Jornalistas compartilham experiências de risco

Pressão e tensão constante, essa é a realidade de muitos profissionais em coberturas de risco. Leia a matéria completa de Luiz Pacete no Portal IMPRENSA

Atualizado em 07/06/2011 às 12:06, por Luiz Gustavo Pacete.

Muitos dos repórteres que atuam em situações de risco, além de possuírem o dever de retratar o fato, têm de cuidar da própria integridade física e psicológica. O preparo é fundamental, pois situações de pressão são constantes. No Brasil, são inúmeros os casos em que o jornalista tem de lidar com tais ocorrências: violência urbana, rebeliões, seqüestros, confrontos e operações policiais.

Histórias

Fábio Cavalcante , repórter do jornal Roraima Hoje, deparou-se com momentos difíceis na cobertura que fez dos conflitos na Raposa Serra do Sol, em 2008, no estado de Roraima. Situação em que vivenciou hostilidade e tensão. "Sofremos inúmeras ameaças, inclusive dos índios que nos acusavam de sermos invasores e impediam nossa circulação", conta, ressaltando que a frieza neste momento era fundamental para negociar com os envolvidos no conflito.

Crédito: Journalism.co.uk

Adriana Carranca , repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo, descreve que na maioria das vezes, o ideal é que a postura do repórter seja de distanciamento emocional, mas nem sempre é possível. Ainda mais, quando são presenciadas cenas que abalam o psicológico. "Em 2006, me emocionei quando tive de entrar em uma penitenciária, após uma onda de rebeliões. Presenciei condições horríveis. Isso me chocou, não me culpo de me envolver, pois antes de ser jornalista sou um ser humano", relata a profissional que esteve em países como o Afeganistão, local em que acompanhou a história de vítimas da guerra.
Christina Nascimento , repórter do jornal O Dia atuou por três anos na editoria de polícia e acompanhou várias operações policias no morro. Sua rotina inlcuía se equipar com colete a prova de balas e andar em carro blindado, recursos oferecidos pelo jornal. Além disso, treinou por uma semana no Centro de Operações do exército. "Ali fui submetida a inúmeras situações de conflito. Aprendi a lidar com a adrenalina e conciliar com a responsabilidade de escrever a matéria no final do dia". Ela conta que qualquer precipitação de quem atua nessa área representa risco. "Em 2006, tive uma atitude imprudente, subi sozinha o Morro da Fé (no subúrbio do Rio) para entrevistar duas fontes, acabei sendo rendida por três homens armados", relata. A repórter deixou a editoria por sofrer ameaças constantes, mas mesmo com tantos riscos defende o papel da mídia nestes locais: "com a presença dos jornalistas, é mais difícil que ocorram arbitrariedades da polícia".
Para Michel Minnig , chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), órgão que atua nos morros cariocas, é importante a cobertura da mídia nessas situações, mas ela deve ser feita com cuidado e discrição. Em São Paulo, a Polícia aproxima os profissionais da imprensa de seu dia-a-dia, de acordo com o Capitão Marcel Soffner, assessor de comunicação da Polícia Militar do Estado, a corporação realiza periodicamente um intercâmbio em que jornalistas treinam juntos com os policiais. "Nosso objetivo é fazer com que os repórteres conheçam o teor do trabalho policial", destaca.