Jornalista usa selfies com celebridades internacionais como teasers de matérias

Viver em meio a um mar de celebridades, na meca do cinema, em Los Angeles, nos Estados Unidos, é o sonho de muitos jornalistas que desejam cobrir cultura.

Atualizado em 24/02/2016 às 17:02, por Thaís Naldoni.

Conseguir se destacar nessa seara é para poucos. A concorrência é muita e a chance de se cair na vala comum, fazendo matérias “mais do mesmo” é enorme.
No caso de James Cimino, correspondente do UOL e da GloboNews, a criatividade, a sagacidade e o bom humor – às vezes ácido – fez toda a diferença. Editor do portal, estava cansado da rotina da redação e queria dar uma virada na vida. Enviado frequentemente a Los Angeles para coberturas, teve a ideia de sugerir que se tornasse correspondente fixo no local. "Fiz a proposta e eles aceitaram."
Para Cimino, o diferencial de seu trabalho está no olhar para a pauta. “As pessoas querem ver mais dos bastidores, querem ver novidades, coisas diferentes. A sinopse do filme ou série vira uma coisa batida.Quando você oferece algo mais, o leitor fica ansioso pela matéria que está por vir.” Uma das formas inusitadas e atuais encontradas pelo repórter para fazer teasers de seus textos são as selfies.
“As selfies começaram como uma ação jornalística. Uma competição que aconteceu na entrega do Emmy 2014. Fomos como convidados e lá as fotos são liberadas. Vi uma pessoa que tirava foto com todo mundo, sem nem saber quem era. Via que estava bem vestido e tirava a foto. Aí, fizemos uma competição para ver quem tirava mais fotos com famosos, ou seja, quem conhecia mais gente”, conta. Aposta ganha, o recurso agora invade suas redes sociais sempre que uma matéria quentinha está por vir. E já foram muitas as fotos acumuladas: Viola Davis, Morgan Freeman, Julliete Lewis, David Duchovny, Roberto Carlos são só algumas das imagens das personalidades clicadas.
NEM SÓ FLORES
Se tudo parece perfeito, nem tudo é o que parece. Cimino conta que o custo de vida no país e o momento da economia brasileira dificultam muito as coisas. “Recebo um dos meus borderôs em reais. Na hora de converter, o valor nem bem dá para o básico, moradia. Fora as despesas com transporte e alimentação.”

Outra dificuldade é que os estúdios dão prioridade para jornalistas oriundos dos países em que as séries dão mais audiência. “Nesse ponto, a maior parte dos países da América Latina ficam bem atrás. No final da fila. Menos no Netflix, em que o Brasil é um mercado superimportante. Aí, acabamos tendo prioridade”, explica.
James acumula, além do trabalho do UOL, entradas na GloboNews, não tratando apenas de cultura, mas de quaisquer notícias relevantes que aconteçam. “Em dezembro fui deslocado para San Bernardino, aqui na Califórnia, para cobrir aquele caso dos atiradores que mataram 14 pessoas, em uma instituição que cuida de pessoas com deficiência.” Fora isso, pelo menos duas vezes na semana, o jornalista aparece nas telinhas do canal de notícias.
CURIOSIDADES

Mesmo que nem tudo sejam flores, há muitas curiosidades que valem a pena serem destacadas. “Imagine que você sai de uma entrevista e vai fumar um cigarro, aí você dá de cara com ‘amigo do Demolidor’, da série do Netflix, o ator Elden Henson. Aí, vocês trocam fogo, batem um papo, e quando você entra para uma outra pauta, vê a Jane Fonda, andando com o cachorrinho, a caminho de uma entrevista. Não dá para não achar legal.”
Há também muitas informações de bastidores. “Você descobre mil fetiches de atores superfamosos daqui e também fofocas de gente até famosa no Brasil que quer entrar nas festas, nos eventos daqui de Los Angeles. Pena que algumas coisas são impublicáveis.” E, claro, há a possibilidade de encontrar pessoas que antes via apenas nos cinemas, em lugares bem fora do comum. “Uma vez eu estava em um hotel, em que estavam acontecendo umas entrevistas e eu ia falar com o Ashton Kutcher. Eu estava no banheiro e quando terminei de usar o mictório, olho para o lado e era ele que estava ali. Não, não olhei [risos]”.
Cimino diz que um dos segredos do sucesso, além de ter olhares diferentes sobre pautas usuais, é saber ser multimídia e não se intimidar frente aos atores. “São pessoas como quaisquer outras. Óbvio que é legal, são pessoas que parecem longe da nossa realidade, mas o deslumbramento só atrapalha o trabalho do repórter. Há de ser bem informado, ter na manga uma pauta consistente e não se intimidar, seja pela presença, pelo tempo restrito ou por uma cara feia”, finaliza.