Jornalista diz que biógrafos são “espécie’’ prestes a entrar em extinção

O escritor e pesquisador Lira Neto, autor da trilogia sobre a trajetória do ex-presidente Getúlio Vargas, afirmou que, se a lei que obriga autores a terem permissão de biografados e herdeiros não mudar, ele não escreverá mais livros do gênero.

Atualizado em 18/10/2013 às 12:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Ele é autor também de biografias como a do ex-presidente Castello Branco, da cantora Maysa, e de Padre Cícero.


Crédito:Renato Parada Para o jornalista, não há porque pagar o biografado ou seus familiares por este tipo de trabalho


De acordo com O Estado de S.Paulo , a posição do escritor ocorre dias depois do jornalista Mário Magalhães declarar que não vai mais escrever biografias se a lei não for alterada. “Desisto de biografias, enquanto perdurarem os ameaçadores garrotes da censura”, relatou em seu blog.


Para Lira Neto, os biógrafos são uma “espécie’’ prestes a entrar em extinção. “Ruy Castro já disse que não faz mais biografias enquanto tudo não estiver resolvido. Fernando Moraes contou que vai pelo mesmo caminho.” Ele ressalta que a não alteração da lei coloca em risco a narrativa histórica do País.


O próximo projeto do escritor seria a biografia de Filinto Müller, chefe da polícia política nos anos de ditadura, acusado de práticas de tortura. Lira destaca que é contrário à prática de pagamento de porcentagens a familiares. “Você no jornal paga para entrevistar alguém?” “Como vou pagar para minha fonte? Não posso me tornar sócio dela”.


Ele entende que o que está em questão por trás das oposições de liberdade de expressão e direito à privacidade é de caráter financeiro. “Nem acho que queiram tanta participação nos lucros dos livros, eles sabem que é pouco. Mas estão de olho no que isso pode render quando seus direitos forem vendidos para produções cinematográficas e de TV. Esse é o alvo”, afirma.


O projeto de lei a ser votado na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado federal Newton Lima (PT), e a ação direta de inconstitucionalidade dirigida pela Anel (Associação Nacional dos Editores de Livros) no STF, tentam alterar o artigo 20 do Código Civil. A ministra Cármen Lúcia solicitou audiência pública para os dias 20 e 21 de novembro para debater o tema.