Jornalista russa afirma que Kremlin controla boa parte da imprensa em seu país

Jornalista russa afirma que Kremlin controla boa parte da imprensa em seu país

Atualizado em 28/02/2005 às 12:02, por Redação Portal Imprensa.

Em matéria publicada pelo jornal Folha de S

Em matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo no domingo, 27/02, a jornalista russa Yevgenia Albats afirma que desde 2000, quando o presidente Vladimir Putin foi eleito pela primeira vez, o Kremlin começou uma campanha para controlar os meios de comunicação.

Segundo a Folha , em artigo publicado pelo Centro por Integridade Pública, de Washington, Albats afirma que, logo após a eleição de Putin, "o então proprietário do conglomerado Media-Most, Vladimir Gusinski, que se opunha a Putin e apoiara seus rivais na eleição presidencial, se encontrou na cadeia". Segundo a jornalista, entrevistada por Márcio Senne de Moraes por e-mail, três dias depois de ser preso Gusinsky teria entregue o controle de sua empresa ao monopólio estatal Gazprom "em troca de sua liberdade". Além do Media-Most, a partir de 2001 o Kremlin passou a controlar outra grande rede de TV russa, dessa vez uma emissora pública, a ORT.

Em seu artigo publicado nos EUA, Yevgenia Albats ainda afirma que os maiores jornais e editoras da Rússia foram classificados de "publicações de importância estratégica para o Estado e, portanto, não poderão ser postos à venda sem aprovação do Kremlin". E Albats diz mais. Segundo ela, o Kremlin controla hoje as cinco emissoras de TV de alcance nacional e 90% de toda a imprensa do país.

Em defesa de Putin, o parlamentar aliado Serguei Mironov (terceiro homem na hierarquia russa) diz que a mídia oposicionista existe e eles não podem fechar esses veículos porque a Constituição daquele país estabelece a liberdade de imprensa. De acordo com declarações de Mironov feitas à Folha em abril de 2004, se realmente existisse um esforço por parte das autoridades contra a liberdade de imprensa, ele "seria o primeiro a denunciá-lo".