Jornalista que jogou sapatos em Bush critica conflitos no Iraque em livro
Jornalista que jogou sapatos em Bush critica conflitos no Iraque em livro
Conhecido mundialmente pelo arremesso de seus sapatos contra o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em 2008, o jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi lançou na última semana um livro, no Líbano, em que denuncia os traumas de guerras durante o regime ditatorial de Saddam Hussein e critica as ações militares norte-americanas desde a Guerra do Golfo, em 1991.
A obra "A Última Saudação ao Presidente George Bush" tem o objetivo de "mostrar o sofrimento do povo iraquiano", comenta al-Zaidi, que acredita que "a Casa Branca empreendeu uma guerra contra o povo, e não contra o regime" após a invasão em 2003, informa EFE.
O jornalista reconhece que o ataque a Bush lhe rendeu muitas oportunidades, mas também nove meses de prisão e torturas. Cicatrizes nas pernas e nas costas, além de um nariz quebrado foram o resultado das agressões em cárcere.
Atualmente, trabalha como assessor midiático no canal de televisão "New TV", em Beirute, capital libanesa, e denuncia em palestras os crimes de guerra ocorridos no Iraque.
"Continuarei minha luta pelo meu país. Minha segurança é a última das minhas preocupações", observa ele, sobre as frequêntes ameaças da qual é alvo. al-Zaidi insiste que voltará em breve ao seu país, onde já processou o primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, e o subdiretor dos serviços de Inteligência do país, Samir Haddad.
Quando retornar, o escritor pretende realizar um abaixo-assinado para levar George W. Bush à Justiça pela morte de milhares de iraquianos. Para ele, a culpa da guerra em seu país recai também sobre o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, aqueles que legitimaram a invasão e os políticos nacionais, os quais acusa de corrupção.
"Sinto que meu povo precisa de mim e devo estar com ele. Minha vida está ali. É meu país, não posso abandoná-lo e não o deixarei por todos os castelos do mundo", diz.
Todos os lucros obtidos com a venda do livro serão destinados à fundação al-Zaidi, com sede em Genebra, na Suíça, e que se dedica ao "apoio às vítimas da ocupação norte-americana".
Leia mais
-






