Jornalistas da TV estatal chinesa recebem recomendações sobre o que noticiar
Jornalistas da TV estatal chinesa recebem recomendações sobre o que noticiar
Recentemente, na China, jornalistas receberam recomendações para que não fossem publicadas notícias sobre um escândalo no setor da saúde, além de não poderem divulgar informações sobre a morte da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto e não comentarem a polêmica gerada por um filme norte-americano.
Esses atos de censura foram instaurados no cotidiano jornalístico chinês desde o período em que o Partido Comunista chegou ao poder. Os episódios fazem parte da rotina denunciada por jornalistas do país e correspondentes de agências de notícias.
Segundo informou o correspondente da BBC, Michael Bristow, quando os jornalistas da TV estatal chinesa CCTV chegam ao trabalho, uma das primeiras janelas que saltam na tela de seus computadores traz recomendações sobre como e quais notícias devem ser veiculadas. Os avisos são curtos e raramente indicam a autoria. No entanto, todos contêm instruções restritivas sobre como noticiar uma história.
Em alguns casos não há explicações ou critérios para que determinado assunto seja proibido de ser veiculado, como o caso de uma mulher grávida que morreu após três horas de internação em um hospital chinês. Suspeita-se que esse tipo de notícia seja proibida, pois o sistema de saúde da China gera muitas discussões.
Sobre o caso da morte de Benzair Bhutto, os jornalistas receberam a seguinte recomendação: "evitem atrair fogo contra vocês mesmos", dizia o aviso. "Evitem se deixar envolver nas contradições internas do Paquistão". Acredita-se que, por ser aliado do Paquistão, o governo chinês não quis alimentar discussões acerca do acontecido.
Segundo David Bandurski, pesquisador da China Media Project, um organização com sede em Hong Kong, que monitora a imprensa chinesa, essas histórias são apenas a "ponta do iceberg". "Há todos os tipos de proibições e advertências contra todos os tipos de notícias por diferentes motivos".
O pesquisador afirmou, ainda, que a imprensa está cada vez mais sábia sobre histórias que são tabu e alguns profissionais as usam na tentativa de furar a censura. Segundo ele, apesar de pouco, existe algum espaço para manobras dentro do regime.
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