Jornalista da "Marie Claire" conta bastidores da entrevista com Suzane Richthofen
Doze anos após ter planejado o assassinato dos pais, a ex-estudante Suzane von Richthofen, uma das presas mais famosas do presídio de Tremembé, no interior de São Paulo (SP), fala sobre como é a vida na prisão, os sonhos e a vontade de recomeçar.
Atualizado em 31/10/2014 às 16:10, por
Alana Rodrigues*.
A foi concedida à jornalista Maria Laura Neves, editora sênior da revista Marie Claire , que contou os bastidores do encontro à IMPRENSA.
Crédito:Reprodução/Facebook Maria Laura Neves conta os bastidores da entrevista com Suzane von Richthofen “Não imaginei que ela fosse estar tão tensa. Ela estava com cara de assustada, os olhos bem abertos, dava umas gaguejadas e engolia seco. Isso me surpreendeu porque eu tinha a imagem de uma menina fria, manipuladora e, consequentemente, segura”, diz a jornalista.
Maria Laura relata que durante o diálogo elas abordaram as mudanças na internet desde que Suzane foi presa. A jovem não acompanhou a evolução das redes sociais como o Orkut, YouTube, Twitter e Facebook. Quando foi detida, o Messenger estava começando a fazer sucesso no Brasil. "Isso me fez pensar que ela meio que parou no tempo. Temos a mesma idade, mas fiquei com a sensação de que estava conversando com uma menina de 18 anos", pondera.
Suzane concedeu entrevista com a garantia de que não falaria sobre a noite do crime, o passado e a relação com as outras presas. Ela também não quis comentar sobre os irmãos Cravinhos, presos por matarem seus pais. “Durante a entrevista ela se recusou a responder boa parte das perguntas”, afirma Maria Laura.
A jornalista conta que já havia visitado o presídio algumas vezes nos últimos anos e que o objetivo inicial não era entrevistar Suzane, já que o antigo defensor da jovem, Denivaldo Barni, proibia relações com a imprensa.
No meio do ano, Suzane rompeu com o advogado e Maria viu na festa da Miss Primavera, que acontece em setembro, uma boa oportunidade para se aproximar da jovem. "A pauta do concurso era boa para a Marie Claire de qualquer jeito, mesmo se não tivéssemos falado com ela", destaca.
Ao manter contato com amigas de Suzane, a jornalista conheceu a jovem e ela se dispôs a conversar. Dias depois, a diretora do presídio disse que Suzane havia gostado de sua abordagem e aceitava dar entrevista.
Para ter acesso ao presídio, Maria teve de pedir autorização para a Secretaria de Administração Penitenciária, para a juíza da Vara de Tremembé, para a defensoria pública e uma autorização por escrito dela. A última requisição chegou quando a repórter estava a caminho do presídio.
Maria diz que não houve nenhum tipo de tensão durante a conversa e procurou abordar na matéria tudo o que viu e ouviu, sem juízo de valor. A recepção das detentas também foi tranquila e de respeito, relata.
"Sempre me chamam de senhora, evitam gírias, palavrões, são formais e quase não sorriem. No dia da festa elas estavam mais soltas. Como sabiam que eu era jornalista, algumas se aproximaram porque estavam orgulhosas, se sentido bonitas, e queriam sair na revista. Já outras correram de mim e do fotógrafo", acrescenta.
Crédito:Reprodução Jornalista não imaginava que Suzane ficaria nervosa com a conversa
Novo episódio
Condenada a 38 anos de prisão, Suzane deu um novo rumo à sua vida atrás das grades. Recentemente, a jovem trocou a ala das evangélicas para a das casadas ao oficializar a união com uma das detentas. A cerimônia estava prevista para ocorrer em novembro, mas, por conta do "assédio da imprensa", ela preferiu só assinar os papéis.
A esposa de Suzane, Sandra Regina Gomes, foi condenada a 27 anos de prisão pelo sequestro de um empresário em São Paulo. Ela havia se relacionado com outra detenta: Elize Matsunaga, presa por matar e esquartejar o marido Marcos Kitano Matsunaga, ex- diretor executivo da Yoki, em 2012.
O Caso
Suzane von Richthofen foi condenada pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia. O crime ocorreu em 2002 na casa da família, em São Paulo, e teve a participação de Daniel Cravinhos, então namorado de Suzane, e o irmão do rapaz, Cristian Cravinho - ambos cumprem pena em regime semiaberto.
