Jornalistas brasileiros contam com piso salarial de no máximo R$ 2 mil

Jornalistas brasileiros contam com piso salarial de no máximo R$ 2 mil

Atualizado em 12/03/2008 às 15:03, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

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Um dos grandes problemas apontados pela maior parte dos sindicatos de jornalistas do Brasil é o baixo piso salarial. Em diversos Estados, os presidentes das entidades acreditam que o aumento ou a instauração de um salário-base fixo é a principal dificuldade dos profissionais de comunicação.

Dessa forma, após uma série de entrevistas realizadas pelo Portal IMPRENSA, com os presidentes sindicais de todo o País, a conclusão a que se chega não é muito otimista. Os pisos salariais variam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil para 5h horas trabalhadas, chegando a um mínimo de R$ 730 em veículos do interior do Espírito Santo.

Frente a essa adversidade, Suzana Tagatiba, presidente do sindicato capixaba, afirma que a maior luta este ano "será pelo aumento do piso salarial no Estado". Da mesma forma, a cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul, é outra localidade em que os jornalistas sofrem com o baixo piso salarial, de R$ 750 para aqueles que trabalham em veículos impressos.

De acordo com Luís Carlos Luciano, presidente da entidade em Dourados, os jornalistas não contam com um sindicato patronal, "o que dificulta os acordos coletivos". Além disso, declara que na cidade "não há uma tradição de negociação", inclusive no que diz respeito aos salários dos profissionais.

Diferentemente do que se imagina, os salários mais baixos pagos para jornalistas estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Além dos mínimos do Espírito Santo e Dourados, os Estados de Santa Catarina (R$ 1.050), Rio Grande do Sul (R$ 1.220) e São Paulo (R$ 1.248, para profissionais de Rádio e TV) chegam a um piso máximo de R$ 1,5 mil. Os assessores de imprensa, entretanto, podem comemorar, já que, em praticamente todas as regiões, ganham mais que todos os outros tipos de jornalistas, como os de redação, rádio e TV.

Outro dado curioso está no Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco. Com 60 anos de existência, a entidade ainda enfrenta dificuldades financeiras constantes e não possui um piso salarial fixo. Atualmente, existe apenas um "salário-base" no Estado, de R$ 1.330."Há pouco mais de dez anos, perdemos o nosso piso, pois nossas campanhas salariais eram conjuntas com a dos Radialistas e, nas negociações, nosso piso ficava vinculado com o da citada categoria, nos impedindo de crescer", lamenta Ayrton Barbosa Maciel Júnior, presidente do sindicato pernambucano.

A única exceção que sai totalmente fora dos padrões dos pisos de até R$ 2 mil é o município do Rio de Janeiro. Com um salário-base de R$ 3.684 para 5h trabalhadas e de R$ 5.894 para 7h, os jornalistas cariocas são os mais bem pagos do País. No entanto, o Departamento Jurídico da entidade afirma que o valor não está convencionado, "é apenas uma estipulação sindical, que é respeitada na maior parte das vezes pelas empresas de comunicação". No entanto, caso os empresários não respeitem o valor, o sindicato não pode reivindicar correção, já que este não faz parte de uma convenção da categoria.

As polêmicas sobre a exigência do diploma para os jornalistas e as condições precárias de trabalho a que eles estão submetidos também foram muito citadas pelos líderes sindicais e estão sempre em pauta nas discussões sobre imprensa. No entanto, é necessário também refletir e trabalhar para a melhoria de uma das questões mais básicas de todo o profissional: o salário.

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