Jornalista descreve tensão vivenciada sob mira de soldado russo na Ucrânia
A jornalista Olga Ivshina, repórter do Serviço Russo da BBC, relatou situação que viveu sob a mira de um soldado que controlava a base de Belbek, na Crimeia.
Atualizado em 07/03/2014 às 18:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
Segundo a BBC Brasil, o incidente ocorreu quando a jornalista decidiu caminhar nos arredores da base onde estavam outros profissionais. Tudo começou quando a repórter ouviu uma voz que vinha atrás de um arbusto: "não se mexa ou eu atiro!". Com dificuldades para fazer a cobertura dos acontecimentos, Olga relata que “bases militares não são projetadas para acomodar jornalistas - você fica em pé durante horas, sem tomadas ou banheiros. Vejo apenas uma estrada estreita e arbustos sem fim”.
Após o soldado gritar novamente, ela diz que ficou parada, com as mãos erguidas, repetindo junto com outros profissionais de imprensa que era jornalista. Em sequência, outros dois soldados chegaram e pediram para os jornalistas os acompanharem. “Acho que eles superestimaram a ameaça representada por nossa equipe, mas não falo isto para eles”.
“Jornalistas da BBC sofrem intimidação de militares vestidos de forma semelhante a russos. Caminhamos, passando por algumas trincheiras. As pessoas sentadas nestas trincheiras nos observam, surpresas. Entramos em um prédio de tijolos pequeno e arruinado, com alguns buracos de balas na parede”, relata Olga.
Os soldados verificaram as gravações que tinham sido feitas e pediram para apagar. A seguir, fiscalizaram as mochilas. Nelas, continham estojos de primeiros-socorros.
O oficial levou a jornalista para um lado e explicou como é importante evitar provocações, como os jornalistas ocidentais são parciais e como é importante para todos fazer um trabalho honesto. "E não venha mais aqui. No final das contas, vocês são cidadãos russos. Não quero atirar contra meu próprio povo", acrescentou.
Ao final, os soldados mostram como voltar à estrada principal e pediram aos profissionais de imprensa para não olharem para trás. "Olga, você e eu vamos nos encontrar de novo em Moscou", disse o oficial, com um sorriso irônico.





