Jornalista freelancer há 10 anos dá dicas de como ser requisitado fora das redações
Autor de “O Manual do Frila, o jornalista fora da redação” (2010, Ed. Contexto), Maurício Oliveira, 40 anos, é jornalista freelancer profiss
ional há cerca de 10 anos, quando deixou a capital paulista – após atuar na Gazeta Mercantil, Veja e editora Contexto – para voltar a Florianópolis, onde vivia.
Na última década, agregando novos contatos à rede costurada durante a primeira fase da carreira, consolidou-se como profissional autônomo requisitado por veículos como Estadão e as revistas Exame , Você S/A , Viagem e Turismo , entre outros. Nem pensa em voltar aos empregos fixos.
“Ganho mais do que antes, principalmente, em função da minha dedicação ao trabalho, porque, como freela, você também acaba definindo o que você pode fazer. Somando todos os aspectos, diria que estou mais satisfeito hoje do que quando era empregado”, garante.
Realizando em média quatro a cinco trabalhos mensais, além de anuários e edições especiais, o jornalista considera fundamental a experiência prévia como empregado. “Não adianta tapar o sol com a peneira, as pessoas contratam quem elas conhecem”. O que não exclui escolhas melhores que outras para trilhar o desafio da autonomia profissional. Confira a entrevista:
IMPRENSA - Qual é o erro mais comum dos que desejam ser freelancer?
MAURÍCIO OLIVEIRA - As pessoas têm uma visão um pouco romantizada, que é pensar numa pauta, desenvolver uma ideia e tentar encontrar o lugar para publicar. Isso é roubada. Lógico que não é impossível, mas é muito desgastante. É muito importante ter uma rodagem como empregado. No meu caso, 85% são pautas sob demanda e 15% de pautas que consegui indicar, aproveitando esses contatos. Por isso, acho complicado para um recém-formado virar frila, assim como é complicado para ele virar empreendedor.
Como o repórter ainda pouco conhecido no mercado deve começar? Vale a pena, por
Crédito: eDITORA cONTEXTOexemplo, ligar diretamente para a redação? Qual é a melhor abordagem?
Ligar para a redação não é um caminho muito bom, é meio invasivo. Geralmente, o editor está preocupado com um monte de coisa. O e-mail é o canal perfeito para isso, onde você consegue desenvolver uma ideia. Nessas condições, o único caminho é apresentar a pauta de uma forma muito amarrada, muito bem construída, sem ser, no entanto, uma matéria pré-apurada.
Conseguidas as primeiras oportunidades, como se manter como um freela requisitado?
Sempre digo que o freela tem como único capital inicial sua reputação. As pessoas acham que têm que ser algo muito especial. Se você faz o básico, você já se diferencia no mercado. Fazer o básico significa cumprir o prazo, entregar o trabalho com uma qualidade mínima e regular, manter um relacionamento cordial com quem o contrata e estar à disposição para ajustes e ampliações de texto.
O que não fazer?
Não cumprir esses quatro pontos. Além disso, ter em mente que quem contrata não quer ter confusão, discussões às vezes inúteis sobre as minúcias do preço. Aposto muito mais no desenvolvimento de relações de longo prazo, que chamo de “casamento”, em que você estabelece uma relação em que, às vezes, você abre mão de uma coisa ou outra.
Existe um perfil mais adequado à vida de “freela”?
Há características da vida de freela como a liberdade de horário. Um expediente mais regular não combina muito com o freela. Outra coisa é a imprevisibilidade do rendimento. Além disso, a capacidade de lidar com várias tarefas ao mesmo tempo. Já vi muito amigos que se angustiavam muito com isso de ficar com várias pastas abertas simultaneamente. O freela é aquele chinesinho que fica rodando os pratos sem deixar nenhum cair. O último aspecto é a solidão. Você não tem mais colega de trabalho, nem um sobrenome – “Sou fulano da Folha de S.Paulo ”. Você não tem mais isso.






