Jornalista que arremessou os sapatos em Bush diz que foi obrigado a pedir perdão

Jornalista que arremessou os sapatos em Bush diz que foi obrigado a pedir perdão

Atualizado em 22/12/2008 às 08:12, por Redação Portal IMPRENSA.

O jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi, que jogou os sapatos contra o presidente norte-americano George Bush em uma coletiva na cidade de Bagdá, no último domingo (14), disse que irá processar os serviços de segurança do país por agressão, informou a agência Efe. Segundo Uday al-Zaidi, irmão do repórter da TV al-Baghdadia, o pedido de desculpas ao primeiro ministro do Iraque, Nouri al-Maliki teria sido realizado após aplicação de torturas.

Muntazer al-Zaidi foi detido por seguranças dos EUA logo após arremessar os sapatos em Bush. Fontes ligadas ao jornalista disseram que o profissional estaria mantido em custódia pela polícia iraquiana.

Em visita realizada no último domingo na prisão da Zona Verde, vinculada ao governo iraquiano, Uday disse ter constatado ferimentos graves no corpo do irmão, como a falta de um dente e a orelha queimada com cigarros. À imprensa, o irmão afirmou que o jornalista escreveu a carta de desculpas ao premiê iraquiano sob tortura e que não se arrependera do incidente contra o presidente dos EUA. "Disse que faria o mesmo se pudesse voltar no tempo", declarou Uday.

Na carta enviada ao primeiro ministro do Iraque, Al Zaidi disse que um terrorista conhecido no país o teria induzido a jogar os sapatos em Bush. Al Maliki citou ainda, em um comunicado à imprensa, que o governo local mantém o "comprometimento em proteger os jornalistas no exercício da profissão", desde que não violem a dignidade de terceiros. Apesar de os estados iraquianos e dos EUA não terem apresentado queixa formal contra al-Zaidi, segundo o juiz responsável pelo caso, o jornalista deverá responder processo por ofensa a um líder estrangeiro, cuja pena mínima é de dois anos de detenção.

O advogado do jornalista iraquiano deverá fazer petição para que o ato seja considerado uma falta e não um delito, o que amenizaria a pena no processo, ainda sem data para julgamento. A defesa alega que al-Zaidi manifestou sua opinião e que a detenção estipulada ao caso "não é pertinente com a ação que ele realizou".

Leia Mais

-

-