Jornalistas debatem sobre o uso da tecnologia como ferramenta para busca de pauta

O painel contou com a participação de Luiz Octavio de Lima (MuCo- Museu da Corrupção), Laura Bonilla (AFP), Pedro Doria (O

Atualizado em 17/11/2014 às 15:11, por Gabriela Ferigato.

Durante o painel de abertura da 3ª edição do mídia.JOR, realizado por IMPRENSA nesta segunda e terça-feira (17 e 18/11), em São Paulo, jornalistas debateram a tecnologia como ferramenta para busca de pautas.
Crédito:Danubia Paraizo Jornalistas debatem sobre o uso da tecnologia como ferramenta para busca de pauta

O painel contou com a participação de Luiz Octavio de Lima (MuCo - Museu da Corrupção), Laura Bonilla (Agence France-Presse), Pedro Doria ( O Globo ) e Wharrysson Lacerda (Olhar Digital).

De acordo com o jornalista Pedro Doria, editor-executivo de O Globo , é necessário separar o “joio do trigo” no uso da internet e captar o que realmente é importante para a reportagem. “Precisamos sair um pouco de certo amadorismo, que ainda dita regras de como a imprensa usa a internet”, diz Doria.

Segundo ele, um forte exemplo de como a internet se mostrou importante em 2014 foi a morte do então candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB). Como a redação de O Globo chega cedo à redação, todos estavam por lá quando o acidente aéreo aconteceu em Santos (SP).

“Até onde sabíamos era um acidente mais ou menos corriqueiro. Não tinha nenhuma informação concreta. Mas aí a solução apareceu por meio da internet. Vimos que, por meio das páginas oficiais do Twitter e Facebook da campanha do político, perguntavam onde Campos estava, porque ele era esperado no Guarujá e não havia chegado”, afirma.

A primeira manchete de O Globo foi “Campanha preocupada com desaparecimento de Eduardo Campos”. De acordo com Doria, essa foi a maneira que o veículo encontrou de avisar a população que algo muito grande poderia ter acontecido na campanha.

“É preciso dominar mais o computador. Não tenho dúvidas que o futuro do jornalismo, dos grandes furos e dos grandes prêmios partem desse novo tipo de ferramenta. Que é um banco de dados em prol do jornalismo”, completa.

Segundo Laura, da AFP, para a equipe da agência, composta por 35 profissionais, a tecnologia é essencial. A agência foca nas redes sociais tanto para procurar conteúdo, bem como para comunicar. Um exemplo de como a plataforma auxiliou na produção de conteúdo da agência foram os protestos e manifestações que aconteceram no Brasil em 2013.

Porém, segundo Laura, o jornalista não pode contar apenas com a tecnologia. “Temos que sair da redação e sentir as coisas. Só a tecnologia não alcança. Ela vai ajudar a chegar lá e aprofundar a informação. Precisamos ser um estrangeiro em nossa própria cidade e ser curioso”, opina.

Mantido pelo jornal O Diário do Comércio , o Museu da Corrupção (MuCo) ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2009, como a melhor contribuição ao jornalismo. Nele, são expostos e comentados fatos relacionados com a corrupção no Brasil e no mundo.

Segundo Luiz Octavio de Lima, o banco dados do MuCo não é acessado apenas por jornalistas, mas por universidades e até pelos próprios políticos. “Nunca tivemos nenhuma contestação em termos de conteúdo. Se alguém é absolvido também colocamos, o acervo não é definitivo. É constantemente atualizado”, explica. Porém, em época de eleições, Lima afirma que o acesso ao site cai. Para ele, existe certa “fuga” desses assuntos.