Jornalista é proibido de falar sobre obra da Prefeitura de Alfenas - MG

Jornalista é proibido de falar sobre obra da Prefeitura de Alfenas - MG

Atualizado em 19/06/2008 às 18:06, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

Por

Há mais de dois meses, o jornalista e músico Frederico Mendonça de Oliveira está proibido de publicar em qualquer meio de comunicação artigos sobre "a praça do juiz", uma obra construída na cidade de Alfenas, em Minas Gerais, que o jornalista julga como "ilícita".

A proibição veio de uma liminar judicial expedida em abril deste ano, que determinou que Fredera, como é conhecido, retirasse do ar o artigo de seu blog, The Tweet, e todas as matérias que fizessem referência ao assunto em um prazo de 24h, sob pena de multa diária de R$ 500.

"Um juiz e o juízo final" foi escrito por Fredera para denunciar uma praça construída pelo juiz Paulo Cássio Moreira, teoricamente em parceria com o prefeito de Alfenas, Pompílio Canavez.

Fontes do Portal IMPRENSA afirmam que Moreira teria construído uma área verde em seu bairro utilizando "pessoal e material da prefeitura e de empresas privadas para lavar dinheiro". Ainda assim, a fonte acredita que a obra "simplesmente não existe, porque não foi documentada. Trata-se de um ilícito público absolutamente sem documentação".

Em seus artigos, o jornalista questionava a legalidade da construção do juiz e, sob queixa-crime por calúnia e difamação e sob indenizatória por danos morais, está agora proibido de se pronunciar publicamente sobre o assunto.

O envolvimento do prefeito na obra, segundo fonte, diz respeito à suposta compensação executada pelo juiz, que teria livrado o político de três processos. "Quando apertou o cerco da investigação, o meritíssimo solicitou a obra, e o prefeito não pôde negar".

Procurada pelo Portal IMPRENSA, a assessoria do prefeito de Alfenas afirmou que o projeto do juiz foi o de "melhorar uma área verde mal cuidada de seu bairro, o mesmo do jornalista". Ainda segundo a assessoria, o juiz fez convênios com a universidade e outros moradores para realizar a obra e protocolou o projeto, "iniciando-o somente depois da aprovação da Prefeitura".

No entanto, a assessoria afirma que o prefeito está fora dos autos. "Isso diz respeito apenas ao jornalista, à mulher dele e ao juiz", finaliza a assessoria.