Jornalista organiza protesto contra violência sexual e recebe ameaças de estupro

A jornalista e escritora Nana Queiroz, organizadora da campanha "Eu não mereço ser estuprada" que tomou conta das redes sociais naúltima sexta-feira (28/3), virou alvo de ofensas e recebeu, inclusive, ameaças de estupro por meio de sua página no .

Atualizado em 31/03/2014 às 10:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Queiroz, organizadora da campanha "Eu não mereço ser estuprada" que tomou conta das redes sociais na última sexta-feira (28/3), virou alvo de ofensas e recebeu, inclusive, ameaças de estupro por meio de sua página no .
Crédito:Reprodução/Facebook Jornalista vai denunciar ameaças na Delegacia da Mulher
De acordo com o do Sakamoto, a iniciativa se deu em reação aos resultados de um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que aponta que 65,1% da população concorda total ou parcialmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas'' e 58,5% concordam total ou parcialmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".
A campanha da jornalista pedia que mulheres fizessem autorretratos, da cintura para cima, nuas ou não, reafirmando por meio de cartazes e inscrições em seu próprio corpo, que não merecem ser estupradas. As imagens foram divulgadas nas redes sociais com hashtags como #EuNãoMereçoSerEstuprada.
Segundo o relato publicado no blog, Nana esclarece que desde que começou o protesto online, recebeu diversas ofensas. Homens me escreveram dizendo que me estuprariam se me encontrassem na rua, outros, que eu “preciso mesmo é de um negão de 50 cm” ou “uma bela louça para lavar”. Se ainda duvidava um pouco da verdade por trás da pesquisa do Ipea,hoje acredito nela totalmente. Senti na pele a fúria revelada pela pesquisa", pontuou.
Crédito:Reprodução Internauta será denunciado por ameaçar a jornalista
A escritora alegou que iria à Delegacia da Mulher relatar as ameaças e ainda denuncia um jovem, identificado como Cirilo Pinto, que confessou publicamente já ter cometido um estupro e afirmou que o faria de novo. De acordo com ela, uma série de perfis falsos foram criados para espalhar mensagens machistas, pesquisas preconceituosas e montagens com fotos do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com dizeres ofensivos.
Nana ressaltou que, apesar das ofensas, ficou comovida com o tamanho que o protesto ganhou. "Dezenas e dezenas de homens e mulheres contaram publicamente, muitos pela primeira vez, seus casos de estupro. Quanta coragem!", acrescentou.