Jornalista inglesa que denunciou irregularidades em UPPs é detida no RJ

A jornalista e cineasta inglesa Vik Birkbeck, radicada há mais de 40 anos no Brasil, foi presa sem explicações por três homens da operação policial Lapa Presente, no último sábado (25/4), em Santa Teresa (RJ), após resistir à abordagem deles, uma vez que queriam revistá-la.

Atualizado em 29/04/2015 às 10:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Birkbeck, radicada há mais de 40 anos no Brasil, foi presa sem explicações por três homens da operação policial Lapa Presente, no último sábado (25/4), em Santa Teresa (RJ), após resistir à abordagem deles, uma vez que queriam revistá-la. Ela ficou detida por sete horas.
Crédito:Reprodução/Faebook Jornalista (centro) foi detida por 7 horas após cobertura sobre violência policial das UPPs
"Queriam revistar a minha bolsa. Como estava sozinha, não estava fazendo nada de errado e a rua, já meio escura, bastante deserta, achei excessivo. Disse que só queria fazer isso em presença duma mulher. Quando insistiram, sugeri que fôssemos à delegacia. Tentarem ainda me convencer, disseram que como estrangeira seria levada à Polícia Federal, podia ser deportada … e eu insisti em ir à delegacia", conta ela em publicado no portal da Rádio Mamapress, para o qual colabora.
Ela relata que após ser ameaçada de deportação e humilhada, foi levada para uma sala para ser revistada nua por uma inspetora. Vik apenas conseguiu sair da delegacia após o telefonema de sua amiga Paula Kossatz, que entrou em contato com grupos Advogadas de Direitos Humanos. Segundo ela, a ligação fez com que os policiais refletissem sobre o grau de arbitrariedade que cometeram.
"'Vou revistar a senhora, disse a inspetora, me levando para um pequeno banheiro sujo. Tira a roupa toda.' Nesse momento a Paula Kossatz liga para mim e relato para ela o que está rolando. Ao ouvir eu relatando pelo telefone, a inspetora muda de ideia, diz que não será mais preciso tirar a roupa – só o sapato….. espera o próximo capítulo … em todo durou 7 horas – preciso dormir!", escreveu.
A jornalista ganhou notoriedade após publicar em suas redes sociais sua cobertura de protestos contra as irregularidades nas zonas de pacificação das Upps. Este é o terceiro caso recente de aos profissionais que cobrem as situações de violações de direitos civis e humanos no Rio de Janeiro.
O jornalista Francisco Chaves, que colabora com o Coletivo Mariachi e também para a Mamaterra, foi ameaçado de morte na porta de sua casa por cobrir aldeia Maracanã, e o fotógrafo Fabiano Rocha, do jornal Extra , foi ameaçado por postar nas redes sociais a foto de um soldado do BOPE usando uma máscara Ninja.