Jornalista é assassinado no México dias após dossiê sobre violência contra a imprensa; veja dados
Levantamento diz que houve centenas de agressões e dezenas de prisões arbitrárias só no primeiro semestre
Dias após a publicação de um estudo sobre o número de agressões sofridas por jornalistas na América Latina entre janeiro e junho deste ano, o jornalista mexicano Pablo Morrugares foi assassinado a tiros em Iguala, estado de Guerrero, no Sul do país.
Crédito:Reprodução / Redes Sociais Pablo MorrugaresPablo trabalhava no jornal PM Notícias com reportagens policiais em uma das regiões mais violentas do país. Segundo a polícia, ele foi morto na madrugada de domingo em um bar, onde estava na companhia de seu segurança, um policial, que também foi executado.
A Comissão de Direitos Humanos do Estado de Guerrero afirmou que, "dentro das linhas de investigação, deve-se dar prioridade àquela relacionada à sua atividade jornalística". O órgão condenou o crime e cobrou do promotor público investigação imediata para identificar e prender os autores.
Segundo uma contagem da AFP, Pablo Morrugares é o quarto jornalista mexicano assassinado em 2020.
Os números do México (América do Norte) não constam no dossiê publicado na semana passada, que abrange apenas os países da América do Sul. Mas o fato reflete uma realidade para a imprensa, que tem piorado com a pandemia de coronavírus.
De acordo com o estudo desenvolvido pela “Voces del Sur”, composto pela Associação Brasileira de Jornalismo (Abraji) e mais dez organizações da sociedade civil, foram registrados 630 ataques contra jornalistas da América Latina entre janeiro e junho de 2020.
O dossiê “182 dias de contrastes: a situação da imprensa na América Latina” afirma que 708 profissionais e veículos de imprensa foram alvo dos ataques.
Desse total, 225 foram agressões, 126 foram discursos estigmatizantes, 77 restrições na internet, 43 detenções arbitrárias, 6 sequestros, 3 torturas e 1 assassinato. Veja pesquisa completa:
Ainda conforme o levantamento, a maioria dos ataques, 453 no total, veio de dentro do Estado. Outros 61 foram praticados por desconhecidos e 95 por pessoas de fora do Estado.
A pesquisa é resultado do monitoramento de ações contra a imprensa e a liberdade de expressão em 11 países.
Prisão na Guatemala
Um dos casos citados no dossiê é a prisão de um jornalista comunitário na Guatemala. Francisco Choc, conhecido como 'El Chivo', que atua no município de Nahualá, Sololá, na Guatemala, foi preso em 11 de junho pela Polícia Nacional Civil enquanto atuava como correspondente do noticiário local Nim TV.
Choc estava cobrindo um confronto entre autoridades e moradores de Nahualá e Santa Catarina Ixtahuacán, municípios do departamento de Sololá, depois que o governo decretou um estado de sítio em 30 de maio por causa de um confronto entre membros da comunidade onde uma pessoa morreu.
O jornalista foi detido por moradores de Santa Catarina Ixtahuacán, que o separaram de sua equipe de trabalho e depois o entregaram a agentes da Polícia Civil Nacional, sob acusação de porte de munição de arma de fogo. Choc passou seis dias em uma prisão no departamento de Chimaltenango, até conseguir que um juiz ouvisse seu primeiro depoimento e fosse libertado.
PL das Fake News
Outra preocupação apontada pelo estudo são as legislações que pretendem combater fake news, mas podem se tornar ameaças à liberdade de expressão, como o PL 2630/2020, que tramita no Brasil. A Abraji diz que acompanha a tramitação para que haja “amplo debate” antes da criação da lei.





