Jornalistas apostam no crowdfunding como meio para viabilizar suas pautas
Um site que visa facilitar a vida dos jornalistas quando o assunto é a busca incansável por fontes. Uma revista que mescla a relação entre arte e cidade.
Atualizado em 04/10/2013 às 18:10, por
Gabriela Ferigato.
Esses são apenas dois dos 661 casos de sucesso que foram financiados através do Catarse, uma das principais plataformas do segmento no Brasil. Desse número, 23 foram iniciativas de jornalismo.
Crédito:Divulgação Equipe do Catarse Juntos, todos eles movimentaram R$ 4 milhões em 2012, e a expectativa para este ano está na casa dos R$ 7 milhões. Popular nos Estados Unidos, principalmente pelo site Kickstarter, esse modelo de negócio vem ganhando destaque no Brasil por meio daqueles que têm uma ideia na cabeça e querem trazê-la para a realidade. Porém, ficam dúvidas sobre como apresentá-la ao tentar a sorte. Na realidade, esqueça a “sorte” e concentre-se em diretrizes básicas para a viabilização. Causas assistencialistas ou apoio direto a um candidato político são algumas das temáticas rejeitadas.
Segundo Diego Reeberg, cofundador do Catarse, há três elementos básicos para um projeto dar certo (além, é claro, de um bom tema), que são: ter uma rede de contatos bem construída, planejamento (inclusive com as recompensas) e a vontade de querer fazer dar certo. “No vídeo de divulgação, que deve ter até três minutos, é necessário mostrar quem está produzindo. Isso cria um elo de confiança com possíveis apoiadores. Nele você diz para onde vai o dinheiro, qual a importância do trabalho e algum indicativo de qual será o resultado”, afirma Reeberg. Nas recompensas, a dica é abusar da criatividade (seja um bem material, como camisetas, canecas, ou imaterial, que reflita o espírito do tema).
Com um prazo de 60 dias para atingir a meta, a base é o “tudo ou nada”. Em caso positivo, o projeto recebe financiamento, caso contrário o dinheiro volta para os doadores ou fica como crédito para apoiar outras ações. Dentro da legislação brasileira, esse trabalho entra no tópico de “intermédio de negócios”, a exemplo do Mercado Livre. O site fica com 13% do valor arrecadado pelos casos bem-sucedidos. Mas o Catarse não está sozinho neste mercado. Outros players, como o Idea.me e o Benfeitoria, também abraçaram o conceito. Além do “O Sujeito”, ainda em fase de planejamento, que será exclusivamente voltado para matérias jornalísticas.
Em agosto, a Agência Pública lançou o “Reportagem Pública”, para onde jornalistas formados ou estudantes enviaram sugestões de matérias e as dez escolhidas pelos internautas receberão bolsas de reportagem no valor de R$ 6 mil. Segundo Natalia Viana, diretora da Pública, a meta era arrecadar R$ 47.500 até o final de setembro. “Quem doar vai poder integrar o nosso Conselho Editorial. São eles que votarão nas matérias que devem ser realizadas”, completa Natalia. Até o fechamento desta edição, a iniciativa havia arrecadado R$ 26.586, de 359 apoiadores. A maioria das propostas recebidas referia-se a direitos humanos, e vieram de todos os lugares do Brasil.
Casos bem-sucedidos O Ajude um Repórter foi um dos primeiros projetos financiados pelo Catarse. Com inspiração no modelo americano “Help a reporter out”, ele começou em 2010 apenas no Twitter. Com o tempo, as solicitações cresceram e Gustavo Carneiro, fundador da plataforma, decidiu ampliar o serviço. “Procurei a empresa Softa, que desenvolvia aplicações web 2.0. Naquela época, eles estavam envolvidos com o Catarse, mas nada concreto. Eles me apresentaram um orçamento muito alto, que eu não podia bancar.
Crédito:Divulgação Gustavo Carneiro, do Ajude um Repórter Depois sugeriram o financiamento coletivo, que ainda estava engatinhando.” Ele foi ao ar em janeiro de 2011 e, dentro do prazo, arrecadou R$ 15.695. “A meta era R$ 15 mil, um número bem robusto para a época, pensando que ninguém conhecia muito bem o conceito. Em um primeiro momento, engajei os seguidores do Twitter, que eram 15 mil”, lembra. Segundo Carneiro, sobram ideias interessantes no crowdfunding, mas faltam administração, planejamento e gerenciamento durante o processo. Atualmente, o Ajude um Repórter conta com 12 mil cadastros.
