Jornalista é condenado a 25 anos de prisão em Moscou; veja esse e outros casos de ataques de Putin à imprensa
Detido provisoriamente em Moscou desde abril de 2022, o jornalista e político russo Vladimir Kara-Murza foi condenado ontem a 25 anos de prisão pela Justiça do país.
Atualizado em 17/04/2023 às 16:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
Kara-Murza também foi condenado a pagar uma multa de 400.000 rublos (cerca de R$ 20 mil) e foi proibido de exercer atividades jornalísticas por sete anos.
Ele foi preso após ter condenado a guerra da Ucrânia na Câmara dos Deputados do Arizona, nos Estados Unidos. Advogada do jornalista, Maria Eismont disse que um recurso será interposto com base em “várias violações processuais graves" que teriam sido cometidas durante o julgamento do caso. Crédito: Reprodução Comitê de Proteção a Jornalistas/Reuters/Shamil Zhumatov Protesto realizado em Moscou em 2019 contra controle governamental da internet na Rússia Veja abaixo uma lista elaborada pelo Portal IMPRENSA com algumas das violências cometidas contra profissionais de imprensa russos. A lista foi elaborada por ocasião da visita oficial do ministro de relações exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, ao Brasil.
2006 Anna Politkovskaya, repórter investigativa do jornal Novaya Gazeta conhecida por suas críticas ao governo Putin e ao conflito na Chechênia, foi assassinada a tiros em seu apartamento em Moscou. Retratos de Anna permaneceram nas paredes da redação do veículo até seu fechamento, no ano passado, em meio à onda de censura e repressão à imprensa promovida pelo Kremlin para tentar conter a repercussão negativa da guerra na Ucrânia.
2009 Natalya Estemirova, defensora dos direitos humanos e jornalista investigativa, foi sequestrada em Grozny, Chechênia, e encontrada morta algumas horas depois, com ferimentos a bala no peito e na cabeça. Ela tinha 50 anos e era conhecida por expor abusos de direitos humanos cometidos na Chechênia e em outras partes da região do Cáucaso Norte da Rússia.
2018 Maksin Borodin, jornalista investigativo, morreu em circunstâncias suspeitas, após cair da varanda de seu apartamento. Ele investigava a morte de mercenários russos em um ataque na Síria. Borodin era repórter do jornal Novy Den, na cidade de Ekaterimburgo, no Ural. Ele também investigou abusos cometidos por uma organização paramilitar na Chechênia. Sua morte é considerado emblemática do clima perigoso para jornalistas independentes na Rússia.
2022 Após o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro, governo Putin bloqueou redes sociais e mais de 5 mil sites russos. Também obrigou veículos de imprensa a se referirem à guerra como "invasão militar especial" e editou uma lei prevendo até 15 anos de prisão para quem divulgar "informações falsas" sobre o conflito. A lei levou ao fechamento de veículos de imprensa independentes, dando às autoridades amplo poder para censurar conteúdo considerado ofensivo ou crítico ao governo, fechar veículos de imprensa e deter jornalistas independentes, acusando-os de difamação e outros crimes. Entre os veículos de imprensa que foram fechados estão a RBC, um dos principais meios de comunicação independentes do país, e a revista online The New Times. A rádio Echo Moskvy, conhecida por sua cobertura crítica do governo, teve sua programação encurtada e perdeu vários de seus principais apresentadores.
2022 O jornalista búlgaro Christo Grozev, diretor-geral do site de jornalismo investigativo Bellingcat, foi incluído na lista de pessoas procuradas pelas autoridades da Rússia. Especializado na análise de dados disponíveis on-line, também chamada de Osint (sigla para "Open Source Intelligence"), o Bellingcat focou seus esforços investigativos na invasão russa da Ucrânia. Antes disso, o veículo investigou o atentado contra o voo MH17, que ocorreu no leste da Ucrânia em 2014 e deixou 298 mortos. Também teriam irritado o Kremlin suas reportagens sobre o envolvimento de autoridades russas nos envenenamentos do agente Serguei Skripal e do político de oposição Alexei Navalny.
2023 No dia 6 de fevereiro, as autoridades de Kazan, capital da República Russa do Tartaristão, condenaram à prisão o colunista Iskander Yasaveyev, da emissora RFE/RL. Já a jornalista Maria Ponomarenko recebeu uma pena de prisão de nove anos por publicar no Telegram notícias sobre bombardeio em teatro ucraniano. Yasaveyev foi condenado por incitar o ódio contra políticos em um artigo crítico à guerra de junho de 2022.
2023
Kremlin ordena a prisão de Evan Gerchkovitch, repórter do jornal americano Wall Street Journal, sob acusação pelo serviço de segurança russo (FSB, ex KGB) de espionagem e de colher informações consideradas segredo de Estado. Foi o primeiro caso do gênero desde a Guerra Fria. A última prisão de um jornalista dos EUA na Rússia por acusação de espionagem havia ocorrido em setembro de 1986. Na ocasião, o repórter Nicholas Daniloff, correspondente em Moscou do U.S. News and World Report, foi preso pela KGB. Daniloff foi libertado 20 dias depois, em uma troca por um funcionário da União Soviética nas Nações Unidas, que havia sido preso pelo FBI.
