Jornalistas do Correio Popular completam 156 dias de greve
A greve dos jornalistas do Correio Popular, da Rede Anhanguera de Comunicação de Campinas (SP), completa 156 dias nesta sexta-feira (20), se
Funcionários estão sem receber 13º, FGTS e há salários atrasados
m perspectiva de acabar. O Sindicato dos Jornalistas do Estado de S. Paulo fala que a empresa vem atrasando o pagamento de salários, benefícios como 13º salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e férias, desde o final de 2015. A empresa reconhece que há atrasos, mas desde fevereiro de 2016, e afirma que nunca houve atraso consecutivo do salário por mais de um mês.
Crédito:Sindicato dos Jornalistas Jornalistas em frente ao TRT-15, após audiência realizada em maio, que pede o pagamento das dívidas
Uma fonte interna da redação do Correio Popular contou que atualmente 18 jornalistas estão em greve. Inicialmente, 21 profissionais aderiram à paralisação, mas dois retornaram ao trabalho e um arrumou outro emprego. O diretor de recursos humanos da empresa, Sérgio Roberto, confirmou que são 18 jornalistas paralisados, dos 60 que compõem a redação. Atualmente o Correio Popular conta com 240 funcionários no total.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Paulo Zocchi, afirmou o seguinte: “O sindicato trabalha com o seguinte dado: depois de quase dois anos de atrasos, os jornalistas decidiram uma greve em assembleia. Ela atingiu boa parte da redação, obviamente, não temos o controle sobre o número de funcionários contratados da empresa, que está em greve há cinco meses.”
A fonte do Correio Popular contou que atualmente contabiliza-se o atraso de pagamento de três salários e uma semana. “É a somatória de todos os atrasados desde fevereiro de 2016, não dos últimos meses. ”
A mesma fonte disse que desde o ano passado, o pagamento dos funcionários passou a ser feito semanalmente, respeitando um acordo com o sindicato. “Há semanas que recebemos todo o salário corretamente, em outras não recebemos, mas a empresa paga em dobro na semana seguinte. Já houve, também, situações de pagarem apenas metade da semana anterior, junto com semana atual, mas nunca passamos um mês sem salário”, contou a fonte.
Zocchi, confirmou que o atraso de salários foi gradativo, nos últimos dois anos, até chegar ao ponto atual, de mais de três meses. No entanto, ele disse que “a própria obrigação legal da empresa, de pagar duas vezes por mês, foi sendo sistematicamente desrespeitada, por pagamentos picados, às vezes e em diversas vezes por mês. Na verdade, criou-se uma situação de incerteza e tensão constante, pois os pagamentos passaram a ser em quaisquer datas, sempre com atraso crescente. ”
Já os jornalistas que estão em greve, não estão recebendo seus salários desde o início da paralisação. “Isso está sendo discutido na justiça. Vamos aguardar a decisão”, afirmou Roberto. O presidente do sindicato discordou: “A justiça determinou o pagamento dos dias parados. Já são cinco meses...”
Tanto a direção do Correio quanto a do sindicato concordam que o pagamento do FGTS, 13º salário, férias e outros benefícios estão atrasados. O diretor de RH disse que a empresa está tentando negociar o parcelamento do pagamento do FGTS com a Caixa Econômica Federal, mas ainda não tem uma confirmação se a proposta será aceita ou não.
“Queremos regularizar a situação, mas o mercado editorial não está reagindo, o que vem complicando a situação. Além disso, estamos tentando levantar recursos com instituições financeiras para quitar as dívidas, mas a ação movida pelo sindicato bloqueia essas negociações. Já pedimos para o sindicato suspender a ação para ganharmos fôlego, mas não fomos atendidos.”
A paralisação foi considerada legítima, por unanimidade, pelo Tribunal Regional da 15ª Regional (TRT15-Campinas), em julgamento no último dia 9 de maio, que também determinou o pagamento da dívida pela empresa. Quando terminou o prazo para quitação dos débitos com os grevistas, em 24 de maio, em vez de cumprir a decisão judicial, a empresa solicitou, segundo o sindicato, embargos de declaração, instrumento jurídico no qual a rede pede esclarecimentos sobre a sentença, “o que fez com que, na prática, a empresa ganhasse tempo para protelar os pagamentos”, explicou Zocchi.
“Após dois anos de paciência e diversas tentativas de acordos para normalizar a situação, sempre malogrados, decidimos entrar em greve. A empresa não quis negociar garantias para acertar os atrasados. A justiça reconheceu integralmente a justeza de nossa greve, determinou o pagamento dos dias parados e que a empresa acerte os atrasados em cinco dias, o prazo vale após a publicação do acórdão. Os donos têm patrimônio, mas pretendem financiar as dificuldades da empresa com os salários de quem depende deles para viver. Como a justiça decidiu, a decisão tem de ser respeitada. ”
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