Jornalista invade jornal de TV estatal russa para protestar contra a guerra
Marina Ovsyannikova entrou com um cartaz pedindo para que a população não acredite nas notícias
Atualizado em 15/03/2022 às 10:03, por
Denise Bonfim.
Diante da rede de desinformação criada pelas mídias estatais russas sobre a guerra da Ucrânia, uma funcionária do canal 1 invadiu a programação ao vivo para protestar contra o conflito.
Enquanto a transmissão acontecia, Marina Ovsyannikova entrou na tela com um cartaz dizendo "Não acredite na propaganda. Eles estão mentindo para vocês aqui". Ela também gritou "Parem com a guerra! Não à guerra!".
Em uma mensagem gravada anteriormente, Marina, que é filha de um ucraniano, afirmava que tinha vergonha de ser funcionária do canal estatal, e chamou atenção sobre a forma como as atitudes de Vladimir Putin são recebidas e respondidas pelos russos. Crédito:Reprodução
Jornalista protesta ao vivo em canal estatal russo "O que está acontecendo na Ucrânia é um crime e a Rússia é a agressora", disse. "Nós não protestamos quando o Kremlin envenenou Alexei Navalny. Nós silenciosamente observamos esse regime desumano. Agora o mundo inteiro virou as costas para nós, e nem dez gerações de nossos descendentes vão limpar essa guerra entre irmãos".
Marina pode ser processada pela recém-criada lei que proíbe qualquer menção à palavra "guerra" por jornalistas quando o assunto é a invasão da Ucrânia. Se acusada, ela pode pegar até 15 anos de prisão.
Segundo a Agência Tass, o Canal 1 está lidando com a questão de forma interna. Marina foi parabenizada por Mikhail Podaliak, assessor da presidência da Ucrânia.
Perseguição e repressão
Para fugir da nova legislação e da repressão do governo russo contra tudo que é veiculado nas mídias estatais, jornalistas russos mudaram de país e comandam uma cobertura de outros países.
Segundo uma reportagem do Estadão, o Mediazona, veículo que tem mais de 20 repórteres, está dividido desde o último dia 4 de março. Serguei Smirnov, editor, está na Lituânia, enquanto os profissionais se dividem entre Tbilisi, na Georgia, Instanbul, na Turquia e República Checa.
No domingo, o portal publicou uma série de reportagens sobre as ações policiais em São Petesburgo, onde ocorreu um protesto contra a guerra.
O jornalista Dmitri Semenov, que também fugiu para a Lituânia, tem trabalhado para um canal de TV do país abordando a migração para o livre exercício da profissão.
"Neste momento, qualquer fuga da Rússia é boa; qualquer cidade que você vá é melhor que ficar dentro do país", disse. Segundo ele, mesmo jornalistas de mídias estatais estão deixando a Rússia.
O governo de Putin também tem feito com que profissionais de outras áreas deixem a Rússia. Segundo uma estimativa de um economista russo publicada pela BBC, cerca de 200 mil russos deixaram o país desde o início da guerra.
Muitos deles, intelectuais e estudiosos, o que gera o fenômeno conhecido como "fuga de cérebros".
Enquanto a transmissão acontecia, Marina Ovsyannikova entrou na tela com um cartaz dizendo "Não acredite na propaganda. Eles estão mentindo para vocês aqui". Ela também gritou "Parem com a guerra! Não à guerra!".
Em uma mensagem gravada anteriormente, Marina, que é filha de um ucraniano, afirmava que tinha vergonha de ser funcionária do canal estatal, e chamou atenção sobre a forma como as atitudes de Vladimir Putin são recebidas e respondidas pelos russos. Crédito:Reprodução
Jornalista protesta ao vivo em canal estatal russo "O que está acontecendo na Ucrânia é um crime e a Rússia é a agressora", disse. "Nós não protestamos quando o Kremlin envenenou Alexei Navalny. Nós silenciosamente observamos esse regime desumano. Agora o mundo inteiro virou as costas para nós, e nem dez gerações de nossos descendentes vão limpar essa guerra entre irmãos". Marina pode ser processada pela recém-criada lei que proíbe qualquer menção à palavra "guerra" por jornalistas quando o assunto é a invasão da Ucrânia. Se acusada, ela pode pegar até 15 anos de prisão.
Segundo a Agência Tass, o Canal 1 está lidando com a questão de forma interna. Marina foi parabenizada por Mikhail Podaliak, assessor da presidência da Ucrânia.
Perseguição e repressão
Para fugir da nova legislação e da repressão do governo russo contra tudo que é veiculado nas mídias estatais, jornalistas russos mudaram de país e comandam uma cobertura de outros países.
Segundo uma reportagem do Estadão, o Mediazona, veículo que tem mais de 20 repórteres, está dividido desde o último dia 4 de março. Serguei Smirnov, editor, está na Lituânia, enquanto os profissionais se dividem entre Tbilisi, na Georgia, Instanbul, na Turquia e República Checa.
No domingo, o portal publicou uma série de reportagens sobre as ações policiais em São Petesburgo, onde ocorreu um protesto contra a guerra.
O jornalista Dmitri Semenov, que também fugiu para a Lituânia, tem trabalhado para um canal de TV do país abordando a migração para o livre exercício da profissão.
"Neste momento, qualquer fuga da Rússia é boa; qualquer cidade que você vá é melhor que ficar dentro do país", disse. Segundo ele, mesmo jornalistas de mídias estatais estão deixando a Rússia.
O governo de Putin também tem feito com que profissionais de outras áreas deixem a Rússia. Segundo uma estimativa de um economista russo publicada pela BBC, cerca de 200 mil russos deixaram o país desde o início da guerra.
Muitos deles, intelectuais e estudiosos, o que gera o fenômeno conhecido como "fuga de cérebros".





