Jornalista peruano é ameaçado por chefe do maior cartel de drogas do país
Jornalista peruano é ameaçado por chefe do maior cartel de drogas do país
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) fez um apelo às autoridades governamentais peruanas, e em particular ao Ministro do Interior, para que aumentem a vigilância por causa das recentes ameaças de morte dirigidas ao jornalista Miguel Ramírez, do jornal El Comercio , de Lima. Além de ameaças telefônicas, no dia 22 de fevereiro ele foi acusado de "extorsão" por Luis Dávila, acusado trabalhar para o chefe de cartel Fernando Zevallos e denunciado e preso por tráfico de drogas.
"Miguel Ramírez está há mais de dez anos investigando as atividades de Fernando Zevallos. A situação que agora se encontra seu cartel não impede que suas redes continuem funcionando. Atrever-se a atacar o narcotráfico é perigoso para jornalistas. A situação de Miguel Ramírez, e com ele a redação do El Comercio , exige maior vigilância por parte das autoridades governamentais competentes. Esperamos que a justiça apure rapidamente essas acusacões de "extorsão", claramente espalhadas para desacreditar o jornalista", declarou a RSF.
"Depois de muito tempo eu volto a sentir que estão me vigiando outra vez", disse Ramírez, referindo-se aos narcotraficantes. Cinco dias antes, o jornalista recebeu duas chamadas telefônicas na sede do jornal, o advertindo que "o próximo esquartejado será o cahorro Ramírez". O jornalista estabeleceu imediatamente uma relação entre as ameaças de morte e a descoberta, duas semanas antes, de dois cadáveres desmembrados. Uma das vítimas era primo de uma testemunha contra Zevallos, ex-proprietário da companhia de aviação Aerocontinente e suspeito de ser o mais poderoso chefe de cartéis de droga no país.
Na manhã do dia 22 de fevereiro, Ramírez foi a Huamanga, na região de Ayacucho, entrevistar na prisão Luis Dávila, um homem acusado de trabalhar para narcotraficante. Dávila, que havia prometido a Miguel Ramírez dar declarações contra Zevallos, mudou o discurso quando o jornalista chegou, e diante dos agentes penitenciários, o acusou de extorsão. "Era uma cilada feita pelo narcotráfico, não tenho nenhuma dúvida que se trata de uma cilada", afirmou Ramírez.
Desde 1995, o jornalista investiga o caso Zevallos. Em 2004 recebeu ameaças de morte, e denúncias por extorsão. Em 2007, a Corte Suprema do Peru confirmou a condenação de Fernando Zevallos a vinte anos de prisão, por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
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