Todos confessaram o crime e alegaram que o fizeram para defender o amor que sentiam um pelo outro, já que os pais da jovem eram contra o relacionamento. O Ministério Público (MP) acredita que Suzane arquitetou o plano de execução. Ela desistiu de lutar pela herança dos pais e tenta reconquistar o amor do irmão.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.
Crédito:Reprodução/Facebook Maria Laura Neves conta os bastidores da entrevista com Suzane von Richthofen “Não imaginei que ela fosse estar tão tensa. Ela estava com cara de assustada, os olhos bem abertos, dava umas gaguejadas e engolia seco. Isso me surpreendeu porque eu tinha a imagem de uma menina fria, manipuladora e, consequentemente, segura”, diz a jornalista.
Maria Laura relata que durante o diálogo elas abordaram as mudanças na internet desde que Suzane foi presa. A jovem não acompanhou a evolução das redes sociais como o Orkut, YouTube, Twitter e Facebook. Quando foi detida, o Messenger estava começando a fazer sucesso no Brasil. "Isso me fez pensar que ela meio que parou no tempo. Temos a mesma idade, mas fiquei com a sensação de que estava conversando com uma menina de 18 anos", pondera.
Suzane concedeu entrevista com a garantia de que não falaria sobre a noite do crime, o passado e a relação com as outras presas. Ela também não quis comentar sobre os irmãos Cravinhos, presos por matarem seus pais. “Durante a entrevista ela se recusou a responder boa parte das perguntas”, afirma Maria Laura.
A jornalista conta que já havia visitado o presídio algumas vezes nos últimos anos e que o objetivo inicial não era entrevistar Suzane, já que o antigo defensor da jovem, Denivaldo Barni, proibia relações com a imprensa.
No meio do ano, Suzane rompeu com o advogado e Maria viu na festa da Miss Primavera, que acontece em setembro, uma boa oportunidade para se aproximar da jovem. "A pauta do concurso era boa para a Marie Claire de qualquer jeito, mesmo se não tivéssemos falado com ela", destaca.
Ao manter contato com amigas de Suzane, a jornalista conheceu a jovem e ela se dispôs a conversar. Dias depois, a diretora do presídio disse que Suzane havia gostado de sua abordagem e aceitava dar entrevista.
Para ter acesso ao presídio, Maria teve de pedir autorização para a Secretaria de Administração Penitenciária, para a juíza da Vara de Tremembé, para a defensoria pública e uma autorização por escrito dela. A última requisição chegou quando a repórter estava a caminho do presídio.
Maria diz que não houve nenhum tipo de tensão durante a conversa e procurou abordar na matéria tudo o que viu e ouviu, sem juízo de valor. A recepção das detentas também foi tranquila e de respeito, relata.
"Sempre me chamam de senhora, evitam gírias, palavrões, são formais e quase não sorriem. No dia da festa elas estavam mais soltas. Como sabiam que eu era jornalista, algumas se aproximaram porque estavam orgulhosas, se sentido bonitas, e queriam sair na revista. Já outras correram de mim e do fotógrafo", acrescenta.
Crédito:Reprodução Jornalista não imaginava que Suzane ficaria nervosa com a conversa
Novo episódio
Condenada a 38 anos de prisão, Suzane deu um novo rumo à sua vida atrás das grades. Recentemente, a jovem trocou a ala das evangélicas para a das casadas ao oficializar a união com uma das detentas. A cerimônia estava prevista para ocorrer em novembro, mas, por conta do "assédio da imprensa", ela preferiu só assinar os papéis.
A esposa de Suzane, Sandra Regina Gomes, foi condenada a 27 anos de prisão pelo sequestro de um empresário em São Paulo. Ela havia se relacionado com outra detenta: Elize Matsunaga, presa por matar e esquartejar o marido Marcos Kitano Matsunaga, ex- diretor executivo da Yoki, em 2012.
O Caso
Suzane von Richthofen foi condenada pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia. O crime ocorreu em 2002 na casa da família, em São Paulo, e teve a participação de Daniel Cravinhos, então namorado de Suzane, e o irmão do rapaz, Cristian Cravinho - ambos cumprem pena em regime semiaberto.
Todos confessaram o crime e alegaram que o fizeram para defender o amor que sentiam um pelo outro, já que os pais da jovem eram contra o relacionamento. O Ministério Público (MP) acredita que Suzane arquitetou o plano de execução. Ela desistiu de lutar pela herança dos pais e tenta reconquistar o amor do irmão.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.





