Jornalista é processado por ex-policial do DOPS por livro sobre Operação Condor
Jornalista é processado por ex-policial do DOPS por livro sobre Operação Condor
| Reprodução |
| Capa do livro |
O jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro "Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios" - que narra o sequestro de Universindo Diaz, Lílian Celiberti e seus dois filhos em Porto Alegre, em 1978 - está sendo processado por João Augusto da Rosa, ex-policial do DOPS que usava o codinome Irno.
Na época, Cunha era chefe da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, e descobriu o sequestro dos uruguaios após receber um telefonema anônimo. Ele e o fotógrafo João Baptista Scalco foram ao apartamento onde a família morava; confundidos com companheiros de Lilian e Universindo, foram recebidos por homens armados. Um deles era Irno.
A descoberta dos jornalistas prejudicou o sigilo da operação clandestina, e evitou que os sequestrados fossem mortos. As duas crianças foram entregues, dias depois, aos avós, e o casal, preso e torturado no Brasil, passou cinco anos nas prisões militares do Uruguai.
Condenado em 1980, o ex-policial do DOPS está processando Cunha por dano moral. Ele alega que o jornalista, ao escrever o livro, não menciona sua absolvição por "falta de provas" no recurso que apresentou em 1983, em segunda instância.
"Quando se publica um livro sobre esse tipo de violência, estamos preparados para tudo. Acho o processo ridículo, pois na época da publicação da série de reportagens não houve processo nenhum. E trinta anos depois, quando reconto a história no livro, ele resolve abrir um processo contra mim. Não sei qual é a intenção, mas é uma coisa sem sentido", afirmou Cunha ao Portal IMPRENSA.
Para o jornalista, é estranho que o ex-policial "tente fazer isso na democracia, quando não fez na ditadura". A audiência está marcada para a próxima quinta-feira (04/02), às 15h, na 18º Vara Cível, no Foro Central de Porto Alegre.
Como testemunhas de defesa, o jornalista terá Ricardo Chaves, atual editor de fotografia do Zero Hora , Pedro Maciel, editor-chefe do Jornal do Comércio - ambos da equipe da revista Veja na época - e a própria Lílian Celiberti. "Ela vai ter a chance de ficar cara a cara com o seu sequestrador, e mostrar quem está mentindo e quem está falando a verdade", disse Cunha.
Publicado pela L&PM, o livro "Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios", recebeu em 2009 o troféu Jabuti da Câmara Brasileira do Livro e a Menção Honrosa do prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
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