Jornalista lança livro sobre criação da primeira agência de notícias de favelas do mundo
O ano de 2001 foi marcante para o jornalista André Fernandes. Após abandonar o corpo de Fuzileiros Navais para promover um trabalho missionário nas favelas do Rio de Janeiro (RJ), como no morro do Borel, e, posteriormente, na comunidade Santa Marta, ele virou fonte constante para a imprensa nacional e internacional, o que o levou a criar a primeira agência de notícias das favelas do mundo.
Atualizado em 07/04/2014 às 12:04, por
Alana Rodrigues*.
Crédito:Arquivo pessoal Jornalista fundou há dez anos primeira agência de notícias das favelas
"Nossa missão é a democratização da informação nas favelas, principalmente, a partir dos próprios moradores com o objetivo de dar voz aos pobres", conta Fernandes, que se formou em jornalismo após a criação da agência.
Agora, mais de 10 anos depois, ele lança o livro "Perseguindo um Sonho - A História da Criação da Primeira Agência de Notícias de Favelas do Mundo", reconhecida pela Reuters no mesmo ano de fundação. "É um projeto de vida para mim", diz o jornalista.
Fernandes ajudou, inclusive, o jornalista Caco Barcellos no livro "O Abusado" e foi retratado como o personagem Kevin Vargas. Em 1992, ele vivia no Santa Marta, em Botafogo, zona sul do RJ, que estava sob o domínio de Marcinho VP, rei do tráfico local e protagonista da obra.
Desta vez, o "Perseguindo um Sonho" também retrata "O Abusado" entre os 90 personagens e histórias sobre as favelas. "É o próprio personagem que sai do best-seller do Caco para dar algumas informações a mais", explica Fernandes.
Crédito:Divulgação
Obra traz histórias das comunidades cariocas Para ele, o livro não tem um final, pois narra fatos que ainda em andamento. “O antepenúltimo parágrafo, por exemplo, eu falo como, em janeiro de 2014, nós fizemos a nossa primeira transmissão ao vivo via twitcasting, uma plataforma que queremos expandir para dezenas de moradores de favelas, para poder contar ao vivo o que está acontecendo em cada um desses locais”, afirma. A edição é da própria ANF que dispõe, além do site, mídias sociais e do jornal A Voz da Favela , maior impresso das favelas do RJ, com uma tiragem de cinquenta mil exemplares mensais, circulando também nas regiões da Baixada Fluminense e Região Serrana.
Atualmente, a agência conta com cerca de 200 colaboradores para a distribuição de conteúdos. O jornalista ressalta que a grande mídia não pode deixar de relatar e mostrar a verdade dos fatos, que é o seu papel principal. “Se ela não relatar, nós vamos fazer isso”, acrescenta.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.





