Jornalista escreve livro sobre nomofobia, o medo de ficar sem acesso ao celular e às redes sociais

Quando o jornalista André Senador pensou em um tema para seu mestrado em “Inovação e Tecnologia na Comunicação”, ele queria falar sobre algoque envolvesse o comportamento das pessoas e seus relacionamentos em relação às redes sociais.

Atualizado em 20/07/2018 às 08:07, por Marcia Rodrigues.

Conversando com o seu orientador, Fabio Botelho Josgrilberg, da Universidade Metodista de São Paulo, identificou a nomofobia como um tema novo e relevante para ser pesquisado. Crédito:iStock/Getty Images


A dissertação se transformou no livro “Nomofobia 2.0 e outros excessos na era dos relacionamentos digitais”, lançado em abril deste ano pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (aberje) editorial.


“O termo, que surgiu da contração da expressão em inglês "no mobile" (sem celular), identifica o distúrbio que, diante da ausência de acesso ou de conexão aos smartphones, faz a pessoa sentir ansiedade e desconforto. O uso intensivo dos celulares ou smartphones, por si só, não caracteriza necessariamente a nomofobia. Ela é observada quando a pessoa passa a ter dificuldade em interromper a navegação e prefere a abandonar as atividades e relações presencias para, ao invés disso, permanecer no mundo virtual”, diz o jornalista.


Para o autor, que deixou o cargo de diretor de comunicação da Volkswagen há duas semanas, não há problema no uso intensivo dos smartphones e das redes sociais, desde que não haja dificuldade em interromper o uso destes recursos e se dedicar a outras tarefas, aos relacionamentos ou ao lazer. Segundo ele, o sinal de alerta soa quando a pessoa começa a preferir navegar no universo virtual ao invés de lidar, efetivamente, com o mundo real.


No livro, entre outros temas, o autor aborda o quanto as tecnologias de comunicação nos acompanham ao longo dos anos e o seu impacto em nossas vidas. Ele lembra que há pouco mais de duas décadas, por exemplo, havia a preocupação com o surgimento do e-mail, e como ele impactava nossas vidas, na medida em que extrapolava o horário comercial e levava as pessoas a continuarem trabalhando à noite ou aos finais de semana.


“Atualmente, com as redes sociais, ocorre algo parecido, só que com maior potencial de atratividade. As redes são fascinantes, queremos fazer parte. O desafio é justamente buscar o equilíbrio, praticar atividades ao ar livre, estabelecer janelas de desconexão ao longo do dia e reforçar os relacionamentos presenciais e as relações de afeto. E lembrar que nenhuma comunicação será mais eficiente do que as relações olhos nos olhos.”


No livro, o autor afirma que “procura refletir, justamente, sobre esta dualidade entre os extraordinários benefícios trazidos por estes aparelhos e pelas redes sociais e, de outra parte, o risco do uso excessivo destes aparelhos”.


“A esperança é que saibamos conduzir o seu uso de forma equilibrada para que elas possam, cada vez mais, beneficiar a todos de uma maneira geral”.


O livro “Nomofobia 2.0 e outros excessos na era dos relacionamentos digitais” já está à venda no site da .


Leia mais