Jornalistas de 60 países assinam documento que prega igualdade de gênero na profissão

Jornalistas de 60 países assinam documento que prega igualdade de gênero na profissão

Atualizado em 02/06/2009 às 13:06, por Redação Portal IMPRENSA.

No último domingo (31/05), um grupo de 60 jornalistas de 45 países aprovaram a Declaração de Bruxelas, que prega a igualdade de gêneros nas redações. A aprovação foi realizada na "Conferência sobre Ética e Gênero: Igualdade na Redação", promovida pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

O documento diz que é "essencial manter princípios de reportagem ética para lutar contra estereótipos de gênero, combater comportamento agressivo, assédio, desigualdade na promoção, formação e salário, e defender a dignidade no nosso trabalho como jornalistas e profissionais de mídia".

Para os profissionais que assinaram a declaração, a crise econômica afeta mais as mulheres do que os homens, e eles acreditam que "jornalistas e sindicalistas devem trabalhar juntos para melhorar o jornalismo ético, respeitar os direitos e a dignidade de todas as mulheres e garantir que as imagens das mulheres na imprensa e na sociedade reflitam a necessidade de acabar com toda a discriminação na vida social, econômica, política e cultural".

A Declaração pede que todas as mulheres "possam trabalhar em condições de segurança idênticas às dos seus colegas do sexo masculino". Como exemplo, o documento cita a África, onde as mulheres lutam pela igualdade de gênero não só no jornalismo, mas na sociedade como um todo.

Na Ásia, as participantes vão promover programas de sensibilização para o géênero e formações nos sindicatos, visando o local de trabalho e envolvendo jornalistas, chefes de redação e patrões; desenvolver campanhas de segurança organizadas pelos sindicatos para todos os jornalistas; apoiar formação de segurança para trabalhadores da imprensa destacados para zonas de conflito; e organizar encontros anuais sobre igualdade de gênero com associados da FIJ no continente.

Já as jornalistas na América Latina pedem que a FIJ conduza um estudo sobre o estatuto sócio-econômico das mulheres trabalhadoras, e apelam ao grupo regional que estabeleça uma Secretária de Gênero para trabalhar com todos os sindicatos da região no estabelecimento de ações concretas destinadas a criar fortalecimento de gênero e liderança feminina.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas de Portugal, na Europa os patrões têm usado a crise financeira como desculpa para explorar a posição já vulnerável das jornalistas. Já no Oriente Médio, as jornalistas batalham contra a discriminação e o impacto da exclusão das mulheres de posições executivas e de desenvolverem as suas carreiras no jornalismo.

"Há uma necessidade particular de batalhar contra a violação de direitos de jornalistas em áreas de conflito, como a Palestina e o Iraque, onde os profissionais ficam sob o fogo de todos os lados políticos. Tem de haver liberdade de movimento e liberdade de trabalhar livremente no jornalismo", diz o documento.

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