Jornalistas do "Estadão" e Rede TV! falam sobre os desafios na cobertura da JMJ

O papa Francisco desembarcou em solo brasileiro na última segunda-feira (22/07), mas a cobertura de sua vinda ao país ganhou espaço no noticiário há pelo menos duas semanas.

Atualizado em 23/07/2013 às 14:07, por Danubia Guimarães.

Para acompanhar a estadia do sumo pontífice em São Paulo e Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), cerca de cinco mil jornalistas de todo o mundo foram credenciados, entre eles, alguns que vieram no próprio avião papal.
A Rede Globo, que lidera o pool de emissoras responsáveis pela captação e distribuição de imagens do evento, credenciou mil profissionais para a cobertura, dos quais Ilze Scamparini, correspondente em Roma, integrou a comitiva papal. Já a Band foi representada pelo repórter Marcio Campos e o cinegrafista André Zorato. Pela Rede TV!, contou com a participação da jornalista Patrícia Zorzan, correspondente do canal na capital italiana.

Crédito:Wayne Camargo/ Rede TV! O benefício de estar no mesmo voo que o Papa, no entanto, não tornou a cobertura mais simples, confidencia Patrícia. Há pouco menos de dois meses na função, a jornalista conta que foram diversas exigências vindas do Vaticano, mas o desafio maior será trazer enfoques diferentes sobre o tema. “Acho que o maior desafio será cobrir a viagem de uma forma interessante para brasileiros de todas as religiões. E, também, buscar pautas e enfoques inovadores, já que este é o terceiro papa que visita o Brasil”.

A fim de estudar os movimentos do novo representante da Santa Sé, Patrícia conta que tem acompanhado de perto as movimentações desde a Itália, e que o cargo de correspondente foi criado em maio justamente para atender essa necessidade. “A ideia é acompanhar o dia-a-dia do primeiro papa latino americano. Como neste momento, o fuso de Roma está cinco horas adiantado em relação ao Brasil, quando a redação começa a trabalhar, já estou informada sobre os assuntos mais importantes”.

Entre os impressos, os desafios são semelhantes. Marcelo Beraba, diretor da sucursal de O Estado de S. Paulo no Rio de Janeiro, conta que a preparação do jornal para a cobertura se intensificou a partir da renúncia do papa Bento XVI, em fevereiro deste ano. “A gente já vinha se preparando para a vinda de Joseph Ratzinger, que teria uma agenda bastante limitada devido aos seus problemas de saúde, de idade e tudo mais. Isso mudou completamente”, confidencia.

Com o anúncio do então cardeal de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio como novo papa, a estratégia para a cobertura sofreu algumas mudanças. “A disposição física do papa Francisco é bem diferente. Isso fez com que aumentasse sua agenda, o que nos exigiu uma nova postura, e evidentemente, nos exigiu também entender melhor quem é ele”.

Ainda sobre os desafios da cobertura, Beraba explica que os meios de comunicação sofrerão certa restrição para se aproximar do pontífice, mas ainda assim, o veículo tem buscado trazer informações em diversas plataformas. “Há eventos fechados e protocolares em que o papa estará com autoridades como a presidente Dilma, e com outros chefes de estado, como com a presidente argentina Cristina Kirchner. Para cada tipo de evento haverá regras muito rígidas de cobertura. Será um desafio muito grande”.