Jornalistas deveriam se interessar mais pela entidade, diz presidente do Sindjor/MS
Jornalistas deveriam se interessar mais pela entidade, diz presidente do Sindjor/MS
Nesta segunda-feira (29), o Portal IMPRENSA conversou com Clayton Sales, 33, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul. Sales está no movimento sindical há nove anos e desde 2005 ocupa a presidência da entidade. Reeleito em julho de 2007, tem mais três anos de mandato. Formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o jornalista focou sua carreira no radiojornalismo, iniciando-se na Rádio Alternativa e passando a trabalhar na FM Educativa/Regional, onde permaneceu por onze anos. Atualmente é editor de jornalismo, âncora, repórter e produtor da rádio Uniderp FM, emissora ligada à universidade em que leciona desde 2001.
O Estado do Mato Grosso do Sul possui cerca de 800 jornalistas profissionais atuando no mercado, sendo que somente 250 são associados ao Sindicato. De acordo com Sales, não há piso salarial no Estado, já que não existem meios legais para estabelecer uma Convenção Coletiva de Trabalho. "Isso ocorre porque o MS não possui um sindicato patronal, que represente as empresas contratantes de jornalistas", declara. O Sindjor/MS, que abrange 54 municípios, e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Grande Dourados (SINJORGRAN), atuante nas 24 cidades da região Sul do Estado, representam apenas as entidades trabalhistas.
O presidente acredita que o maior desafio da categoria é resgatar a auto-estima do jornalista do MS e fazer com que ele se orgulhe de ser um profissional de jornalismo, desempenhando seu trabalho com maior motivação. "Penso que isso é o ponto de partida para os demais obstáculos que se postam a nossa frente, como a luta por melhores condições de trabalho, o que inclui salários mais justos, além de benefícios e garantias, assim como uma integração maior enquanto categoria", afirma.
Sendo assim, Sales acredita que deve haver uma fiscalização mais efetiva por parte da Delegacia Regional do Trabalho, já que existe um quadro de irregularidade muito grande no Estado, principalmente nas cidades do interior. "Precisamos fazer uma interiorização de nossas ações sindicais, além de fazer um trabalho de conscientização junto aos estudantes de jornalismo e, para isso, contamos com uma parceria fundamental das coordenações de curso. Somos uma entidade que possui o título de Utilidade Pública Estadual, logo, temos que usar esse mecanismo para reverter em benefícios a nossa classe", declara.
Ao contrário do que acontece na maior parte do Brasil, em MS não são os profissionais de jornalismo os encarregados de procurar o sindicato para dialogar sobre acordo coletivo. Clayton Sales declara que as direções ou assessorias jurídicas das empresas tomam essa iniciativa e, dessa forma, o Sindicato entra em contato com os jornalistas, que acabam endossando o propósito dos empregadores. "Penso que isso é uma situação que deveria mudar, pois, apesar das empresas darem uma certa contribuição ao nosso trabalho, são os funcionários que devem procurar o sindicato e manifestar interesse de que a entidade assuma as negociações de acordo coletivo, como determina a CLT. Por isso, vamos organizar um seminário para esclarecer essas questões, um evento em que o tema será focado nos procedimentos para ACT".
Sales acredita não haver muitos jornalistas atuando como pessoa jurídica no Mato Grosso do Sul. "Esse movimento de 'pejotizar' os jornalistas ainda considero tímido no Estado, mas há um interesse crescente por informações sobre esse procedimento, ainda que esse crescimento seja modesto. Por isso mesmo, estamos atentos e esclarecendo as reais implicações nocivas dessa artimanha dos empregadores", inaliza.






