Jornalista de gastronomia fala sobre o desafio de ser independente e relevante na web
Com a popularização da internet e a possibilidade de todos criarem sites e blogs sobre qualquer assunto, nem sempre é tarefa fácil para os jornalistas independentes conquistarem seu espaço.
Atualizado em 25/03/2014 às 15:03, por
Danúbia Paraizo.
Na editoria de gastronomia, o cenário é semelhante, principalmente devido à concorrência com as redes sociais. Com elas, os usuários podem fotografar e fazer suas próprias críticas de seus restaurantes favoritos.
O diferencial de quem escreve sobre o tema na web acaba sendo sua isenção jornalística e credibilidade. Mas para quem está começando, como atrair a atenção de internautas cada vez mais exigentes e ávidos pela notícia imediata? Como conquistar não só a tão sonhada credibilidade, mas também a independência financeira? Apesar desses questionamentos, há cinco anos, a jornalista Ailin Aleixo resolveu deixar os veículos tradicionais em busca de mais liberdade na internet. Surgia o , site que mistura um guia de restaurantes com críticas gastronômicas e notícias do segmento.
Crédito:Felipe Gombossi Ailin é editora do site Gastrolândia “Trago uma linguagem muito amigável, não é um texto petulante. O site tende a ser um lugar com dicas de amigo mesmo. Minha intenção, desde o começo, foi oferecer algo diferente das críticas tradicionais, que têm muito termo técnico. Mostro a gastronomia para o dia a dia do leitor, com uma linguagem mais próxima”.
Com quase 15 anos de carreira e passagens por alguns dos principais veículos do País, como as revistas VIP, Playboy, Época São Paulo e Alfa, sempre na editoria de gastronomia, a jornalista investiu em uma plataforma hoje alcança mais de três milhões de pageviews anuais. Como estratégia, ela também utilizou as redes sociais a seu favor para atrair mais de 500 mil pessoas por semana em seus perfis no , e .
Parte do sucesso do site se deve a alguns pontos fundamentais, como jamais receber cortesias de restaurantes e sempre pagar as próprias contas. Em entrevista à IMPRENSA, Ailin falou sobre a estrutura do Gastrolândia, os desafios de escrever sobre gastronomia na internet e de seu novo aplicativo, o , que traz sugestões de cardápio para todos os bolsos.
IMPRENSA - Como seleciona o que vai ser pauta para o Gastrolândia? Ailin Aleixo - O coração do Gastrolândia são as críticas e indicações de lugares, mas é óbvio que me dedico também a apresentar novidades porque, jornalisticamente falando, novidade é algo que interessa. Tenho uma longa lista de lugares que eu preciso visitar. Então, me baseio por essa lista, ou mesmo por descobertas que faço pela rua. Sempre parto do princípio de indicar só o que é bom. Não estaria prestando um serviço ao meu leitor ao descer o cacete em algum lugar ruim. Desde a época que eu trabalhava como editora de revista esse foi meu pré-requisito.
Por que essa postura editorial? Indicar o que é abusivo ou ruim não seria também um serviço para o público? Gastar tempo falando que um lugar é ruim é um espaço que você está perdendo para indicar algo que seja bom. Acho que ter um blog para meter o pau é um jeito muito fácil e covarde de conseguir audiência, mas isso não constrói um produto. Ninguém vai acessar um site ao longo dos anos para ver críticas negativas. Construo meu site com base na confiabilidade que eu tenho, na frequência, na forma que eu faço.
Você trabalha sozinha ou mantém uma equipe? Como dar conta de fazer a cobertura de estabelecimentos fora de São Paulo? Tenho uma revisora, mas o conteúdo faço sozinha. Minha base é São Paulo, então, naturalmente tem mais conteúdo da cidade. Mas ano passado, por exemplo, fui para a Alemanha, Tailândia e França e nesses períodos os posts vão girar em torno da cultura internacional. Tanto que tem uma área no site dedicada às minhas viagens.
Qual é a proposta do aplicativo Menu do Dia? A ideia é fazer o internauta passear por São Paulo em busca de comida agradável. O aplicativo na verdade é uma brincadeira, ninguém vai em quatro lugares para almoçar ou jantar no mesmo dia. O conteúdo que está no app foi feito com base nas minhas visitas e experimentações. Alguns já saíram no Gastrolândia como crítica, mas de cada estabelecimento eu tiro preciosidades do menu. É o que para mim salta os olhos de cada lugar. O que eu queria mesmo era promover um passeio gastronômico pela cidade indicando itens muito bons.
Estuda fazer uma versão para outras cidades, além de São Paulo? Não tenho intenção de fazer um aplicativo com os menus do Rio de Janeiro. Acho que a gente tem que ter uma vivência da cidade, algo que eu não tenho vivendo em São Paulo. A grande sacada do app e do próprio Gastrolândia é que todo dia eu estou visitando algum lugar, o que faz o conteúdo ser mais vivo. Poderia passar dois meses no Rio, fazer um app e pronto. Mas seria algo muito estático, o que não é o que busco. Quero poder hoje visitar um lugar e amanhã já indicar um prato no aplicativo. Não é algo que alguém fez há três meses, é algo muito vivo.