A revista Efêmero Concreto, que discorre sobre a relação de mão dupla entre arte e cidade, surgiu quando os idealizadores Deco Benedykt, Marcelo Nucci e Thiago Rosenberg estavam na faculdade. “Nós não tínhamos possibilidade de viabilizar comercialmente e não conseguimos patrocínio pela Lei Rouanet”, explica Benedykt. Eles lançaram duas campanhas no Catarse: a primeira (que tinha o objetivo de financiar a distribuição e impressão do veículo) arrecadou R$ 19 mil em 45 dias, e a segunda, R$ 22 mil em 50 dias. “É fundamental pensar na ação como se fosse o lançamento de um produto. Além das mídias sociais, é preciso conversar com formadores de opinião e nomes de peso que são relacionados com o tema da iniciativa. Nós tivemos diversas estratégias, entre elas eventos para arrecadar fundos. A pessoa precisa saber que vai dedicar tempo integral para isso”, ressalta. A revista, que vai lançar sua quarta edição, é distribuída em faculdades de comunicação, arte, arquitetura, design, além de centros culturais e galerias de arte

Crédito:Divulgação Equipe do Catarse Juntos, todos eles movimentaram R$ 4 milhões em 2012, e a expectativa para este ano está na casa dos R$ 7 milhões. Popular nos Estados Unidos, principalmente pelo site Kickstarter, esse modelo de negócio vem ganhando destaque no Brasil por meio daqueles que têm uma ideia na cabeça e querem trazê-la para a realidade. Porém, ficam dúvidas sobre como apresentá-la ao tentar a sorte. Na realidade, esqueça a “sorte” e concentre-se em diretrizes básicas para a viabilização. Causas assistencialistas ou apoio direto a um candidato político são algumas das temáticas rejeitadas.
Segundo Diego Reeberg, cofundador do Catarse, há três elementos básicos para um projeto dar certo (além, é claro, de um bom tema), que são: ter uma rede de contatos bem construída, planejamento (inclusive com as recompensas) e a vontade de querer fazer dar certo. “No vídeo de divulgação, que deve ter até três minutos, é necessário mostrar quem está produzindo. Isso cria um elo de confiança com possíveis apoiadores. Nele você diz para onde vai o dinheiro, qual a importância do trabalho e algum indicativo de qual será o resultado”, afirma Reeberg. Nas recompensas, a dica é abusar da criatividade (seja um bem material, como camisetas, canecas, ou imaterial, que reflita o espírito do tema).
Com um prazo de 60 dias para atingir a meta, a base é o “tudo ou nada”. Em caso positivo, o projeto recebe financiamento, caso contrário o dinheiro volta para os doadores ou fica como crédito para apoiar outras ações. Dentro da legislação brasileira, esse trabalho entra no tópico de “intermédio de negócios”, a exemplo do Mercado Livre. O site fica com 13% do valor arrecadado pelos casos bem-sucedidos. Mas o Catarse não está sozinho neste mercado. Outros players, como o Idea.me e o Benfeitoria, também abraçaram o conceito. Além do “O Sujeito”, ainda em fase de planejamento, que será exclusivamente voltado para matérias jornalísticas.
Em agosto, a Agência Pública lançou o “Reportagem Pública”, para onde jornalistas formados ou estudantes enviaram sugestões de matérias e as dez escolhidas pelos internautas receberão bolsas de reportagem no valor de R$ 6 mil. Segundo Natalia Viana, diretora da Pública, a meta era arrecadar R$ 47.500 até o final de setembro. “Quem doar vai poder integrar o nosso Conselho Editorial. São eles que votarão nas matérias que devem ser realizadas”, completa Natalia. Até o fechamento desta edição, a iniciativa havia arrecadado R$ 26.586, de 359 apoiadores. A maioria das propostas recebidas referia-se a direitos humanos, e vieram de todos os lugares do Brasil.
Casos bem-sucedidos O Ajude um Repórter foi um dos primeiros projetos financiados pelo Catarse. Com inspiração no modelo americano “Help a reporter out”, ele começou em 2010 apenas no Twitter. Com o tempo, as solicitações cresceram e Gustavo Carneiro, fundador da plataforma, decidiu ampliar o serviço. “Procurei a empresa Softa, que desenvolvia aplicações web 2.0. Naquela época, eles estavam envolvidos com o Catarse, mas nada concreto. Eles me apresentaram um orçamento muito alto, que eu não podia bancar.
Crédito:Divulgação Gustavo Carneiro, do Ajude um Repórter Depois sugeriram o financiamento coletivo, que ainda estava engatinhando.” Ele foi ao ar em janeiro de 2011 e, dentro do prazo, arrecadou R$ 15.695. “A meta era R$ 15 mil, um número bem robusto para a época, pensando que ninguém conhecia muito bem o conceito. Em um primeiro momento, engajei os seguidores do Twitter, que eram 15 mil”, lembra. Segundo Carneiro, sobram ideias interessantes no crowdfunding, mas faltam administração, planejamento e gerenciamento durante o processo. Atualmente, o Ajude um Repórter conta com 12 mil cadastros.
A revista Efêmero Concreto, que discorre sobre a relação de mão dupla entre arte e cidade, surgiu quando os idealizadores Deco Benedykt, Marcelo Nucci e Thiago Rosenberg estavam na faculdade. “Nós não tínhamos possibilidade de viabilizar comercialmente e não conseguimos patrocínio pela Lei Rouanet”, explica Benedykt. Eles lançaram duas campanhas no Catarse: a primeira (que tinha o objetivo de financiar a distribuição e impressão do veículo) arrecadou R$ 19 mil em 45 dias, e a segunda, R$ 22 mil em 50 dias. “É fundamental pensar na ação como se fosse o lançamento de um produto. Além das mídias sociais, é preciso conversar com formadores de opinião e nomes de peso que são relacionados com o tema da iniciativa. Nós tivemos diversas estratégias, entre elas eventos para arrecadar fundos. A pessoa precisa saber que vai dedicar tempo integral para isso”, ressalta. A revista, que vai lançar sua quarta edição, é distribuída em faculdades de comunicação, arte, arquitetura, design, além de centros culturais e galerias de arte






