Jornalista ex-reféns do Estado Islâmico falam sobre convivência com Foley no cativeiro

Colegas de prisão de James Foley, decapitado esta semana, falaram á imprensa internacional sobre o jornalista.

Atualizado em 22/08/2014 às 16:08, por Redação Portal IMPRENSA.

O francês Didier François e o sírio Omar Alkhani falaram na última quinta-feira (21/8) a veículos de imprensa internacionais sobre a morte do norte-americano James Foley, decapitado em vídeo que circulou o mundo esta semana. Os três foram colegas de prisão enquanto reféns do grupo fundamentalista Estado Islâmico.
"Eles torturavam todo mundo. Eles diziam: 'Você é um espião, você trabalha com jornalistas', ou 'você fotografa para dizer ao mundo todo como o Estado Islâmico é ruim'", disse o fotógrafo Omar Alkhani à revista alemã Deutsche Welle . Segundo ele, Foley era mantido em uma cela ao lado, de onde era possível ouvir sua voz e suas conversas com companheiros de prisão.
Crédito:Reprodução Omar Alkhani (esq.) e Didier François (dir.) estiveram no mesmo cativeiro que Jim foley
Alkhani diz que viu o jornalista - a quem chama de Jim - pela última vez no Natal de 2013. "Ele era uma pessoa muito gentil, com os amigos e até mesmo com os guardas da prisão. Ele ria o tempo todo, fazia sempre piadas que faziam todos rir. Na época não haviam feito nada de ruim com ele nem conosco. Assim eu me lembro do tempo com Jim. Não sei como era em outras prisões, pois ele foi levado para outra prisão, enquanto eu fiquei lá", contou o fotógrafo.
Segundo a Folha de S.Paulo , o jornalista Didier François concedeu entrevista à rádio Europe 1 sobre o assunto. Disse não ter certeza se reconhece o rosto de Foley nas imagens da execução, mas conta detalhes sobre o que sabia do norte-americano. "Se você divulgar o fato de eles estarem presos ou que você esteve junto com eles, represálias atingirão eles", explicou François sobre a demora em falar ao público.
O francês disse ainda que Foley passou a ser mais mal-tratado quando os extremistas descobriram que ele tinha parentes na Força Aérea dos EUA. "Assim que ele saiu de um café em Idlib [cidade ao norte da Síria], foi interceptado por membros do Estado Islâmico", revelou.