O diferencial de quem escreve sobre o tema na web acaba sendo sua isenção jornalística e credibilidade. Mas para quem está começando, como atrair a atenção de internautas cada vez mais exigentes e ávidos pela notícia imediata? Como conquistar não só a tão sonhada credibilidade, mas também a independência financeira? Apesar desses questionamentos, há cinco anos, a jornalista Ailin Aleixo resolveu deixar os veículos tradicionais em busca de mais liberdade na internet. Surgia o , site que mistura um guia de restaurantes com críticas gastronômicas e notícias do segmento.
Crédito:Felipe Gombossi Ailin é editora do site Gastrolândia “Trago uma linguagem muito amigável, não é um texto petulante. O site tende a ser um lugar com dicas de amigo mesmo. Minha intenção, desde o começo, foi oferecer algo diferente das críticas tradicionais, que têm muito termo técnico. Mostro a gastronomia para o dia a dia do leitor, com uma linguagem mais próxima”.
Com quase 15 anos de carreira e passagens por alguns dos principais veículos do País, como as revistas VIP, Playboy, Época São Paulo e Alfa, sempre na editoria de gastronomia, a jornalista investiu em uma plataforma hoje alcança mais de três milhões de pageviews anuais. Como estratégia, ela também utilizou as redes sociais a seu favor para atrair mais de 500 mil pessoas por semana em seus perfis no , e .
Parte do sucesso do site se deve a alguns pontos fundamentais, como jamais receber cortesias de restaurantes e sempre pagar as próprias contas. Em entrevista à IMPRENSA, Ailin falou sobre a estrutura do Gastrolândia, os desafios de escrever sobre gastronomia na internet e de seu novo aplicativo, o , que traz sugestões de cardápio para todos os bolsos.
IMPRENSA - Como seleciona o que vai ser pauta para o Gastrolândia? Ailin Aleixo - O coração do Gastrolândia são as críticas e indicações de lugares, mas é óbvio que me dedico também a apresentar novidades porque, jornalisticamente falando, novidade é algo que interessa. Tenho uma longa lista de lugares que eu preciso visitar. Então, me baseio por essa lista, ou mesmo por descobertas que faço pela rua. Sempre parto do princípio de indicar só o que é bom. Não estaria prestando um serviço ao meu leitor ao descer o cacete em algum lugar ruim. Desde a época que eu trabalhava como editora de revista esse foi meu pré-requisito.
Por que essa postura editorial? Indicar o que é abusivo ou ruim não seria também um serviço para o público? Gastar tempo falando que um lugar é ruim é um espaço que você está perdendo para indicar algo que seja bom. Acho que ter um blog para meter o pau é um jeito muito fácil e covarde de conseguir audiência, mas isso não constrói um produto. Ninguém vai acessar um site ao longo dos anos para ver críticas negativas. Construo meu site com base na confiabilidade que eu tenho, na frequência, na forma que eu faço.
Você trabalha sozinha ou mantém uma equipe? Como dar conta de fazer a cobertura de estabelecimentos fora de São Paulo? Tenho uma revisora, mas o conteúdo faço sozinha. Minha base é São Paulo, então, naturalmente tem mais conteúdo da cidade. Mas ano passado, por exemplo, fui para a Alemanha, Tailândia e França e nesses períodos os posts vão girar em torno da cultura internacional. Tanto que tem uma área no site dedicada às minhas viagens.
Qual é a proposta do aplicativo Menu do Dia? A ideia é fazer o internauta passear por São Paulo em busca de comida agradável. O aplicativo na verdade é uma brincadeira, ninguém vai em quatro lugares para almoçar ou jantar no mesmo dia. O conteúdo que está no app foi feito com base nas minhas visitas e experimentações. Alguns já saíram no Gastrolândia como crítica, mas de cada estabelecimento eu tiro preciosidades do menu. É o que para mim salta os olhos de cada lugar. O que eu queria mesmo era promover um passeio gastronômico pela cidade indicando itens muito bons.
Estuda fazer uma versão para outras cidades, além de São Paulo? Não tenho intenção de fazer um aplicativo com os menus do Rio de Janeiro. Acho que a gente tem que ter uma vivência da cidade, algo que eu não tenho vivendo em São Paulo. A grande sacada do app e do próprio Gastrolândia é que todo dia eu estou visitando algum lugar, o que faz o conteúdo ser mais vivo. Poderia passar dois meses no Rio, fazer um app e pronto. Mas seria algo muito estático, o que não é o que busco. Quero poder hoje visitar um lugar e amanhã já indicar um prato no aplicativo. Não é algo que alguém fez há três meses, é algo muito vivo.





