista, durante o depoimento ela e o repórter Gilberto Nascimento mantiveram-se em silêncio diante do delegado.
Direito constitucional
"O simples fato de que essa investigação esteja ocorrendo já é preocupante, mas obrigar jornalistas a depor é totalmente ultrajante. É uma intimidação e uma clara afronta ao nosso direito constitucional à liberdade de imprensa e à proteção da fonte."
A reportagem que levou à investigação foi publicada em 2022 e destacou uma investigação do próprio Ministério Público de São Paulo sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro pela Universal.
Na ação judicial, os advogados da igreja pediram a abertura de uma investigação policial alegando divulgação sem justa causa e quebra de sigilo.
Em texto publicado em fevereiro deste ano, Flávio VM Costa, editor-chefe do Intercept, afirmou que, antes da publicação da reportagem, a equipe do veículo "esmiuçou transações bancárias entre as mais de 100 empresas que compõem o império econômico de Edir Macedo".
"Mostramos como funciona a arquitetura financeira secreta da Universal, e não será um processo que irá nos impedir de continuar nossas investigações sobre o tema."
Flávio também lembrou que a Universal tem um histórico de ações contra jornalistas por todo Brasil. Um dos casos mais recentes é o do escritor J.P. Cuenca, que chegou a responder a 144 processos movidos por pastores da igreja, por ter publicado, em junho de 2020, em seu perfil no Twitter, que "o brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal".
A postagem era alusiva a uma citação atribuída ao escritor do século 18 Jean Meslier, segundo a qual "o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre".
Espalhadas pelo país, as ações judiciais contra Cuenca somam mais de R$ 2,4 milhões em pedidos de indenizações.
O uso do Judiciário para intimidar Cuenca, numa suposta ação coordenada, é investigado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF do Rio.





