Jornalista veterano russo se diz desanimado com trabalho de ex-alunos na imprensa
Em entrevista à Radio Free Europe (RFE), o presidente do curso de Jornalismo da Universidade de Moscou, Yasen Zasursky, que integra o corpo de docentes da instituição há mais de 40 anos, disse estar profundamente desanimado com o modo como seus ex-alunos têm se comportado nos veículos de comunicação.
Atualizado em 23/09/2015 às 15:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
(RFE), o presidente do curso de Jornalismo da Universidade de Moscou, Yasen Zasursky, que integra o corpo de docentes da instituição há mais de 40 anos, disse estar profundamente desanimado com o modo como seus ex-alunos têm se comportado nos veículos de comunicação.
Crédito:Reprodução Docente critica forma como jornalistas atuam na Rússia
"É desagradável ver o que eles estão transmitindo", disse. "Tudo o que há são anúncios oficiais. Não existe nada analítico. Então, você corre o risco de ser transformado em uma pessoa com uma visão limitada", declarou.
Um de seus ex-alunos é o apresentador Ernest Matskyavichyus. Ele afirmou recentemente que a Rússia está no meio de uma guerra de informação e jornalistas devem rejeitar os padrões internacionais da profissão.
Zasursky destacou que Matskyavichyus foi "um excelente aluno", mas disse que ele não concorda com a necessidade de cobrir apenas um dos lados de um debate. "Ele diz: 'As pessoas só estão desarmadas quando têm informações insuficientes ou incompletas'. Em seguida, abordou os ataques inimigos", observou.
Uma das jornalistas em exceção é Anna Politkovskaya, uma das mais críticas ao governo. Ela foi morta em 2006, quando ela produzia um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus colegas cinco dias depois de seu assassinato. Yasen Zasursky também comentou sobre o destino do jornalismo no governo de Vladimir Putin e não demonstra otimismo. "Talvez [os jornalistas] devem fazer traduções. Acho que é possível encontrar algum trabalho intelectual", ponderou ao lembrar quando trabalhou para a editora Literatura Estrangeira, em 1950, ano em que a empresa o destinou serviços de tradução de poetas soviéticos que não puderam ser publicadas por motivos políticos.
Crédito:Reprodução Docente critica forma como jornalistas atuam na Rússia
"É desagradável ver o que eles estão transmitindo", disse. "Tudo o que há são anúncios oficiais. Não existe nada analítico. Então, você corre o risco de ser transformado em uma pessoa com uma visão limitada", declarou.
Um de seus ex-alunos é o apresentador Ernest Matskyavichyus. Ele afirmou recentemente que a Rússia está no meio de uma guerra de informação e jornalistas devem rejeitar os padrões internacionais da profissão.
Zasursky destacou que Matskyavichyus foi "um excelente aluno", mas disse que ele não concorda com a necessidade de cobrir apenas um dos lados de um debate. "Ele diz: 'As pessoas só estão desarmadas quando têm informações insuficientes ou incompletas'. Em seguida, abordou os ataques inimigos", observou.
Uma das jornalistas em exceção é Anna Politkovskaya, uma das mais críticas ao governo. Ela foi morta em 2006, quando ela produzia um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus colegas cinco dias depois de seu assassinato. Yasen Zasursky também comentou sobre o destino do jornalismo no governo de Vladimir Putin e não demonstra otimismo. "Talvez [os jornalistas] devem fazer traduções. Acho que é possível encontrar algum trabalho intelectual", ponderou ao lembrar quando trabalhou para a editora Literatura Estrangeira, em 1950, ano em que a empresa o destinou serviços de tradução de poetas soviéticos que não puderam ser publicadas por motivos políticos.





