Jornalistas contam como vencer os desafios e chegar ao comando de um telejornal

O caminho para um jornalista se tornar âncora de telejornal é longo e árduo. IMPRENSA conversou com alguns profissionais que estão à frenteda bancada para saber como é a rotina dos responsáveis por noticiar os principais acontecimentos do Brasil e do mundo.

Atualizado em 23/10/2013 às 18:10, por Igor dos Santos*.


Crédito:Divulgação/ Globo News Leila Sterenberg destaca importância da formação em jornalismo
“No passado, a TV buscou no rádio nomes consagrados jornalisticamente para atuar como âncoras. Boa dicção e simpatia são ingredientes que ainda contam, mas o que o telespectador quer, sobretudo, é a credibilidade alcançada com o tempo. A escola para almejar a bancada de um telejornal ou o comando de um programa é o trabalho de repórter”, afirma Celso Freitas, apresentador do “Jornal da Record”.
Karyn Bravo, apresentadora do “Jornal do SBT”, dá algumas dicas para o jornalista que sonha em se tornar âncora: “em primeiro lugar, ter uma boa base de português, redação e conhecimentos gerais. Conhecer sobre história também ajuda”.
Para Leila Sterenberg, âncora do “Jornal Globo News”, “a formação ideal é um curso de jornalismo numa boa faculdade, complementado por muita leitura e cursos extras nas áreas de interesse do profissional”. Ela acrescenta também a importância da preparação de voz e imagem.
Desafios e características
Os jornalistas destacam que a experiência como repórteres contribuiu para a chegada ao comando da bancada. Entretanto, dizem que o desafio aumenta diante do novo posto.
Crédito:Edu Moraes/Record Celso Freitas diz que experiência como repórter ajuda a ser âncora
“Talvez o principal desafio seja se manter informado sobre o maior número possível de assuntos”, diz Leila. “É preciso ter uma parabólica sempre ligada [para ser um âncora]”, acrescenta.
Para a apresentadora da Globo News, uma característica essencial é calma na hora de anunciar uma notícia. “Acho que sangue frio é nosso oxigênio. Quando todos estão nervosos porque algo grandioso aconteceu, temos que respirar fundo e fazer com que a adrenalina nos deixe focados”, diz.
Freitas reafirma a importância do jornalista se manter atualizado. "O amplo domínio da informação confere a segurança para fazer a entrega fiel da notícia”. Para ele, credibilidade e imparcialidade são essenciais para um âncora, mas “são características que você conquista. Não se impõe isso ao público”.
A apresentadora do SBT ressalta que o âncora não deve se envolver com a notícia. “Acho que, às vezes, tomamos as dores de alguns casos, ou seja, acabamos, de alguma, forma influenciando o que o telespectador está vendo pelo nosso comentário”. Por essa razão, Karyn ressalta a imparcialidade na hora de dar a notícia.
Dia a dia
Para os profissionais, a preparação diária é a tarefa mais importante da rotina, pois é essencial que estejam antenados a todos os fatos. "A primeira coisa que eu faço é ler jornais e ver a internet”, comenta Karyn Bravo.
“Muito antes de fazer a barba e escolher o terno, [faço] a leitura do bom e velho jornal impresso e realizo um passeio completo por várias publicações eletrônicas - de portais a blogs e discussão com colegas da redação", conta Freitas, que diz chegar na redação cinco horas antes de apresentar o programa.
Leila faz a mesma lição de casa. “Mesmo que não dê tempo de ler tudo, é bom passar os olhos de forma genérica”, afirma.
Inusitado
Imprevistos também fazem parte da apresentação de um telejornal. Sendo assim, o âncora tem de estar preparado para lidar com esses percalços.
Crédito:Lourival Ribeiro/ SBT Karyn Bravo diz que preparação diária ocorre horas antes do programa
“Uma vez o celular de um entrevistado tocou quando ele estava ao vivo. Mas já entrou uma mosca no estúdio durante o jornal e, uma vez, queimou uma lâmpada enquanto eu falava”, conta Leila .
O apresentador da Record revela que, após 40 anos frente das câmeras, seu maior constrangimento foi a falha na voz ao ler uma notícia. "Fruto de ter saboreado um confeito de coco ralado pouco antes de iniciar o telejornal”, relata.
“Já aconteceram problemas técnicos. Já caiu o TP, a gente chamou uma matéria e entrou outra. Teve uma vez que eu fui ler o nome de um time que eu não conhecia e comecei a rir”, diz Karyn.

Entre tantos desafios, todos eles destacam a preparação intelectual e profissional para chegar ao comando do noticiário. E, muito jogo de cintura para lidar com todo o tipo de imprevisto.
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* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.