Jornalista e professor toma posse como imortal da Academia de Letras da Bahia
Organização estreita ainda mais sua relação com a profissão, que representa quase metade dos imortais da academia
Em uma relação cada vez mais estreita com o jornalismo, a Academia de Letras da Bahia (ALB) empossa nesta sexta (19) mais um jornalista, o escritor e professor Emiliano José. Ele ocupará a cadeira de número 1, que pertencia ao historiador Luís Henrique Dias Tavares.
Crédito:ABIAos 74 anos de idade, o futuro imortal possui 16 livros publicados e contou à Associação Bahiana de Imprensa (ABI) que acredita que foi o jornalismo que o gabaritou para assumir a posição.
"Quem chega à Academia, neste caso, são os jornalistas junto comigo. Esse é um reconhecimento de minha trajetória como homem da palavra e da escrita, não está em causa o parlamentar ou nada disso, mas a minha tradução das palavras como homem da escrita", disse o escritor para ABI.
Outros 19 nomes que ocupam as cadeiras da ALB têm alguma relação com a profissão. São repórteres e editores dos jornais A Tarde, Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, e outros, além de colunistas, cronistas, articulistas, diretores e fundadores de veículos de imprensa locais e nacionais.
Emiliano foi eleito em novembro para ocupar a cadeira e toma posse em um evento virtual marcado para as 19h, por conta da pandemia de covid-19. O evento será transmitido pelo , e será dirigido pelo acadêmico Ordep Serra, recém-eleito presidente da entidade. Depois do discurso de agradecimento, o mais novo imortal será saudado pelo arquiabade do Mosteiro de São Bento, Dom Emanuel D’Able do Amaral, membro da Academia.
À ABI, Emiliano falou sobre como se sente agradecido pela honraria. “A minha fala vai tentar traduzir o agradecimento e ao mesmo tempo lembrar os meus antecessores, e de modo muito especial do professor Luís Henrique Dias Tavares [falecido ano passado], provavelmente o mais importante historiador da vida baiana. Será um momento muito significativo”, destacou.
Carreira
O jornalista e escritor tinha 28 anos quando chegou como “foca” à redação do jornal Tribuna da Bahia, sua primeira casa, anos depois de deixar a prisão no período da ditadura.
Como professor, ajudou a formar gerações de jornalistas e escritores baianos, em mais de 20 anos de atuação na Faculdade de Comunicação da UFBA.
“Chego à Academia graças ao jornalismo. Agradeço profundamente ao mundo do jornalismo, aos meus colegas e minhas colegas, aqueles que conviveram comigo e me ensinaram, deram o caminho das pedras. Eu fico muito comovido ao lembrar que essa trajetória é devida principalmente aos amigos e amigas jornalistas, que me deram régua e compasso”, afirma Emiliano José.
Ele utilizou o momento também para fazer uma crítica ao governo brasileiro pela atuação negativa durante a pandemia. “Eu sempre conto com muita gente nos lançamentos dos meus livros e nas atividades que participo, mas amanhã terei que tentar juntar algumas pessoas na web. Vivemos sob uma pandemia, seriamente agravada por um governo negacionista, genocida. Não tem outra palavra, já que ultrapassamos 3 mil mortes por Covid ao dia. É uma trágica situação a nossa. A posse não poderia ser de outra maneira”, defende.
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