Jornalistas da Al-Jazeera presos no Egito denunciam maus tratos em julgamento

O julgamento dos jornalistas do canal Al-Jazeera, incluindo quatro estrangeiros, acusados de apoiar a Irmandade Muçulmana, foi retomado na última quarta-feira (5/3) no Egito.

Atualizado em 06/03/2014 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Os réus denunciaram maus-tratos durante a detenção.
Crédito:Reprodução Fadel Fahmy disse ter ossos quebrados devido maus tratos na prisão
De acordo com a AFP, o processo é visto como um teste das novas autoridades do país, dirigido pelo exército, enquanto ativistas temem o retorno de um regime autoritário no Egito oito meses após a destituição do único presidente eleito democraticamente, o islamita Mohamed Mursi.
O jornalista australiano Peter Greste, o egípcio-canadense Mohamed Fadel Fahmy e o egípcio Baher Mohamed, detidos em dezembro em um hotel no Cairo, apareceram na cabine de acusados com outras três pessoas.
A promotoria acusa um total de 20 pessoas identificadas como "jornalistas da Al-Jazeera". A rede de notícias, entretanto, garante que apenas nove réus são seus funcionários. Destes, 16 egípcios são acusados de integrar uma "organização terrorista" e quatro estrangeiros de fornecer dinheiro, equipamentos e informações para divulgar notícias falsas sobre uma suposta guerra civil no país.
Soheib Said lamentou as condições da prisão e disse que foi torturado pela segurança do Estado. Ele mencionou torturas físicas e pressão psicológica. "Nós pedimos que um médico legista nos examinasse, mas ninguém nos respondeu", acrescentou.

"Tenho ossos quebrados há 10 semanas e tenho dormido no chão" da cela, revelou o jornalista Fadel Fahmy. "Peço que me libertem com a garantia da embaixada canadense que não deixarei o país", insistiu ele.