Ele foi preso após ter condenado a guerra da Ucrânia na Câmara dos Deputados do Arizona, nos Estados Unidos. Advogada do jornalista, Maria Eismont disse que um recurso será interposto com base em “várias violações processuais graves" que teriam sido cometidas durante o julgamento do caso. Crédito: Reprodução Comitê de Proteção a Jornalistas/Reuters/Shamil Zhumatov Protesto realizado em Moscou em 2019 contra controle governamental da internet na Rússia Veja abaixo uma lista elaborada pelo Portal IMPRENSA com algumas das violências cometidas contra profissionais de imprensa russos. A lista foi elaborada por ocasião da visita oficial do ministro de relações exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, ao Brasil.
2006 Anna Politkovskaya, repórter investigativa do jornal Novaya Gazeta conhecida por suas críticas ao governo Putin e ao conflito na Chechênia, foi assassinada a tiros em seu apartamento em Moscou. Retratos de Anna permaneceram nas paredes da redação do veículo até seu fechamento, no ano passado, em meio à onda de censura e repressão à imprensa promovida pelo Kremlin para tentar conter a repercussão negativa da guerra na Ucrânia.
2009 Natalya Estemirova, defensora dos direitos humanos e jornalista investigativa, foi sequestrada em Grozny, Chechênia, e encontrada morta algumas horas depois, com ferimentos a bala no peito e na cabeça. Ela tinha 50 anos e era conhecida por expor abusos de direitos humanos cometidos na Chechênia e em outras partes da região do Cáucaso Norte da Rússia.
2018 Maksin Borodin, jornalista investigativo, morreu em circunstâncias suspeitas, após cair da varanda de seu apartamento. Ele investigava a morte de mercenários russos em um ataque na Síria. Borodin era repórter do jornal Novy Den, na cidade de Ekaterimburgo, no Ural. Ele também investigou abusos cometidos por uma organização paramilitar na Chechênia. Sua morte é considerado emblemática do clima perigoso para jornalistas independentes na Rússia.
2022 Após o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro, governo Putin bloqueou redes sociais e mais de 5 mil sites russos. Também obrigou veículos de imprensa a se referirem à guerra como "invasão militar especial" e editou uma lei prevendo até 15 anos de prisão para quem divulgar "informações falsas" sobre o conflito. A lei levou ao fechamento de veículos de imprensa independentes, dando às autoridades amplo poder para censurar conteúdo considerado ofensivo ou crítico ao governo, fechar veículos de imprensa e deter jornalistas independentes, acusando-os de difamação e outros crimes. Entre os veículos de imprensa que foram fechados estão a RBC, um dos principais meios de comunicação independentes do país, e a revista online The New Times. A rádio Echo Moskvy, conhecida por sua cobertura crítica do governo, teve sua programação encurtada e perdeu vários de seus principais apresentadores.
2022 O jornalista búlgaro Christo Grozev, diretor-geral do site de jornalismo investigativo Bellingcat, foi incluído na lista de pessoas procuradas pelas autoridades da Rússia. Especializado na análise de dados disponíveis on-line, também chamada de Osint (sigla para "Open Source Intelligence"), o Bellingcat focou seus esforços investigativos na invasão russa da Ucrânia. Antes disso, o veículo investigou o atentado contra o voo MH17, que ocorreu no leste da Ucrânia em 2014 e deixou 298 mortos. Também teriam irritado o Kremlin suas reportagens sobre o envolvimento de autoridades russas nos envenenamentos do agente Serguei Skripal e do político de oposição Alexei Navalny.
2023 No dia 6 de fevereiro, as autoridades de Kazan, capital da República Russa do Tartaristão, condenaram à prisão o colunista Iskander Yasaveyev, da emissora RFE/RL. Já a jornalista Maria Ponomarenko recebeu uma pena de prisão de nove anos por publicar no Telegram notícias sobre bombardeio em teatro ucraniano. Yasaveyev foi condenado por incitar o ódio contra políticos em um artigo crítico à guerra de junho de 2022.
2023
Kremlin ordena a prisão de Evan Gerchkovitch, repórter do jornal americano Wall Street Journal, sob acusação pelo serviço de segurança russo (FSB, ex KGB) de espionagem e de colher informações consideradas segredo de Estado. Foi o primeiro caso do gênero desde a Guerra Fria. A última prisão de um jornalista dos EUA na Rússia por acusação de espionagem havia ocorrido em setembro de 1986. Na ocasião, o repórter Nicholas Daniloff, correspondente em Moscou do U.S. News and World Report, foi preso pela KGB. Daniloff foi libertado 20 dias depois, em uma troca por um funcionário da União Soviética nas Nações Unidas, que havia sido preso pelo FBI.





